Contracampo – Revista de Cinema

Bastidores: O Escritor Fantasma

(…) o maior acerto de Polanski é sem dúvida construir um filme que se utiliza do espaço cênico de maneira impressionante, emparelhando uma arquitetura precisa das interações entre os personagens com o controle de um ambiente-cenário um tanto restrito, no qual as tensões circulam, se condensam e explodem inusitadamente. Há neste O Escritor Fantasma um quê de A Morte e a Donzela, filme que ele dirigiu em 1994: a condução de um suspense de trama quase impalpável num espaço limitado, onde a aderência ao binômio palavra-ação é mais importante para o roteiro do que a psicologia dos personagens em si. E talvez seja exatamente esta a dinâmica que lhe permita direcionar a atenção do espectador de forma tão eficiente e trabalhar uma narrativa com pontos de virada e conclusão que desafiam as expectativas mais correntes de desenvolvimento e conclusão. Deste filme, saímos sem nada além da verificação de que os jogos de poder são herméticos e operam inexoravelmente de acordo com suas próprias leis.

Tatiana Monassa, crítica de cinema e pesquisadora, na Contracampo – Revista de Cinema (maio de 2010; leia a crítica completa aqui). Abaixo, o diretor Roman Polanski e o ator Ewan McGregor.

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Baseado em Fatos Reais, de Roman Polanski

Bastidores: A Estrada da Vida

Nunca peço ao ator um esforço de interpretação particular, ou seja, nunca me obstino a fazê-lo dizer meus diálogos num dado tom. O caso de Giulietta interpretando Gelsomina é o único exemplo em que obriguei uma atriz que tem um temperamento exuberante, agressivo, até pirotécnico, a fazer o papel estilizado de uma criatura retraída de timidez, com um clarão de razão e de gestos sempre no limite da caricatura e do grotesco. Isso me demandou um esforço muito grande e nesse caso particular, Giulietta, contrariamente ao que ela fez por Cabiria, precisou de um esforço de interpretação muito grande, porque Gelsomina é uma “interpretação” enquanto “Cabiria” estava muito mais na sua afinação, com sua agressividade, seu temperamento quase um pouco alucinado, sua prolixidade.

Federico Fellini, cineasta, na revista Cahiers du Cinéma (nº 84, junho de 1958; traduzido do francês por Luiz Carlos Oliveira Jr. e publicado na Contracampo; leia aqui). Abaixo, Fellini e Giulietta Masina.

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Satyricon de Fellini

Bastidores: Prelúdio para Matar

O CinemaScope voa por pilares e colunas, com todas as suas nuances utilizadas para chamar a atenção do espectador nestes primeiros planos para a cenografia, rústica e de moldes clássicos. Após uma pequena movimentação de grua na qual a câmera desce da direita para a esquerda, o grupo que está tocando a música a qual escutamos é reenquadrado. O inglês Marcus Daly (David Hemmings), professor de jazz, está no meio de sua aula. O jazz que está sendo tocado, por sua vez, parece remontar o trabalho de Ennio Morricone para outro filme de Argento, O Gato de Nove Caudas, no aspecto bastante tradicional de sua execução. Marcus interrompe seus alunos, não está satisfeito, diz que existe algo de errado, que seus alunos estão tocando muito bem, de maneira muito cuidadosa, formal, mas que esta música precisa ser “suja”; em outras palavras, que a beleza do tipo de música que estavam tocando reside justamente no que possui de grosseiro, inacabado, por conta em boa parte de ter nascido em bordéis e do apelo popular que possui. Esta é a primeira cena em que Argento estabelece regras pelas quais Prelúdio Para Matar se desenvolverá: o horror, o que existe de belo nele, é justamente aquilo que há de violento, de rude, do susto mais vagabundo ao assassinato mais sangrento, e é assim que devem ser os filmes do gênero segundo professor Dario.

Bruno Andrade, crítico de cinema, na Contracampo – Revista de Cinema (leia aqui o texto completo). Abaixo, o diretor Argento nos bastidores.

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