artes marciais

O Tigre e o Dragão: A Espada do Destino, de Woo-Ping Yuen

A pancadaria deixa espaço para pitadas de comédia e detalhes saborosos em O Tigre e o Dragão, de Ang Lee. Difícil esquecer a luta da guerreira Ziyi Zhang contra um bando de marmanjos, colocando um restaurante em pedaços.

Momentos belos, logo depois, podem ser vistos quando ela duela com a personagem de Chow Yun-Fat, e quando Lee volta a câmera ao rosto da moça, a anti-heroína acossada pelo líder que deseja treiná-la, entre árvores, em composição extraordinária.

tigre e o dragão espada

Continuação de O Tigre e o Dragão, A Espada do Destino não tem qualquer momento cômico valioso, mesmo pequeno, e não deixa espaço à sensibilidade entre lutas marciais vista na primeira parte, lançada em 2000 e ganhadora do Oscar de filme estrangeiro.

O que fica é pura quebradeira. A história começa mais de dez anos depois, quando a mesma Yu Shu Lien (Michelle Yeoh) do anterior se vê obrigada a proteger uma espada verde, contra o poderoso e carniceiro Hades Dai (Jason Scott Lee).

Como no anterior, a ação tem início com a busca pela arma preciosa. No filme de Lee, a espada da vez se mantinha por algum tempo na mão da figura errada (Ziyi) para dar vez a situações impensáveis, ao desequilíbrio deixado de lado na continuação.

Aos moldes de O Senhor dos Anéis, e com efeitos especiais para compor personagens místicas, o trabalho de Woo-Ping Yuen aposta na simples batalha entre lados, nos heróis conhecidos, no correto “lobo solitário” – embalado por coreografia.

tigre e o dragão espada2

Se ainda cabe outro paralelo, a primeira parte também dependia da coreografia. Mas Lee sabia como manejá-la a favor até da estranheza, de golpes sem jeito, ou às vezes da já citada comédia. E sabia como partir à seriedade depois: bastava a mudança da trilha sonora, ou um close, para o espectador entender a chegada da seriedade.

No seguinte, lançado em 2016 e com produção da Netflix, a coreografia é levada tão a sério que nada pode fazer senão dar vez ao filme “controlado”, preso ao relevo. É uma sucessão interminável de exibicionismo, frases de efeito, seres desinteressantes.

Em sua luta contra Hades, Yu Shu Lien reencontra um velho amor (Donnie Yen). Soma-se outro a essa história, com personagens jovens, além de fatos passados – com traições, velhos mestres e reviravoltas que levam todos ao mesmo ponto.

Sem situações e personagens atrativas, logo se vê um filme refém de pura ação, também de histórias de amor feitas de maneira atropelada e, por isso, sem a mínima possibilidade de convencer. Resta, ao menos, ainda que distante, um pouco do espírito do anterior, com suas cavalgadas, voos sobre telhados e heroínas sentimentais.

Nota: ★☆☆☆☆

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Ganhadores como GladiadorO Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei e Crash: No Limite revelam que, se tratando do prêmio, uma década até então nunca tinha sido tão desinteressante. Alguns indicados, contudo, compensam, superam – e de longe – os vencedores. É a década do 11 de Setembro, com Michael Moore tão vaiado quanto aplaudido ao ganhar o Oscar por Tiros em Columbine, com Polanski e Scorsese finalmente ganhando suas estatuetas – não por seus melhores trabalhos.

10) Traffic: Ninguém Sai Limpo, de Steven Soderbergh

Três histórias diferentes, com tonalidades diferentes, sobre personagens no mundo das drogas, na fronteira entre Estados Unidos e México.

Vencedor do ano: Gladiador

traffic

9) Sobre Meninos e Lobos, de Clint Eastwood

Três garotos têm a infância marcada por um crime que continuará a persegui-los. Décadas depois, um deles tem a filha assassinada.

Vencedor do ano: O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei

sobre meninos e lobos

8) O Tigre e o Dragão, de Ang Lee

Com esse filme de artes marciais, o diretor de Razão e Sensibilidade traz grandes cenas de ação e ainda deixa espaço para uma história de amor.

Vencedor do ano: Gladiador

o tigre e o dragão

7) Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino

Uma moça judia que trabalha em um cinema e alguns vingadores decretam o fim dos inimigos nazistas nesse filme original e inventivo.

Vencedor do ano: Guerra ao Terror

bastardos inglórios

6) Capote, de Bennett Miller

A obra desenrola-se após um crime brutal, com o outro lado da vida americana: é o clima que inspira Truman Capote a escrever A Sangue Frio.

Vencedor do ano: Crash: No Limite

hoffman

5) As Horas, de Stephen Daldry

Enquanto a escritora Virginia Woolf sofre com depressão, seu livro Mrs. Dalloway muda a vida de outras pessoas, décadas mais tarde.

Vencedor do ano: Chicago

as horas

4) Boa Noite e Boa Sorte, de George Clooney

O apresentador de televisão Edward R. Murrow compra briga com o senador Joseph McCarthy, contra sua “caça às bruxas”.

Vencedor do ano: Crash: No Limite

boa noite e boa sorte

3) Assassinato em Gosford Park, de Robert Altman

Como em A Regra do Jogo, personagens em uma casa de campo começam a se revelar. E o tal assassinato não é o mais importante.

Vencedor do ano: Uma Mente Brilhante

assassinato em gosford park

2) O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee

O amor entre dois brutos dá espaço à sensibilidade – apesar de tudo. De tempos em tempos, eles reencontram-se e lutam para ficar juntos.

Vencedor do ano: Crash: No Limite

1) Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson

Essa obra-prima tem Daniel Day-Lewis em seu melhor papel, com as mãos molhadas de sangue, tendo de afagar o filho encharcado de petróleo.

Vencedor do ano: Onde os Fracos Não Têm Vez

sangue negro

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