David Niven

15 grandes rostos da nouvelle vague francesa

Além de cineastas e outros profissionais da sétima arte, a nouvelle vague trouxe uma galeria de grandes faces. Esses atores e atrizes também fizeram carreira em filmes fora do movimento, antes e depois dele. Alguns morreram prematuramente, outros continuam na ativa.

Estudiosos divergem sobre o início e o fim da nouvelle vague. Segundo a versão mais aceita, começaria em 1958 ou 1959, com Nas Garras do Vício ou Os Incompreendidos, e seguiria até os embates de Maio de 1968. Abaixo, ícones dividem espaço com atores menos lembrados, em lista para resgatar um momento único da História do Cinema.

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Anna Karina

A bela de Godard, mas também de Rivette e outros. Em Viver a Vida, fez história com lágrimas que remetem a Dreyer e sua Joana D’Arc. Também trabalhou sob a direção do mestre Valerio Zurlini no belo Mulheres no Front, de 1965.

viver a vida

Bernadette Lafont

Seu primeiro filme, o curta Os Pivetes, foi dirigido por François Truffaut, com quem voltaria a trabalhar em Uma Jovem Tão Bela como Eu. No primeiro, é a beleza distante, aos olhos dos meninos atrevidos. Mais tarde esteve no extraordinário A Mãe e a Puta.

os pivetes

Brigitte Bardot

Antes de Godard e O Desprezo, Bardot marcou época como a menina livre de E Deus Criou a Mulher, de Roger Vadim. Estavam escancaradas ali as portas do paraíso: Saint-Tropez, onde a mesma se banharia em ambas as obras, e onde seria seguida por diferentes homens.

o desprezo

Claude Jade

A primeira aparição da jovem atriz em Beijos Proibidos, de Truffaut, é talvez o ponto alto do filme. Ela aproxima-se do vidro e, do lado de fora, acena para Antoine Doinel. É o par perfeito para o jovem em dúvida, com quem voltaria a se encontrar nos filmes seguintes.

beijos proibidos

Corinne Marchand

Bastou apenas uma personagem para que Corinne ficasse marcada como uma das musas da nouvelle vague: a protagonista de Cléo das 5 às 7, de Agnès Varda, sobre os momentos de tensão que antecedem a retirada de um importante exame médico.

cleo das 5 as 7

Delphine Seyrig

O rosto misterioso de O Ano Passado em Marienbad. Mais: o rosto difícil de esquecer, o da mulher que vive com o enteado e recebe a visita de um velho amor em Muriel, outro de Alain Resnais. E como deixar de lado, entre outros, o incrível Jeanne Dielman?

o ano passado em marienbad

Françoise Dorléac

Outra atriz bela de poucos papéis, lembrada, sobretudo, por sua personagem em Um Só Pecado, de Truffaut, e que morreu cedo, em um acidente de carro, em Nice, em 1967. Pode ser vista também em Armadilha do Destino e Duas Garotas Românticas.

um só pecado

Jean Seberg

Apesar de ter trabalhado em grandes produções, a americana Seberg seria lembrada por sua personagem em Acossado, Patricia Franchini, que pelas ruas de Paris vende o New York Herald Tribune. A atriz contracenou antes com David Niven em Bom Dia, Tristeza.

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Jean-Louis Trintignant

Trabalhou ao lado de diversos cineastas, entre eles Vadim (E Deus Criou a Mulher), Claude Lelouch (Um Homem, Uma Mulher) e Eric Rohmer (Minha Noite com Ela). Fora do tempo da nouvelle vague, ainda contribuiria com outros mestres, como Kieslowski.

minha noite com ela

Jean-Pierre Léaud

Eternizado como Antoine Doinel nos cinco filmes que Truffaut dedicou à personagem. E não só: também esteve em filmes de Godard, como no divertido Masculino-Feminino e, pouco depois, no maoísta A Chinesa, de 1967. Esteve no recente e encantador O Porto.

os incompreendidos

Jean-Paul Belmondo

Podia ser um pequeno criminoso em Acossado e, no ano seguinte, 1961, o padre de Léon Morin, de Jean-Pierre Melville. Ator versátil, de expressão inesquecível, e de filmes nem sempre lembrados como Duas Almas em Suplício, de Peter Brook.

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Jean-Claude Brialy

Viveu o protagonista de Nas Garras do Vício, um dos filmes que lançaram a nouvelle vague. Voltaria em outro de Chabrol, logo depois, Os Primos, e em diversas produções marcantes como Uma Mulher é Uma Mulher e, mais tarde, O Joelho de Claire.

jean-claude brially

Jeanne Moreau

Provavelmente o rosto feminino mais importante da época, a Catherine de Jules e Jim, papel que a imortalizaria. Viveu outras personagens intensas em grandes filmes como Eva, A Baía dos Anjos, A Noite e, pouco antes, em Amantes e Ascensor para o Cadafalso.

Jeanne Moreau

Maurice Ronet

Esteve no mesmo Ascensor para o Cadafalso ao lado de Moreau e, de novo com o diretor Louis Malle, interpretou a personagem principal em Trinta Anos Esta Noite. Com Alain Delon, dividiu a cena em outros bons filmes: O Sol por Testemunha e A Piscina.

Trinta Anos Esta Noite

Stéphane Audran

O olhar enigmático é sua marca registrada. Pode ser visto nos filmes de Claude Chabrol, com quem foi casada até 1980. E com ele fez grandes filmes, incluindo um pequeno papel em Os Primos, Entre Amigas e, mais tarde, A Mulher Infiel e O Açougueiro.

o açougueiro

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Cinco clássicos utopistas

Nenhuma indústria cinematográfica estabelecida, em nenhuma parte do mundo, representou tão bem o cinema utopista que a Hollywood da era clássica. Nos filmes utopistas, indivíduos sacrificam-se pelos outros, em nome de um valor moral.

São otimistas, claro, e carregam traços de uma cultura dominante, traços da família, da América feliz e do impossível – não raro, faz o paraíso da Terra tão belo e prazeroso quanto o dos céus. É a indústria do cinema trabalhando a todo vapor para insuflar de esperanças seu espectador. Com exceção do último filme da módica lista abaixo, o britânico Neste Mundo e no Outro, os outros quatro são produções americanas.

Nas Águas do Rio, de John Ford

Depois do belo Juiz Priest, o astro Will Rogers – morto pouco antes de o filme estrear – volta a trabalhar com Ford, de novo com ótimo resultado. Ele faz o mesmo tipo tranquilo, que termina como herói: o capitão de um barco que leva um pouco da história americana, contra injustiças e intolerâncias, a favor do final feliz.

nas águas do rio

Horizonte Perdido, de Frank Capra

A cidade perdida, Shangri-lá, é a representação máxima do cinema hollywoodiano utopista: é o local em que ninguém envelhece. Pois não é justamente o poder dos clássicos americanos? Após um acidente de avião, o herói (Ronald Colman) e seus companheiros descobrem essa cidade perdida e suas possibilidades.

horizonte perdido

O Mágico de Oz, de Victor Fleming

A mensagem tornou-se eterna: não existe lugar melhor que a própria casa. É para ela – após um furacão, novos amigos e a fúria da Bruxa Malvada do Oeste – que Dorothy (Judy Garland) deseja retornar. Mas não sem encontrar o grande Oz. Sobretudo, não sem algumas provações, como a superação das fraquezas de seus companheiros.

o mágico de oz

Agora Seremos Felizes, de Vincente Minnelli

Retornam o tema da “volta a casa” e a beleza ingênua de Garland, que canta músicas adoráveis ainda em uma Hollywood de outro mundo, dos estúdios, dos sonhos. As cores enchem a tela de esperança. A família é sempre bondosa. A irmã menor, na cena em que destrói os bonecos de neve, com certeza fez muita gente ir às lágrimas.

agora seremos felizes

Neste Mundo e no Outro, de Michael Powell e Emeric Pressburger

Sempre elegante e astuto, David Niven é o piloto de avião abatido durante a guerra e que tem uma segunda chance perante a corte celestial. Nessa obra fantástica da dupla Powell e Pressburger, o amor vence a morte. E sequer nos céus, no outro mundo, haverá consenso entre os espíritos – isso, claro, até surgir David Niven.

neste mundo e no outro

Anthony Quinn, 100 anos

Com jeito exótico e distante dos traços tipicamente americanos, Anthony Quinn começou com personagens exóticas. Pequenos papéis, aos poucos revelando sua grandeza. O jeito rochoso já estava lá: era imponente, impossível não ser notado.

Fez filmes desde a década de 30. Demorou a ganhar relevância. Os dois Oscars – por Viva Zapata! e Sede de Viver – vieram por coadjuvantes, ao lado de outros dois gigantes: Marlon Brando e Kirk Douglas. Ainda assim, conseguia se impor.

É lembrado, claro, por papéis em outros filmes, como A Estrada da Vida, de Fellini, e Os Canhões de Navarone, cuja personagem nasceu para ele – em claro contraste à figura de David Niven, o “cérebro” da turma. Quinn era pura massa. Entre tantas personagens, a mais famosa é certamente Alexis Zorba, apaixonada pela vida.

Nos anos 40, antes do grande sucesso, fez um papel pequeno, “maldito”, em O Intrépido General Custer (abaixo), ao lado do “tipicamente americano” Errol Flynn. Servia ao contraste, de novo. Quinn é o índio Cavalo Louco, responsável por matar o herói americano, quando os nativos venceram os brancos na batalha de Little Big Horn.

o intrépido general custer