crítico de cinema

Harry Dean Stanton (1926–2017)

O cineasta alemão Wim Wenders planejava um road movie nos EUA. Um filme escrito por Sam Shepard, sobre um derrotado que parte com o filho em busca da mulher. No imaginário de Wenders, Paris, Texas seria uma variação da Odisseia. O pai ausente. O filho Telêmaco. O filme recebeu a Palma de Ouro em Cannes, fez sucesso de público e crítica em todo o mundo. De repente, aos 58 anos, Harry Dean Stanton virou cult. Iniciou-se outra carreira e, entre outros títulos de prestígio, participou de Twin Peaks e Império dos Sonhos, ambos de David Lynch.

Luiz Carlos Merten, crítico de cinema, no jornal O Estado de S. Paulo (leia o texto aqui). Abaixo, Dean Stanton em Paris, Texas.

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Jeanne Moreau (1928–2017)

Bastidores: O Planeta dos Macacos

Símios são criaturas inquietantes, por sua estranha semelhança com os humanos. Mais inquietante ainda é saber que a evolução poderia se inverter: que nós homens seríamos um momento da evolução, e não seu ponto máximo…

O que primeiro sugere o filme do diretor americano Franklin Schaffner, inspirado no livro do francês Pierre Boulle, é uma reflexão sobre quem somos: origens e evolução. Mas a questão também pode ser sobre o que nós, homens, fazemos a nós mesmos: como nos destruímos, como podemos involuir.

Inácio Araujo, crítico de cinema, na Folha de S. Paulo (16 de julho de 2016; leia texto completo aqui). Abaixo, Charlton Heston (à direita) e a equipe do filme.

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Bastidores: Contatos Imediatos do Terceiro Grau

Sonho e tristeza com Massimo Troisi

Não havia muita firmeza na fala de Massimo Troisi. Parecia triste com constância. Era um ator um pouco distante, do universo dos grandes cômicos do passado. Com ele, tudo era leve, fácil. Seria levado a viver personagens sonhadoras, que lhe serviram à perfeição. Não estranha.

Seja em A Viagem do Capitão Tornado, de Scola, ou mesmo em O Carteiro e o Poeta, de Michael Radford, Troisi era o sonhador, o artista, o aspirante a poeta e homem apaixonado. Como bem definiu o crítico de cinema Luiz Carlos Merten, “havia uma delicadeza, mesclada de gentileza, que fazia de Massimo Troisi um ser muito especial”.

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Gene Wilder (1933–2016)

Bastidores: Classe Operária

Classe Operária convida a todos os tipos de interpretação. Você pode tomar esta história simples e colocá-la contra os eventos do início dos anos 80, e vê-la como uma espécie de parábola. Sua interpretação é tão boa quanto a minha. É a própria casa a Polônia, e os trabalhadores o [sindicato] Solidariedade – reconstruindo-a a partir de seu interior, antes de uma força autoritária exterior intervir? Ou este filme seria sobre a heresia de substituir valores ocidentais (e os jeans e os perus) por uma orientação caseira? Ou é sobre a manipulação das classes trabalhadoras pela intelligentsia? Ou é simplesmente um ataque frontal aos chefes do Partido Comunista que vivem de maneira confortável enquanto os trabalhadores devem seguir as regras?

Roger Ebert, crítico de cinema (leia texto aqui; a tradução é do blog). Abaixo, o ator Jeremy Irons e o diretor Jerzy Skolimowski.

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Bastidores: Imitação da Vida

Bastidores: Imitação da Vida

A hipocrisia hollywoodiana não tem limites. Em 1958, a Universal queria que um filme abordasse a “questão racial”, mas, se possível, sem negros. Uma tamanha contradição, só um cineasta poderia encarar: Douglas Sirk. Pois qualquer crítico de cinema minimamente antenado vai dizer: “Sirk é o cineasta do espelho”. Nada lhe perturba mais do que o abismo entre a coisa refletida e o reflexo deformador. Abismo sem fundo. O espelho não nos dá nada além da imagem da imagem. Uma imagem esconde a outra, substitui outra. Não se pode escapar (é isso, o reflexo do kitsch). É porque ela teve essa ideia imodesta e vingativa de um enterro grandioso que Annie Johnson atinge, pós mortem, o estatuto de imagem. A famosa última cena de Imitação da Vida também é: bem-vindo ao reino da imitação, cara Annie. E o falso, é possível ser fabricado. Para isso, é preciso um grande talento. Toda personagem depositada na beira da tela tornou-se uma imitação. Como a chuva de diamantes na tela escura dos créditos. Não há exceção. O cinema é apenas uma barca e lágrimas, resultado de um ligeiro enjoo.

Serge Daney, crítico de cinema, para o jornal Libération (3 de maio de 1982; a tradução é do professor Pedro Maciel Guimarães, curador da Mostra Douglas Sirk, o Príncipe do Melodrama, no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), em 2012; leia aqui uma entrevista com o professor, feita na ocasião da mostra). Abaixo, a estrela Lana Turner durante as filmagens das cenas de abertura de Imitação da Vida.

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