Costa-Gavras

13 grandes filmes que ganharam a Palma de Ouro e perderam o Oscar

O Oscar é o prêmio mais famoso do mundo. Cannes é o maior dos festivais. No entanto, desde o surgimento de ambos, apenas uma vez o Oscar foi para o ganhador da Palma de Ouro. E isso ocorreu nos anos 50, com o longa Marty. Desde então, nenhum outro filme conseguiu repetir o feito. Abaixo, selecionamos alguns grandes filmes que saíram premiados do festival, mas não ganharam a tão famosa estatueta dourada.

M.A.S.H., de Robert Altman

Comédia passada na Guerra da Coreia e com claras aproximações ao lamaçal do Vietnã. Primeiro grande sucesso de Altman.

Perdeu o Oscar para: Patton – Rebelde ou Herói?

A Conversação, de Francis Ford Coppola

Coppola também levou o Oscar, mas pela segunda parte do Chefão. Aqui, vai ao interior de um homem pago para grampear os outros.

Perdeu o Oscar para: O Poderoso Chefão – Parte 2

Taxi Driver, de Martin Scorsese

Robert De Niro dá um show de atuação como um homem perturbado, a bordo de seu táxi, pelas ruas sujas de Nova York.

Perdeu o Oscar para: Rocky: Um Lutador

Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola

A obra-prima de Coppola sobre o Vietnã é uma adaptação do famoso livro de Joseph Conrad sobre homens destinados à insanidade.

Perdeu o Oscar para: Kramer vs. Kramer

O Show Deve Continuar, de Bob Fosse

No Oito e Meio de Fosse, até a morte converte-se em show. Roy Scheider tem o melhor momento de sua carreira na pele do protagonista.

Perdeu o Oscar para: Kramer vs. Kramer

Missing, de Costa-Gavras

Um pai procura pelo filho desaparecido no Chile após a tomada de poder por Pinochet. Jack Lemmon e Sissy Spacek estão à frente do elenco.

Perdeu o Oscar para: Gandhi

A Missão, de Roland Joffé

Um comerciante de escravos muda de lado e passa a trabalhar com os jesuítas nesse belo filme com trilha sonora de Ennio Morricone.

Perdeu o Oscar para: Platoon

O Piano, de Jane Campion

Um mulher muda casa-se, atravessa o oceano e não consegue se despregar de seu piano – com o qual poderá ir até para o fundo do mar.

Perdeu o Oscar para: A Lista de Schindler

Pulp Fiction, de Quentin Tarantino

Cannes curvou-se ao filme de crimes de Tarantino, com seus diálogos espertos, frases marcantes e sem economizar na violência.

Perdeu o Oscar para: Forrest Gump: O Contador de Histórias

Segredos e Mentiras, de Mike Leigh

O diretor é mestre em comédias sobre relações humanas, pessoas simples e até irritantes – como a personagem de Brenda Blethyn.

Perdeu o Oscar para: O Paciente Inglês

O Pianista, de Roman Polanski

Um pouco da experiência de Polanski nos campos de concentração, quando criança, está nesse belo filme sobre o Holocausto.

Perdeu o Oscar para: Chicago

A Árvore da Vida, de Terrence Malick

O surgimento da vida – entre ciência e religião – é paralelo à vida de uma família americana, com mãe angelical e pai autoritário.

Perdeu o Oscar para: O Artista

Amor, de Michael Haneke

Um casal de velhinhos vê-se enclausurado a um apartamento e, sobretudo, à doença e à certeza do fim nesse filme sem concessões.

Perdeu o Oscar para: Argo

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15 grandes filmes que sintetizam o clima político dos anos 60

Os movimentos de renovação do cinema, nos anos 60, trouxeram também uma forte abordagem política. Alguns cineastas deixaram ideologias às claras em obras extraordinárias e contestadoras, sem que renunciassem ao grande cinema em nome do panfleto. A lista abaixo traz 15 filmes que captam o espírito da época, com temas ainda atuais. Comunismo, anarquismo, maoísmo e outras correntes podem ser vistas em fitas de autores como Rosi, Bertolucci, Godard e Saraceni.

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Os Companheiros, de Mario Monicelli

O cotidiano dos trabalhadores de uma pequena cidade muda com a chegada de um professor terno e idealista, interpretado na medida por Marcello Mastroianni. Obra-prima de Monicelli, que se firmou como um dos principais cineastas do chamado cinema político italiano, sempre entre o tom cômico e o trágico.

os companheiros

As Mãos Sobre a Cidade, de Francesco Rosi

O cineasta havia realizado, antes, o extraordinário O Bandido Giuliano. Em seguida, com As Mãos Sobre a Cidade, mantém pleno diálogo com seu tempo, ao abordar as tramoias de um político corrupto em prol da especulação imobiliária. Há grandes sequências de embates e manipulação. Continua tristemente atual.

as mãos sobre a cidade

Antes da Revolução, de Bernardo Bertolucci

Perfeito retrato do jovem que vive um impasse político: tenta se distanciar da burguesia ao mesmo tempo em que vê com receio os comunistas de então. Primeiro filme importante de Bertolucci, após o interessante A Morte. Para alguns estudiosos, antecipa a discussão e o clima que tomaria conta do mundo com o Maio de 68, na França.

antes da revolução

O Desafio, de Paulo César Saraceni

Obra fundamental do cinema novo brasileiro. Como Antes da Revolução, apresenta o impasse de um jornalista, impotente devido ao golpe de 1964. À época, alguns diálogos foram censurados pela Ditadura e, mais tarde, com a abertura política, tais trechos tiveram de ser dublados, evocando as frases originais que constavam no roteiro.

o desafio

A Batalha de Argel, de Gillo Pontecorvo

A independência da Argélia ainda era recente quando o filme estreou. Muitas das pessoas que participaram da obra, não-atores, viveram o evento real. Não por acaso, esbarra no documentário, com imagens granuladas e interpretações naturalistas. Um documento sobre a resistência do povo argelino contra as forças francesas.

a batalha de argel

Despedida de Ontem, de Alexander Kluge

Ao lado de O Jovem Törless, de Volker Schlöndorff, é um dos filmes que deu origem ao conhecido novo cinema alemão. Nesse caso, a abordagem política não se desprega do passo a passo da protagonista, uma moça que vai da Alemanha Oriental para a Ocidental e encontra obstáculos, terminando sempre como vítima de todos à sua volta.

despedida de ontem

A Chinesa, de Jean-Luc Godard

Talvez o principal filme a retratar o espírito de 68 – e que curiosamente o antecede. Com sua música “Mao Mao”, de Gérard Guégan, com seus jovens de discursos constantes – e cortantes – empunhando o Livro Vermelho, ao mesmo tempo com um clima de improvisação e liberdade. Importante para entender a radicalidade da época.

a chinesa

A China Está Próxima, de Marco Bellocchio

O título, de novo, faz referência ao regime chinês. Na história, ele sai de uma pichação na parede da sede do Partido Comunista. Ao centro há um rapaz que assessora um homem milionário de carreira política e seu irmão, ligado ao grupo maoísta. Alguns momentos aproximam-se da comédia. Um grande Bellocchio.

a china está próxima

Terra em Transe, de Glauber Rocha

Com Eldorado, o país fictício em que se desenrola uma trama política manjada, Rocha faz um claro paralelo com o Brasil. O enredo é conhecido: o político populista é colocado a escanteio, ao passo que o poder termina na mão do líder autoritário e recheado de símbolos da Igreja. O protagonista assiste à transformação e depois adere às armas.

terra em transe

Partner, de Bernardo Bertolucci

As filmagens da obra de Bertolucci ocorreram na mesma época dos atos de Maio de 68. Membros de seu elenco e equipe aproveitavam as horas vagas para viajar à França e se engajar nas fileiras dos protestos. A obra bebe na fonte de Godard e é inspirada em O Duplo, de Dostoievski. Em cena, o enfant terrible Pierre Clémenti.

partner

Memórias do Subdesenvolvimento, de Tomás Gutiérrez Alea

Considerado o maior filme cubano já feito. Reflexão sobre um homem que se divide entre ir embora da ilha, quando estoura a revolução, ou continuar por ali e assimilar as mudanças. Realizado sob o regime de Fidel Castro, ainda assim consegue ser crítico. O protagonista vê-se sozinho depois que a família migra para os Estados Unidos.

memórias do subdesenvolvimento

Se…, de Lindsay Anderson

Em 1968, devido aos protestos políticos, o Festival de Cannes foi cancelado. No ano seguinte, a Palma de Ouro terminou nas mãos de Anderson. Em um colégio interno conservador, um grupo de alunos rebela-se contra seus superiores e, ao fim, promove um ataque contra o poder, representado principalmente pela Igreja.

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A Piada, de Jaromil Jires

Pequena obra brilhante da Nová Vlna (a nouvelle vague tcheca), que não passou despercebida ao olhar dos censores soviéticos. Por muito tempo não constou na filmografia de seu diretor. Entre passado e presente, aborda a história de um homem expulso do Partido Comunista Tcheco e condenado a “serviços militares” forçados.

a piada

Dias de Fogo, de Haskell Wexler

Mais conhecido pelos seus trabalhos como diretor de fotografia, Wexler foi um artista politicamente engajado e chegou a realizar um documentário sobre o golpe de 64 no Brasil, lançado em 1971. Seu Dias de Fogo capta o momento de transformações nos Estados Unidos, em 68, entre as primárias do Partido Democrata e a ebulição das ruas.

dias de fogo

Z, de Costa-Gavras

Mescla o tom de documentário ao suspense policial. Ganhador do Oscar de filme estrangeiro, trata do caso Lambrakis, o político liberal assassinado na Grécia no início dos anos 60. Os poderosos trataram o caso como acidente, ainda que a morte tenha ocorrido em meio a uma multidão. Filme de resistência, poderoso do início ao fim.

z costa-gavras

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O Beijo da Mulher Aranha, de Hector Babenco

Do interior da cela, em O Beijo da Mulher Aranha, nasce o relacionamento entre dois homens: o homossexual alienado Luis Molina (William Hurt) e o bruto politicamente engajado Valentin (Raul Julia). O que se põe ao centro é a ligação, o entendimento, a convivência difícil de imaginar.

O segundo deixa passar despercebido o que o primeiro, atraído e apaixonado, enxerga com facilidade: eles completam-se com suas diferenças, no pouco espaço da cela.

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o beijo da mulher aranha

Valentin é um jornalista revolucionário preso pelos ditadores no Brasil dos anos 80. Eram, na vida real, os dias finais do regime. Na obra, a repressão segue a todo vapor – como indica o olhar do jornalista, pela pequena abertura no alto da parede, enquanto observa a chegada de novos companheiros espancados ao presídio.

Ao se voltar à cela, vê apenas Molina – igualmente as histórias contadas por seu novo amigo, sobre antigos filmes repletos de estilo, propositalmente falsos e exagerados segundo o olhar do imaginativo e delicado homossexual.

O Beijo da Mulher Aranha começa com um movimento de câmera que atravessa a cela, por paredes, sombras, fotos de velhas atrizes e de um mundo regado às celebridades que contrapõem o espaço bruto e palpável, uma masmorra aos ainda vivos como Valentin.

A obra, com exceção das movimentadas sequências finais nas ruas de São Paulo, não tem realismo. Prefere um universo à parte, como se as personagens – apesar do olhar de Valentin – sempre embarcassem em sonhos, na necessidade de não estar onde estão.

Não para por aí: Babenco ou leva ao inferno do irrealismo, nos confins escuros de uma cela na qual até o sexo é ocultado, ou prefere os sonhos à base da fotografia em tons mofados, em um tempo de guerra – a ocupação alemã na França durante a Segunda Guerra Mundial – no qual o amor vence a politicagem.

o beijo da mulher aranha

É história de Molina contra o olhar de Valentin: uma disputa entre dois pontos de vista. Contudo, segundo o roteiro de Leonard Schrader, a partir da obra de Manuel Puig, eles trocam de lado: o revolucionário aprende a amar, o homossexual alienado adere à causa da minoria e sai em missão política, ao fim, para ajudar seu grande amor.

O filme pertence a Hurt, no papel de sua carreira. Como Molina, faz o público vibrar e até esquecer as imperfeições de O Beijo da Mulher Aranha. Seu gesto inicial, quando enrola a toalha na cabeça, define a obra: a delicadeza entre o impensável.

Em momentos, o visual faz pensar no cinema de Fassbinder. Em outros, aproxima-se de um thriller político de Costa-Gavras, passado em algum país periférico.

O fundo brasileiro às vezes não dialoga com a frente, com personagens (a maior parte vivida por atores brasileiros) obrigadas a se relacionar em língua inglesa. Os vilões não convencem, ao contrário dos acertados diálogos entre a dupla central.

Estranhos encontros geram um filme estranho e fascinante, de nostalgia e tragédia, sem medo de parecer falso quando sai em busca de efeitos verdadeiros, dos gritos de desespero de um país ainda fora de eixo. Molina, herói improvável, destrói-se pela paixão. Valentin marca seu encontro com a consciência política.

Nota: ★★★★☆

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Após os amargos anos 70, a Academia inclinou-se ao drama familiar: premiou Gente como a Gente, Laços de Ternura, Rain Man, Conduzindo Miss Daisy. É difícil imaginar Reds perdendo de Carruagens de Fogo. O Oscar refletia certa necessidade de quietude: a América era outra, e era necessário recuperar a moral perdida após a derrota no Vietnã.

Ou, vale argumentar, as pessoas simplesmente não queriam mais ver o passado recente. Ainda assim, é possível encontrar exceções, sempre elas, na década em que o Oscar premiou duas vezes Oliver Stone, justamente por filmes sobre o tempo anterior, Platoon e Nascido em 4 de Julho.

10) Atlantic City, de Louis Malle

Como um apostador decadente, Burt Lancaster divide a cena com Susan Sarandon, ambos em um universo repleto de personagens inconfiáveis.

Vencedor do ano: Carruagens de Fogo

atlantic city

9) O Homem Elefante, de David Lynch

Ao encontrar John Merrick (John Hurt), Frederick (Anthony Hopkins) tem um olhar de tristeza e fascinação, o que resume o filme.

Vencedor do ano: Gente como a Gente

homem elefante

8) Tess, de Roman Polanski

Foi Sharon Tate quem deu o livro para Polanski, sobre uma menina bela, sem maldades, sempre vítima de homens e do mundo ao redor.

Vencedor do ano: Gente como a Gente

tess

7) Uma Janela para o Amor, de James Ivory

Do início ao fim, quase tudo é leve nesse filme que mescla desejos reprimidos e posições sociais, como em outros filmes de Ivory.

Vencedor do ano: Platoon

uma janela para o amor

6) O Beijo da Mulher Aranha, de Hector Babenco

O local improvável para a estranha relação entre um ativista político e um homossexual, no Brasil da Ditadura. Ou seja, a própria prisão.

Vencedor do ano: Entre Dois Amores

o beijo da mulher aranha

5) Desaparecido – Um Grande Mistério, de Constantin Costa-Gavras

Gavras vai à ditadura de Pinochet: um pai em busca do filho, americanos patrocinando atrocidades e um cavalo branco em plena madrugada.

Vencedor do ano: Gandhi

desaparecido

4) Reds, de Warren Beatty

O jornalista John Reed cobriu a Revolução Russa e, entre idas e vindas, não conseguiu se separar de seu grande amor, Louise Bryant.

Vencedor do ano: Carruagens de Fogo

reds

3) Os Eleitos, de Philip Kaufman

Eram tempos de quebrar barreiras, chegar ao espaço, ver o mundo do alto: o tempo de homens frágeis em situações complicadas, à beira da morte.

Vencedor do ano: Laços de Ternura

os eleitos

2) E.T. – O Extraterrestre, de Steven Spielberg

O menino torna-se a extensão do extraterrestre. Como ele, é incompreendido e perseguido pelos adultos neste grande Spielberg.

Vencedor do ano: Gandhi

e.t. o extraterrestre1

1) Touro Indomável, de Martin Scorsese

Em seu camarim, Jake La Motta (De Niro) fala sobre Shakespeare, Brando, Kazan, fala sobre tudo antes de ser levado ao ringue, em um corte.

Vencedor do ano: Gente como a Gente

touro indomável

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