Asas

Dez ganhadores do Oscar protagonizados por mulheres

Ao passar o olho pela lista dos vencedores do Oscar de melhor filme, o leitor perceberá a predominância de produções encabeçadas por homens ou com “histórias masculinas”.

O primeiro vencedor do Oscar, Asas (abaixo), tem uma personagem feminina de peso, vivida por ninguém menos que Clara Bow. Mas, em cena, ela é a mulher entre dois homens – em uma história à beira da relação gay. Um filme de guerra, e de homens. Não faltariam novos exemplos mais tarde, como Os Melhores Anos de Nossas Vidas, Lawrence da Arábia, entre outros.

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Talvez haja explicação: em uma indústria na qual a direção sempre foi vista como ofício masculino, sobretudo no passado, tende-se a histórias de peso com protagonistas homens. Nos anos 70, época em que se reclamava da falta de personagens femininas interessantes, todos os ganhadores do Oscar foram protagonizados por homens.

Em alguns casos, mulheres e homens têm peso semelhante em tela, como em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. Apesar de se voltar à mulher, a Annie Hall do título original, a obra de Woody Allen é relatada pelo ponto de vista masculino. Outros casais de destaque também podem ser vistos em premiados como Gigi e Minha Bela Dama. A lista abaixo traz ganhadores do Oscar com mais destaque para a mulher.

E o Vento Levou, de Victor Fleming

Ainda que Rhett Butler (Clark Gable) tenha destaque, o filme pertence à destemida Scarlett. E a Academia não pôde negar a Vivien Leigh o Oscar de atriz. Ela domina cada sequência, com seu olhar explosivo, ora tramando algo, ora frágil e verdadeira.

e o vento levou

Rebecca, A Mulher Inesquecível, de Alfred Hitchcock

A personagem-título não aparece. Pode ser um espírito. Contra ele, a ingênua senhora de Winter, interpretada por Joan Fontaine. E, contra esta, a poderosa vilã de Judith Anderson. O filme de Hitchcock tem um interessante subtexto gay.

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A Malvada, de Joseph L. Mankiewicz

Uma disputa entre duas mulheres, no filme e no Oscar: de um lado a lendária Bette Davis, do outro a bela – e vilã – Anne Baxter. O filme situa-se no mundo do teatro, com a atriz novata que faz qualquer coisa para chegar ao sucesso, inclusive destronar a rival.

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A Noviça Rebelde, de Robert Wise

Um dos últimos musicais com jeito família a ganhar o Oscar, sucesso absoluto de bilheteria. A tal noviça é Julie Andrews, levada a amar um homem autoritário (Christopher Plummer), cantando e correndo com seus filhos, todos adoráveis.

a noviça rebelde

Laços de Ternura, de James L. Brooks

Na esteira dos dramas familiares dos anos 80, a Academia ficou de joelhos pelo filme do estreante Brooks e lhe conferiu cinco prêmios. Entre eles, o de melhor atriz para Shirley MacLaine, após quatro indicações na categoria principal.

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Entre Dois Amores, de Sydney Pollack

Como Karen Blixen, Meryl Streep está inesquecível: é a mulher forte que adquire uma fazenda na África, casa-se com o homem errado, relaciona-se com um aventureiro e ainda é aceita – não sem muito esforço – em um clube estritamente masculino.

entre dois amores

O Silêncio dos Inocentes, de Jonathan Demme

A novata policial Clarice Starling (Jodie Foster) investiga a morte de algumas garotas. Para chegar ao serial killer, conta com a ajuda de outro assassino (Anthony Hopkins). Demme proporciona momentos de tensão entre a moça e o experiente criminoso.

silêncio dos inocentes

Shakespeare Apaixonado, de John Madden

Não faltam detratores ao filme: ninguém (ou quase) concorda com o Oscar de atriz para Gwyneth Paltrow. Fora isso, a obra tem um roteiro delicioso, cheio de ficção, sobre o encontro de Shakespeare com a musa que lhe rendeu inspiração para Romeu e Julieta.

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Chicago, de Rob Marshall

Musical encabeçado por duas criminosas com algo em comum: ambas mataram seus companheiros. À frente do elenco está Renée Zellweger, a lourinha que sonha em fazer sucesso. O que poderia ser um problema torna-se a solução na Chicago dos anos 20.

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Menina de Ouro, de Clint Eastwood

Treinador de boxe ranzinza (Eastwood) é levado a apadrinhar uma garota contra sua vontade. Sob seus comandos, ela não faz feio: ganha quase todas as lutas e, mesmo na pior, mais tarde, descobre que talvez tudo não tenha sido em vão. Tocante.

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Veja também:
Bastidores: O Silêncio dos Inocentes
Três visões sobre o Oscar (e sobre o mundo do cinema)
16 grandes duplas indicadas ao Oscar na mesma categoria

Dez grandes filmes sobre a Primeira Guerra Mundial

Longe de ter produzido tantos filmes quanto a Segunda Guerra Mundial, a Primeira inspirou obras marcantes. Algumas, inclusive, feitas entre os dois grandes conflitos. A maior parte dessas produções faz críticas às besteiras da guerra e isso talvez tenha uma explicação: a Primeira Guerra Mundial é considerada o conflito que forjou a total desumanização, com o fim da camaradagem entre homens e o respeito entre os lados. É considerada a chegada à “guerra total”, com um modelo a ser seguido.

A realizar A Grande Ilusão, não por acaso Renoir faria ataque com sua defesa: a camaradagem possível entre um oficial alemão e um francês. Esse respeito entre homens de diferentes lados marca o fim de um tempo, e talvez já anunciasse o que vinha pela frente. Ao invadir a França durante a Segunda Guerra, os nazistas logo trataram de destruir as cópias do filme de Renoir. Felizmente, uma restou. A história é cheia de voltas. Abaixo, a lista com grandes obras sobre o conflito, talvez as melhores.

E é importante recordar: o conflito completou 100 anos em 2014.

O Grande Desfile, de King Vidor

O realizador de A Turba faz aqui outro filme extraordinário, sobre descobrir a maturidade e no qual, curiosamente, metade aproxima-se da comédia.

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Asas, de William A. Wellman

Primeiro ganhador do Oscar da história e único completamente mudo, Asas é extraordinário até mesmo quando leva ao drama pesado, às despedidas e amores.

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Sem Novidade no Front, de Lewis Milestone

Tem a famosa sequência do soldado tentando alcançar a borboleta, momento que resume tudo: a sensibilidade ainda persiste apesar de tanto mal.

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Cruzes de Madeira, de Raymond Bernard

É a resposta francesa ao filme de Milestone, sobre jovens inocentes abatidos no conflito, sobre imagens de cruzes que se sobrepõem à avalanche de homens.

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A Grande Ilusão, de Jean Renoir

Talvez o maior filme de guerra da história, a obra de Renoir tem poucos tiros e ataca o conflito de forma até mesmo singela, porém certeira: na camaradagem entre homens.

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Uma Aventura na África, de John Huston

Bogart faz o beberrão que encontra a mulher pacata – porém forte – de Hepburn nesse clássico absoluto com direito a final feliz. Nem tudo está perdido.

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Glória Feita de Sangue, de Stanley Kubrick

Tem as lágrimas finais que levam à reflexão, e tem também algumas das melhores sequências já feitas em trincheiras, com homens sujos como ratos.

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A Grande Guerra, de Mario Monicelli

O diretor italiano é o mestre do humor em meio à tragédia, um dos melhores da comédia à italiana. Aqui, ele põe em cena os pesos pesados Alberto Sordi e Vittorio Gassman.

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Lawrence da Arábia, de David Lean

O protagonista efeminado está em um filme sem uma história de amor, passado no pior lugar do mundo e com quatro horas de duração. Sem dúvida, um épico.

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Johnny Vai à Guerra, de Dalton Trumbo

Anos após figurar na Lista Negra, Trumbo realizou esse filme sobre as besteiras da guerra, passada na Primeira, mas fazendo sentir os problemas do Vietnã.

Johnny vai à Guerra

Não encontrou seu filme favorito sobre a Primeira Guerra Mundial? Não se preocupe: listas são sempre pessoais e, aos olhos alheios, sempre imperfeitas. Deixe seu recado, com seu filme favorito desse conflito.

Os 20 melhores ganhadores do Oscar

O prêmio mais famoso do cinema acertou muitas vezes. Ao longo dessa vida de “velho senhor”, com 86 anos, filmes grandiosos levaram a estatueta: O Poderoso Chefão, Casablanca, Os Melhores Anos de Nossas Vidas e muitos outros. Muitos deles, é bom dizer, não mereceram ganhar e passam longe dos filmes dessa lista.

E antes que a acusem de saudosista, já que não inclui nenhum filme realizado após os anos 2000, vale questionar: houve algum filme realmente relevante, ganhador do Oscar, feito após os anos 2000? Certamente houve, como Chicago e Onde os Fracos Não Têm Vez, mas, ainda assim, longe da qualidade dos trabalhos abaixo. Listas são listas, feitas sempre para outros discordarem. Aos melhores dos “melhores”.

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20) Os Imperdoáveis, de Clint Eastwood

imperdoáveis

19) Aconteceu Naquela Noite, de Frank Capra

aconteceu naquela noite

18) Perdidos na Noite, de John Schlesinger

perdidos na noite

17) Ben-Hur, de William Wyler

ben-hur

16) Se Meu Apartamento Falasse, de Billy Wilder

se meu apartamento falasse

15) Asas, de William A. Wellman

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14) Entre Dois Amores, de Sydney Pollack

entre dois amores

13) A Lista de Schindler, de Steven Spielberg

a lista de schindler

12) Sem Novidade no Front, de Lewis Milestone

sem novidade no front

11) O Silêncio dos Inocentes, de Jonathan Demme

silêncio dos inocentes

10) Um Estranho no Ninho, de Milos Forman

um estranho no ninho

9) Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de Woody Allen

noivo neurótico

8) Os Melhores Anos de Nossas Vidas, de William Wyler

os melhores anos de nossas vidas

7) E o Vento Levou, de Victor Fleming

e o vento levou

6) O Poderoso Chefão – Parte 2, de Francis Ford Coppola

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5) A Malvada, de Joseph L. Mankiewicz

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4) Sindicato de Ladrões, de Elia Kazan

MCDONTH EC013

3) Lawrence da Arábia, de David Lean

lawrence da arábia

2) O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola

o poderoso chefão

1) Casablanca, de Michael Curtiz

humphrey bogart & dooley wilson - casablanca 1943

Veja também:
Os 20 melhores ganhadores de Cannes