Cidade dos Sonhos

Identidade, duplos e os labirintos da alma (em 22 filmes)

O reino de máscaras e cópias encontra no cinema um espaço privilegiado. São muitos os filmes que fazem essa abordagem, com personagens divididas, a confrontar o outro, estranho e não raro inerente. A lista abaixo traz filmes de diferentes épocas, alguns baseados em autores famosos, levando o espectador a labirintos e sem respostas fáceis.

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O Grande Gabbo, de James Cruze e Erich von Stroheim

O diretor Stroheim interpreta a personagem-título, ventriloquista que entra em confronto com seu próprio boneco, Otto, sua outra face, seu contato com o mundo feito de festas e amores, de sequências musicais nos palcos da Broadway. Dois lados de um mesmo homem, cujo embate poderá levá-lo à miséria, também à loucura.

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O Médico e o Monstro, de Rouben Mamoulian

A clássica história baseada no livro de Robert Louis Stevenson. Fredric March ganhou seu primeiro Oscar como Henry Jekyll e o oposto, o senhor Hyde, o homem e o monstro, sob os cenários e a câmera subjetiva utilizada na abertura – e segunda a qual todos os espectadores também se tornam parte daquele homem, ou daquela criatura.

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O Homem que Nunca Pecou, de John Ford

Filme menos lembrado do mestre Ford, com Edward G. Robinson em papel duplo: o funcionário padrão que nunca chega atrasado ao trabalho, também o bandido mais temido na cidade. Claro que as duas figuras a certa altura se encontrarão, e claro que a provável troca de papéis gerará situações curiosas. Vale a descoberta.

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Um Corpo que Cai, de Alfred Hitchcock

Após não conseguir salvar a mulher amada, o detetive de James Stewart vê a possibilidade de transformar “outra” mulher na anterior. Aos poucos, ele descobre que se trata da mesma. Obra-prima de Hitchcock com Kim Novak na pele da loura misteriosa Madeleine Elster e, depois, na da morena Judy Barton.

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Quando Duas Mulheres Pecam, de Ingmar Bergman

O próprio Bergman considerava Quando Duas Mulheres Pecam – ou Persona, como é também conhecido – um de seus filmes mais completos. É o encontro de duas mulheres, depois isoladas em uma ilha, a atriz Elisabet Vogler (Liv Ullmann), que emudeceu, e a enfermeira falante Alma (Bibi Andersson), em um poderoso jogo de máscaras.

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O Segundo Rosto, de John Frankenheimer

Homem poderoso contrata uma organização para simular sua própria morte. Ele deseja mudar de vida e se tornar mais jovem. Na nova roupagem, com seu segundo rosto, ganha a forma do galã Rock Hudson. No entanto, a mudança trará consequências. O grande thriller de Frankenheimer banha-se no clima da Guerra Fria.

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Peppermint Frappé, de Carlos Saura

O título refere-se à bebida servida nos encontros das personagens. Saura aproxima-se de Buñuel, do surrealismo, com seus tambores de Calanda, e explora uma história às raias do absurdo. É sobre um homem impotente que tenta transformar uma mulher em outra, a morena em loura atraente, a exemplo do já citado Um Corpo que Cai.

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Partner, de Bernardo Bertolucci

Baseado em O Duplo, de Dostoievski, é o filme do cineasta italiano que mais se aproxima do clima político de 68, com seus jovens contestadores e a estrutura que flerta com Jean-Luc Godard. O estudante ao centro, interpretado por Pierre Clémenti, tem suas convicções abaladas quando passa a ser confrontado por seu duplo.

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Performance, de Donald Cammell e Nicolas Roeg

Antes dos extraordinários A Longa Caminhada e Inverno de Sangue em Veneza, Roeg dividiu com Cammell a direção desse filme conectado com seu tempo, sobre um gângster (James Fox) que, em fuga, pinta o cabelo e termina na grande casa de Turner (Mick Jagger). Com doses de psicodelia, eles começam a se fundir.

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Irmãs Diabólicas, de Brian De Palma

A história de uma mulher que perdeu sua irmã siamesa após a separação dos corpos. Fica a cicatriz, a marca do rompimento em um filme curioso do arquiteto De Palma, sempre se banhando no universo de Alfred Hitchcock. Há o voyeurismo nas sequências da janela, quando a jornalista observa um assassinato, e também a dupla personalidade.

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Profissão: Repórter, de Michelangelo Antonioni

A personagem de Jack Nicholson, repórter desiludido, vê a oportunidade de mudar de vida: ela assume a identidade do homem no quarto ao lado, em um hotel, em um ponto remoto do globo. Antonioni volta ao campo da identidade nesse belo filme. O encerramento é inesquecível: a câmera percorre o quarto e atravessa as grades da janela.

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Três Mulheres, de Robert Altman

O filme de Altman deve algo a Quando Duas Mulheres Pecam, de Bergman, e insere ainda uma terceira figura feminina. Aborda a relação de duas mulheres (Shelley Duvall e Sissy Spacek) quando passam a trabalhar juntas em uma casa de repouso e quando uma tenta se tornar a outra. Altman, em grande momento, propõe um enigma.

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Gêmeos – Mórbida Semelhança, de David Cronenberg

Os gêmeos de Cronenberg compartilham a mesma profissão e a mesma ciência: a ginecologia. Mas ambos expõem suas diferenças, o que aumenta o clima destrutivo, ajudado pela mulher entre eles, a misteriosa Geneviève Bujold. Um dos grandes trabalhos do diretor de Videodrome: A Síndrome do Vídeo e Marcas da Violência.

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A Dupla Vida de Véronique, de Krzysztof Kieslowski

A ideia é curiosa: todas as pessoas teriam um duplo em algum lugar do mundo. A protagonista e sua cópia são vividas por Irène Jacob. Ainda no início, uma consegue ver a outra, em um ônibus, enquanto a segunda fotografa seu duplo sem saber. O resultado é mais um trabalho exemplar de Kieslowski, aqui em sua primeira incursão pela França.

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Clube da Luta, de David Fincher

Incluir o filme de Fincher nesta lista é correr o risco de revelar muito. Seu protagonista é alguém sem caminho (Edward Norton), que descobre na violência um novo sentido para a vida. E descobre que essa busca pode, a certa altura, ganhar proporções inimagináveis – enquanto segue atormentado pela figura de Brad Pitt.

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Cidade dos Sonhos, de David Lynch

Duas mulheres, uma loura e uma morena, faces da mesma moeda, na Hollywood delirante de Lynch. Ao que parece, começa como sonho, com a chegada de uma jovem atriz (Naomi Watts) a Los Angeles e os problemas de outra (Laura Harring), que sofreu um acidente e perdeu a memória. Para muitos, o ponto alto da carreira do diretor.

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Adaptação, de Spike Jonze

Outro sobre o mundo do cinema. Aborda as relações de um roteirista (interpretado por Nicolas Cage, e que pode ser o próprio Charlie Kaufman) com seu duplo, seu gêmeo que sempre aparece para soltar palpites sobre sua vida. Detalhe: o roteiro desse filme inventivo é assinado por Charlie Kaufman e um inexistente Donald Kaufman.

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O Rabo do Tigre, de John Boorman

O protagonista, um empresário, descobre que seu duplo vive pelas ruas e representa o outro lado do sistema capitalista em questão: é seu gêmeo que foi deixado para trás, que, diferente dele, não teve as mesmas oportunidades. A aparência kafkiana dá espaço à abordagem social. O duplo retorna para atormentar o protagonista endinheirado.

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O Homem Duplicado, de Denis Villeneuve

Muitos cinéfilos consideram o filme incompreensivo, com passagens absurdas, como o encerramento com a aranha gigante no interior do quarto. Os tons pastéis salientam um clima de sonho, a cercar o público de dúvidas. E o protagonista, vivido por Jake Gyllenhaal, almeja ser como seu duplo, um ator de vida movimentada.

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Viva a Liberdade, de Roberto Andò

Político atingido por pressões de todos os lados decide desaparecer. Seu partido, na Itália, decide colocar seu irmão gêmeo no seu posto. O que poderia ser um desastre torna-se uma vitória: o outro fala o que vem à mente e logo se torna um sucesso com o eleitorado. E, como costume, há uma (dupla) interpretação acertada de Toni Servillo.

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O Duplo, de Richard Ayoade

Jesse Eisenberg serve bem à personagem, rapaz impotente que tenta se aproximar de uma bela moça (Mia Wasikowska), no trabalho, e que passa a ser atormentado por seu duplo. A cópia representa tudo o que ele não é, e talvez tudo o que sonhasse ser. Mais uma adaptação direta de O Duplo, de Dostoievski, e em um universo surreal.

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Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), de Alejandro González Iñárritu

Ator tenta provar que pode dar a volta por cima, com uma peça séria na Broadway, enquanto é atormentado pelo passado: a personagem que ele viveu no cinema, o herói Birdman, retorna para cobrá-lo, para salientar sua fraqueza nesse labirinto de atores, parentes, nesse meio em que todos tentam se entender e no qual tudo parece efêmero.

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Demônio de Neon, de Nicolas Winding Refn

Pode haver algo mais falso e exagerado do que um filme sobre o mundo da moda, com tendência ao terror, realizado por um diretor como Nicolas Winding Refn? Não se trata de dizer que o mundo da moda não é indigesto, nem negar a beleza do filme.

É importante lembrar – e isso é evidente em Demônio de Neon – que apenas a beleza das imagens não garante, nem passa perto, da grandeza de um filme. Pois Refn apoia-se na beleza individual, na extensão de cada plano, sem escapar ao vazio.

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Sua fé cega nessa beleza – ou na falsa beleza – é tamanha que dela não escapa: o cineasta torna-se refém de um inócuo exercício de estilo, em uma obra sem articulação convincente entre situações, com o terror feito de tijoladas, abrupto, a ser deglutido quase à força pelo espectador que acompanha uma sucessão de beldades inexpressivas.

A ideia, desde o primeiro plano, é casar a moda à morte. Lá está a bela e jovem Elle Fanning deitada em um sofá, em um estúdio, sendo fotografada com sangue no pescoço. A fotografia antecipa o que vem a seguir: belezas mortas em um meio sufocante.

Fanning vive Jesse, aspirante a modelo que cai nas graças de um fotógrafo famoso, de um estilista famoso e do jovem que se apaixona por ela, o único ser comum nesse desfile interminável de seres ultrajantes, que tentam impressionar pelo inesperado.

E, claro, ter modelos canibais e assassinas, acredita Refn, é uma forma de se atingir o terror. Falta naturalidade no desenvolvimento da trama, qualquer passo para se compreender essas personagens. Inveja e desejo assassino são lançados ao léu.

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A protagonista vive em um motel, é uma das várias garotas despejadas em Los Angeles – sem família, sem raízes, “sem talento para qualquer coisa”, como ela própria confessa – e que buscam oportunidades com razões óbvias: são belas e nada mais.

É o caso de se questionar: teria Refn produzido todo esse vazio de maneira deliberada, para parecer inócuo, para chegar às raias do insuportável? Ainda assim, falta um mínimo de articulação – o que é necessário mesmo a exercícios com tendências surrealistas, como prova o grande David Lynch e seu Cidade dos Sonhos.

O mundo da moda pode ser insuportável. Sem novidades. Bertrand Bonello conseguiu resultados muito superiores com o recente Saint Laurent. O exemplo do francês talvez ajude a iluminar o fracasso do dinamarquês: ainda que presos a uma redoma particular, a um universo próprio, aqueles seres não perdem nunca o contato com o real.

Falta um cinema pulsante, sobram imagens meramente belas ou repulsivas em Demônio de Neon. Refn vive do contraste. Sexo com cadáveres, banquetes canibais e banhos de sangue são insuficientes quando o material não lhes garante sentido maior. Se seguir assim, o melhor ao cineasta é investir em publicidade, ou desfiles de moda.

(The Neon Demon, Nicolas Winding Refn, 2016)

Nota: ★☆☆☆☆

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Mapas para as Estrelas, de David Cronenberg

A velha estrela de cinema não se conforma com as recusas. Contorce-se, chora, pede ajuda a uma espécie de guru a quem as estrelas recorrem quando precisam se recuperar. De quebra, é assombrada pelo espírito da mãe morta.

Outras personagens, em Mapas para as Estrelas, também são assombradas por outros espíritos. Hollywood, cujo cenário não havia sido invadido antes por David Cronenberg, é uma terra de monstros, como em um filme de terror.

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Nesse sentido, não parece se diferenciar dos outros trabalhos do cineasta. O que interessa a Cronenberg é a podridão por trás das belas casas, da riqueza, do sucesso, da falsa imagem da bondade, dos gestos em público. As estrelas – algumas mais famosas, outras mais ricas – estão sempre sob o efeito da maquiagem.

Não estranha, por isso, ver a atriz no banheiro, no vaso sanitário, com problemas intestinais. Cronenberg descortina a vida nas grandes mansões, invade as conversas banais no banco de trás dos carros – com os motoristas que sonham em fazer sucesso e agem como idiotas – e os efeitos destrutivos do sonho.

Tudo leva à inevitável tragédia, àquele ponto final em que ela mescla-se à esperança que não existe mais: quando a câmera recua, os jovens permanecem deitados e as estrelas – de mentira, nos créditos – tomam a tela.

Não há esperança: tudo é falso, e todos estão tomados pelo desejo de morte. Todos estão fora do controle, fingindo controlar – e bem – suas próprias vidas, seus dramas, seus passados – levados à tela na forma de espíritos.

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A certa altura, lembra Cidade dos Sonhos, de Lynch. Mas Cronenberg prefere os efeitos trágicos, os detalhes reais. Permanece algo repetitivo, também o vazio que toma a vida de todos, nos encontros em grandes mansões, nas conversas à toa.

Los Angeles não aparece muito. Em seu pouco, é feia. Os estúdios são locais mecânicos, de puro trabalho, sem arte. Suas pessoas são simples. Falam aos outros como se sempre tivessem horror à vida, como se nada importasse.

Falam como se fossem donas de tudo, como se não houvesse vez à humanidade. A terra do cinema explode em cinismo: em cena, os suspeitos de sempre.

Há a menina aparentemente sonhadora e ingênua, que acabou de retornar à cidade. Ela é interpretada por Mia Wasikowska, o anjo transformado em monstro, a Alice do filme de Tim Burton. É a personagem mais interessante. Tem uma cicatriz do lado esquerdo do rosto e a certa altura sua marca é confundida com a maquiagem verdadeira.

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Em Hollywood, ela começa a trabalhar para a estrela Havana Segrand (Julianne Moore), cuja mãe, por coincidência ou não, morreu em um incêndio. Nesse mapa traçado por Cronenberg, as coisas aos poucos se confundem, mas as coisas certamente não se dão ao simples acaso. Na cidade das redes, o acaso não existe.

Ao chegar à cidade, a menina ingênua contrata um motorista, vivido aqui por Robert Pattinson. Nessa terra, nesse mapa, há sempre um pobre homem a conectar o espectador à realidade, à margem, também em busca do sucesso: ele é, aqui, o Joe Gillis dos tempos atuais, em busca de sua Norma Desmond.

A menina Agatha (Wasikowska) pode ter se apaixonado por ele. Terá de enfrentar o temperamento inconstante de Havana, também de confrontar sua antiga família, a tragédia passada, o jovem irmão – igualmente perturbado – que sobreviveu a um ato louco cometido por ela, quando colocou fogo em sua casa.

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A ligação maior, diz Cronenberg, não se dá entre a menina e a antiga família, mas entre ela e Havana. Enquanto Agatha expressa o anjo por trás do monstro, a outra é o oposto. E se a menina é transformada ao longo do filme, não é difícil entender o motivo.

Mapas para as Estrelas é diferente de outros filmes de Cronenberg. O amargor, contudo, continua intacto. Suas personagens – como em Gêmeos – Mórbida Semelhança ou mesmo em Cosmópolis – escondem-se em templos, com suas próprias regras, com a beleza que se desfaz, sem pressa.

Nota: ★★★★☆