crítico de cinema

Bastidores: Caché

Para Haneke, por trás de toda captação de imagem, de toda representação em forma de imagem “realista”, predomina um inelutável poder de manipulação. Seu discurso é contra o pretenso realismo do cinema e contra o efeito de real que hoje até formas de puro entretenimento, como os reality shows, elegem para si. Posição de risco, sem dúvida, já que, ao mesmo tempo em que denunciam, seus filmes também se constroem com base em recursos de manipulação. A diferença é que a certa altura Haneke desmonta o ilusionismo e tira do espectador o prazer passivo do voyeurismo, como ele faz logo nos primeiros minutos de Caché.

Cássio Starling Carlos, crítico de cinema, na revista Bravo! (abril de 2006; pg. 105). Abaixo, Haneke, ao lado de Juliette Binoche, nas filmagens.

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Bastidores: A Noite dos Desesperados

O diretor Sydney Pollack construiu um salão de baile e o encheu de personagens. Eles vêm do nada, na verdade; Michael Sarrazin é fotografado como se tivesse entrado no salão de baile diretamente do mar. Os personagens parecem não ter histórias, nem vidas alternativas; eles só existem dentro das paredes do salão de baile e durante o tique-taque do relógio oficial. Pollack simplificou o universo. Ele tem tudo na vida resumido a essa competição boba; e o que ele nos diz tem mais a ver com vidas do que com concursos.

Roger Ebert, crítico de cinema (leia aqui a crítica completa). Abaixo, o diretor Sydney Pollack (foto 1); a atriz Jane Fonda (foto 2); e os atores Susannah York e Bruce Dern (foto 3).

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Bastidores: Em Pedaços

Com notável segurança narrativa, Fatih Akin desenvolve ao mesmo tempo, de forma imbricada, o resvalamento de Katja em seu abismo interior e a sua ação externa em busca de vingança, com uma atitude que em vários momentos parece adquirir um aspecto de hipnose ou sonambulismo. Uma mulher que passou pelo que ela passou é capaz de tudo – e o filme explora muito bem essa imprevisibilidade, bem como o terreno movediço em que Katja se move. E não foi por acaso que Diane Kruger ganhou o prêmio de melhor atriz em Cannes.

José Geraldo Couto, crítico de cinema, jornalista e tradutor, em seu blog no site do Instituto Moreira Salles (leia aqui o texto completo). Abaixo, o diretor Akin e os atores Diane Kruger e Numan Acar durante as filmagens do longa-metragem.

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Harry Dean Stanton (1926–2017)

O cineasta alemão Wim Wenders planejava um road movie nos EUA. Um filme escrito por Sam Shepard, sobre um derrotado que parte com o filho em busca da mulher. No imaginário de Wenders, Paris, Texas seria uma variação da Odisseia. O pai ausente. O filho Telêmaco. O filme recebeu a Palma de Ouro em Cannes, fez sucesso de público e crítica em todo o mundo. De repente, aos 58 anos, Harry Dean Stanton virou cult. Iniciou-se outra carreira e, entre outros títulos de prestígio, participou de Twin Peaks e Império dos Sonhos, ambos de David Lynch.

Luiz Carlos Merten, crítico de cinema, no jornal O Estado de S. Paulo (leia o texto aqui). Abaixo, Dean Stanton em Paris, Texas.

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Bastidores: O Planeta dos Macacos

Símios são criaturas inquietantes, por sua estranha semelhança com os humanos. Mais inquietante ainda é saber que a evolução poderia se inverter: que nós homens seríamos um momento da evolução, e não seu ponto máximo…

O que primeiro sugere o filme do diretor americano Franklin Schaffner, inspirado no livro do francês Pierre Boulle, é uma reflexão sobre quem somos: origens e evolução. Mas a questão também pode ser sobre o que nós, homens, fazemos a nós mesmos: como nos destruímos, como podemos involuir.

Inácio Araujo, crítico de cinema, na Folha de S. Paulo (16 de julho de 2016; leia texto completo aqui). Abaixo, Charlton Heston (à direita) e a equipe do filme.

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