Charles Chaplin

Bastidores: Em Busca do Ouro

Tive momentos de agonia tentando achar motivação para criar Em Busca do Ouro. Eu me perguntava: o que fazer? No filme Em Busca do Ouro você encontra ouro. E daí? O que acontece depois? Como são entediantes as histórias do Norte e do Alasca. Para transformar esta história em uma comédia, comecei a pensar em neve. Pensei em congelamento, no Vagabundo tirando as meias e elas ficando duras, suas calças duras, tudo isso. E depois, o que acontece? Aí encontrei uma situação única: a fome. Tive a ideia a partir da leitura a respeito de um grupo que se perdeu nas montanhas e morreu de fome, que cometeu canibalismo, comeu cadarços de sapatos e tudo mais. Então, pensei: “Sim, existe algo de engraçado nisso tudo”.

Charles Chaplin, cineasta e ator, em 1967 (a declaração está na edição de Em Busca do Ouro da Coleção Folha Charles Chaplin; pg. 22). Abaixo, Chaplin nas filmagens, nas montanhas de Sierra Nevada.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

Veja também:
O movimento inesperado da câmera em um pequeno grande filme de Charles Chaplin

Bastidores: Noites de Cabíria

Giulietta Masina, que interpretou a criatura passiva de A Estrada da Vida, transforma-se aqui numa lutadora, uma Quixote sempre pronta a enfrentar os moinhos de vento, e apesar de tudo com uma fé inquebrantável na vida e na felicidade.

Georges Sadoul, pesquisador, historiador e crítico de cinema, em verbete de seu Dicionário de Filmes (L&PM Editores; pg. 280). Abaixo, Masina (ao centro) durante as filmagens.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

Veja também:
Bastidores: A Bela e a Fera

Vídeo: o macarthismo e o cinema

 

Veja também:
Vídeo: o nazismo segundo Visconti, Cavani e Bergman

Os dez melhores filmes de todos os tempos segundo Jean-Pierre e Luc Dardenne

Os talentosos irmãos belgas são lembrados por grandes filmes realistas e já colecionam duas Palmas de Ouro – por Rosetta e A Criança. A lista abaixo foi publicada pelo Instituto Britânico de Filmes (veja aqui), na eleição dos Melhores Filmes de Todos os Tempos, em 2012, que ouviu críticos, cineastas e outros profissionais ligados à sétima arte. A lista está em ordem de lançamento, não de preferência.

Aurora, de F.W. Murnau

História de amor sobre um homem que luta para reconquistar a mulher após tentar matá-la. De repente, nesse ato de reconquista, ambos se vêem pela cidade, por bondes, entre carros. Obra máxima de Murnau.

Tempos Modernos, de Charles Chaplin

Comédia sobre a mecanização do mundo e a exploração dos trabalhadores. “Carlitos nas engrenagens é como o filme passando pelas engrenagens da câmera”, observa Luc no episódio de Chaplin Today para Tempos Modernos.

Alemanha, Ano Zero, de Roberto Rossellini

A história de uma criança entre os escombros da Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial. O encontro com a miséria é inevitável nesse filme forte de Rossellini, neorrealista e realizador de Roma, Cidade Aberta.

Os Corruptos, de Fritz Lang

Pérola noir de Lang sobre um policial em busca de vingança, em uma rede que envolve corrupção e mafiosos. Glenn Ford tem um grande momento, mas quem rouba a cena é Lee Marvin, como o bandido Vince Stone.

Rua da Vergonha, de Kenji Mizoguchi

Retrato da prostituição no Japão, tema antes visitado por Mizoguchi no também extraordinário Mulheres da Noite. Em seu último filme, o mestre japonês mostra os dramas envolvendo mulheres de um bordel.

Rastros de Ódio, de John Ford

Como um homem amargo que aprendeu a odiar os índios, John Wayne retorna para casa e logo vê sua família ser destruída. É quando sai pelo mundo em busca das sobrinhas raptadas, na companhia de um rapaz.

Desajuste Social, de Pier Paolo Pasolini

Primeiro longa-metragem de Pasolini. O cenário é a periferia italiana, na qual se vê a personagem-título, cafetão obrigado a fazer mudanças em sua rotina quando sua fonte de renda, uma prostituta, é atropelada.

Dodeskaden, de Akira Kurosawa

Filme do mestre japonês sobre o cotidiano de um grupo de favelados. Está por ali, por exemplo, um menino com deficiência intelectual que dirige um bonde imaginário. Chegou a ser indicado ao Oscar de filme estrangeiro.

Loulou, de Maurice Pialat

Outra bela obra que dá espaço a seres à margem. Dessa vez um tipo vagabundo interpretado por Gérard Depardieu, com quem Nelly (Isabelle Huppert) termina envolvida. Filme livre e delicioso de Pialat.

Shoah, de Claude Lanzmann

Para muitos, o melhor filme já feito sobre o Holocausto. Obra extensa (566 minutos) que dá voz a sobreviventes, testemunhas e algozes, sem uma única imagem de arquivo. Brilhante estudo sobre a força da memória.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

Veja também:
Os dez melhores filmes de todos os tempos segundo Woody Allen