Apichatpong Weerasethakul

Os 20 melhores filmes de 2016

O ano que terminou deixou grandes filmes. Fechar a lista com 20 revelou-se tarefa difícil. Poderiam ser 30, até 40. Obras relevantes não faltaram. O cinema que desfila abaixo, do 20º ao primeiro colocado, espelha o que há de melhor no mundo recente da sétima arte.

Sim, faltaram algumas obras, não houve espaço para todas. Uma lágrima para Carol, Francofonia e Sully. Listas são sempre injustas. Recado: só entraram na lista filmes lançados comercialmente no Brasil em 2016.

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20) Elle, de Paul Verhoeven

O diretor que flagrou a cruzada de pernas de Sharon Stone volta ousado, com Isabelle Huppert em um de seus melhores momentos como uma mulher abusada que se aproxima do criminoso, homem de máscara preta que invade sua casa e talvez até lhe excite.

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19) As Montanhas se Separam, de Jia Zhangke

A relação entre três personagens – dois homens e uma mulher – em três tempos. Ou como essa relação de união e rompimento desencadeia tudo o que vem a seguir. Zhang-ke debruça-se novamente sobre as transformações da China – no passado, presente e futuro.

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18) A Passageira, de Salvador del Solar

A viagem de um taxista pelas ruas faz com que retorne ao passado militar no Peru: ele reencontra uma mulher que foi abusada por um coronel. O protagonista, vivido por Damián Alcázar, tenta reparar os erros do passado e volta a procurar a vítima.

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17) A Assassina, de Hou Hsiao-Hsien

Um dos principais nomes do novo cinema taiwanês, Hsiao-Hsien volta-se à tradição das artes marciais em obra misteriosa sobre uma assassina profissional (Qi Shu) e seus embates para levar à frente seu próximo trabalho: matar o próprio primo, por quem é apaixonada.

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16) Amor & Amizade, de Whit Stillman

A melhor adaptação de Jane Austen para o cinema. Comédia adulta cheia de ironia e classe. Realizador do ótimo Metropolitan, Stillman traz relacionamentos diversos, sempre a circular a personagem de Kate Beckinsale, a imponente Lady Susan Vernon.

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15) Spotlight – Segredos Revelados, de Tom McCarthy

Feito de diálogos, pulsante, sobre os inúmeros casos de abuso a crianças pelos padres da Igreja Católica. Começou em Boston, depois ganhou o mundo. O filme não recorre aos abusos. Prefere o trabalho de jornalistas, de porta em porta, atrás de informações.

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14) Certo Agora, Errado Antes, de Hong Sang-soo

Duas histórias com o mesmo ponto de partida: a chegada de um diretor de cinema a uma cidade para a apresentação de seu filme. Ele conhece uma garota, a relação não progride. Vem a segunda história: ele conhece a mesma garota, as palavras mudam, e o resultado é outro.

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13) O Abraço da Serpente, de Ciro Guerra

O índio observa o nada, a natureza, espera algo. Feito em belíssimo preto e branco, esse filme aborda a relação do homem com a natureza. Há também a crítica à exploração dos índios, inclusive pela Igreja Católica, na jornada para tentar encontrar a cura para um homem branco.

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12) A Bruxa, de Robert Eggers

Filme de terror que pede um mínimo de paciência, sem os sustos fáceis comuns ao cinema atual e ao gênero em questão. Sim, há um bode falante, um bebê que desaparece à base de um corte e mulheres levitando no plano final. Belo, de arrepiar.

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11) Belos Sonhos, de Marco Bellocchio

O título refere-se ao desejo da mãe dirigido ao filho enquanto dorme. Ao acordar com um barulho, no meio da noite, ele, ainda uma criança, descobre que ela está morta. Entre tempos que expõem sua infância e sua maturidade, ele terá de lidar com essa perda.

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10) O Valor de um Homem, de Stéphane Brizé

O grande Vincent Lindon é o homem ao centro, cujo valor é ressaltado, posto à prova, cuja forma – o corpo, mas também a alma – deverá ou não ser tomada pelo sistema. Ele busca um emprego e termina como vigilante em um supermercado, sufocado pelas regras.

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9) Sangue do Meu Sangue, de Marco Bellocchio

Muita gente disse que Bellocchio fez um filme de vampiros. Não é bem isso. Aborda dois tempos: no primeiro, padres tentam descobrir se uma mulher está possuída pelo diabo; no segundo, um velho homem (o vampiro) vê-se frente a frente com um novo tempo.

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8) Fogo no Mar, de Gianfranco Rosi

Documentário sobre os refugiados que tentam chegar à Itália pelo mar. Realizador do também ótimo Sacro GRA, Rosi prefere as palavras soltas e os movimentos de seus seres à narração ou qualquer manobra explícita da narrativa. Humano e inesquecível.

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7) Cemitério do Esplendor, de Apichatpong Weerasethakul

O diretor tailandês mergulha novamente no espaço de homens e espíritos em uma escola abandonada que serve como hospital. Abaixo dela, dizem, havia um antigo cemitério de reis, que estariam usando a energia dos soldados vivos, acima, tomados pelo sono.

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6) Os Campos Voltarão, de Ermanno Olmi

Olhar sobre o confinamento nas trincheiras, sob frio intenso, durante a Primeira Guerra Mundial. O mestre Olmi, realizador de obras como O Posto e A Árvore dos Tamancos, leva a homens amedrontados, à proximidade da morte, à bestialidade do autoritarismo.

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5) Boi Neon, de Gabriel Mascaro

As vaquejadas dão espaço às personagens desse filme extraordinário, feito de contrastes: o protagonista (Juliano Cazarré) investe em figurinos; a companheira de viagem (Maeve Jinkings) dirige o caminhão. A proximidade dos corpos, o sexo, os currais.

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4) O Botão de Pérola, de Patricio Guzmán

Após o extraordinário A Nostalgia da Luz (talvez superior), o diretor chileno mostra a relação entre a água, os nativos da Patagônia e os mortos da ditadura, dos quais restaram apenas os botões. Extraordinária reflexão sobre o oceano como espaço da memória.

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3) Aquarius, de Kleber Mendonça Filho

O apartamento de Clara (Sonia Braga) é um baú de memórias. Um espaço de vida que os especuladores de fala mansa não conseguem entender: guarda não só seu passado, com suas dores e momentos de descontração, mas também a memória dos outros.

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2) O Filho de Saul, de László Nemes

O ambiente é o pior possível, a tragédia pode ser vista em todos os cantos. Em um campo de concentração, o protagonista encontra um cadáver que pode ser de seu filho. A partir daí, corre contra o tempo – e arrisca a vida – para levar à frente o enterro.

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1) O Cavalo de Turim, de Béla Tarr e Ágnes Hranitzky

Pai e filha convivem sob o som do vento, do lado de fora, em uma casa afastada. O pai diz ouvir o som dos cupins, à noite, enquanto dorme, e a filha alerta que o cavalo – o único da família – deixou de comer. Algumas pessoas passam por ali, em uma carroça, outro homem também surge, enquanto os diretores compõem um dos filmes mais belos dos últimos anos, ou da década que ainda corre. Obra de mestre.

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Os filmes de Apichatpong Weerasethakul

Importante dizer, para começar, que se trata de cinema sensorial. Nem sempre – ou nunca – para ser entendido segundo a busca comum do espectador, sobretudo o ocidental: tentar explicar um filme em todos os seus detalhes, em cada golpe de sua trama. É cinema para sentir, no qual homens, natureza e espírito podem conviver em um mesmo espaço, às vezes de maneira natural.

Figura presente em grandes festivais do mundo, o cineasta tailandês recebe o apelido de Joe, mais fácil de falar. Suas obras questionam, não fazem concessões. Abaixo, as principais realizações de um artista ainda com muito a oferecer.

Eternamente Sua (2002)

Um rapaz com problemas na pele e uma garota cansada de seu trabalho saem em uma viagem ao desconhecido, ao interior da floresta, e passam ali alguns momentos de intimidade. Em paralelo, uma mulher faz sexo com um homem. Deixada na mesma floresta, ela encontra os jovens. O cineasta relata uma história de fuga e transformação.

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Mal dos Trópicos (2004)

Há duas histórias: a primeira sobre a relação entre dois homens, feita com extrema naturalidade; a segunda sobre a imersão de um deles na floresta – tema comum na obra do diretor –, com algumas imagens que retornariam em Tio Boonmee. Para o diretor, o soldado torna-se um animal adestrado. Mais tarde, o homem retorna à selvageria.

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Síndromes e um Século (2006)

Nos filmes de Weerasethakul, é comum a ponte entre hospitais e florestas. A certa altura, como se veria mais tarde em Cemitério do Esplendor, quase não há limite entre os lados. E seus filmes dão vez, mais e mais, às relações entre carne e espírito. Aqui, um dentista acredita que um monge é a reencarnação de seu irmão.

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Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (2010)

Os primeiros minutos dão ideia do que vem pela frente: seres estranhos, de olhos vermelhos, surgem em meio à selva. Não são humanos. À frente, o espectador descobre que são espíritos da floresta nessa obra extraordinária, ganhadora da Palma de Ouro em Cannes, na qual um homem, o tio do título, está à beira da morte, em casa afastada.

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Hotel Mekong (2012)

Um dos trabalhos radicais do cineasta, com a câmera quase sempre imóvel. A aparência às vezes é precária. O filme, um pouco escuro demais. E nem sempre é possível saber – mais que em outros de seus trabalhos – suas intenções. No hotel à beira do rio Mekong, histórias reais mesclam-se à presença de vampiros e espíritos.

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Cemitério do Esplendor (2015)

Luzes neon cercam as camas de um hospital improvisado, ao lado de homens que adormecem, entre vida e morte. Outra obra grandiosa de Weerasethakul, sobre a relação entre homens e espíritos, com ecos de guerras passadas e recentes. São as mulheres, aqui, que cuidam dos homens, que mantêm contato com outro mundo possível.

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Dez grandes filmes feitos com ‘partes chatas’ da vida

Dez grandes filmes feitos com ‘partes chatas’ da vida

É importante explicar o que a lista significa. As tais “partes chatas” estão longe de significar algo maçante, ou o chamado “filme parado”. Elas são o contraponto à narrativa clássica americana, na qual “algo” sempre precisa estar acontecendo, movendo a história.

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O blog já trouxe uma análise sobre a questão (leia aqui). A ideia partiu de Hitchcock, adepto à narrativa clássica, ao cinemão, que teria dito que o cinema é a vida sem suas “partes chatas”. Esta lista comprova a grandeza que essa “chatice” pode conter. E é verdade que existem milhares de filmes que poderiam servir de exemplo. A lista abaixo apenas pinça algumas grandes obras com espaço garantido na história.

Alemanha, Ano Zero, de Roberto Rossellini

A parte final é extraordinária e explora o tempo do menino: ele circula sozinho pela cidade em ruínas, tenta fazer amizade com outros jovens que jogam bola e ouve o som do piano vindo da igreja. Tudo isso antecede a tragédia, enquanto Rossellini faz o espectador sentir o tempo – sem que seja maçante ou sem profundidade.

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O Eclipse, de Michelangelo Antonioni

O tempo, ao fim, será novamente sentido, mas também no início – quando a personagem central, interpretada por Monica Vitti, conversa com o companheiro – e em outros momentos da obra. De novo, o encerramento: há a cerca de madeira, o tambor, as estruturas de metal, a água que escorre – cada parte indispensável dessa cidade vazia.

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Jeanne Dielman, de Chantal Akerman

Sobre nada e ao mesmo tempo sobre tudo. O filme de Akerman é um dos melhores exemplos da exploração do cotidiano, do controle absoluto da narrativa, da personagem que dispensa a narração, a palavra perdida. O drama ainda assim persiste, à vista, à medida que ela passa por diferentes cômodos e recebe alguns homens em casa.

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A Cidade das Tristezas, de Hou Hsiao-hsien

O diretor fez outros grandes filmes sobre a passagem do tempo, em geral sobre a relação de personagens com suas famílias, sobre as transformações, sempre com perdas familiares. Como Poeira no Vento, da mesma época, o cineasta prende-se às vezes às partículas e toma sempre alguma distância para compor um magistral painel de vidas.

a cidade das tristezas

Sátántangó, de Béla Tarr

O filme de Tarr é grande em todos os sentidos. Tem sete horas de duração. Inicia com um plano-sequência que leva alguns minutos, com a câmera perseguindo o gado que se movimenta. Explora-se, sem surpresas, o tempo. Algumas vidas surgem por ali, em ambiente rural, e passagens chegam a gerar mal-estar devido à situação das pessoas.

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Através das Oliveiras, de Abbas Kiarostami

O filme dentro do filme inclui um homem apaixonado. Fora do filme, ele também ama essa mulher, mas só pode se aproximar dela quando a cena tem início, ou mesmo em alguns intervalos. E sempre é ignorado. É talvez o maior Kiarostami, a fechar uma trilogia que inclui Onde Fica a Casa de Meu Amigo? e E A Vida Continua.

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Taurus, de Aleksandr Sokurov

Em sua segunda parte da Tetralogia do Poder, o russo contempla, com calma, a fase final da vida do líder Lenin. Em cena está o homem simples, doente, preso a uma casa de campo, em momentos íntimos. Á frente, ele receberá a visita de Stalin. Nada chegado ao cinema de montagem, Sokurov está mais próximo de Andrei Tarkovski.

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Eternamente Sua, de Apichatpong Weerasethakul

Os créditos de abertura só aparecem mais tarde, com 40 minutos de filme. A essa altura, o casal jovem, ao centro, foge à floresta, talvez em busca de liberdade. Com esse filme reflexivo, de passagens longas, o diretor tailandês inscreve seu nome entre os grandes do cinema atual. Saiu de Cannes com o prêmio da mostra Um Certo Olhar.

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Polícia, Adjetivo, de Corneliu Porumboiu

Fita policial diferente de qualquer outra, sobre um policial em uma investigação. Em seu trabalho diário, fica horas a esperar a saída do investigado, um garoto que estaria envolvido com o tráfico. Trata-se de um dos melhores filmes do novo e surpreendente cinema romeno. O diretor realizou antes a bela comédia A Leste de Bucareste.

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O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho

No Recife, Brasil, diversas personagens encontram-se em um bairro nobre, próximo ao mar. O crítico e diretor Mendonça Filho evoca a relação entre diferentes classes e mostra como a senzala sobreviveu aos tempos de condomínios de luxo. Os conflitos ganham destaque quando alguns homens aparecem no bairro e oferecem segurança aos seus moradores.

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Os 20 melhores filmes dos últimos dez anos

Muita coisa boa saiu nos últimos dez anos, do início de 2003 ao fim de 2012. Muita coisa chegou ao Brasil com atraso – e muita ainda não chegou. A lista abaixo é pessoal, com alguns filmes considerados – pelo autor – completos, capazes de fazer pensar e abrir questionamentos. Filmes que incomodam, seja pela beleza, seja pela crueldade ou ainda assim por permanecer com o público por tanto tempo.

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20) Minha Felicidade, de Sergei Loznitsa

Um caminhoneiro tem a vida transformada nesse road movie espetacular dirigido por Loznitsa, com histórias do passado russo e um encerramento brutal.

marcas da violência

19) Marcas da Violência, de David Cronenberg

Um homem pacato de uma cidade pacata tem a vida virada de cabeça para baixo quando se torna um herói nacional.

um filme falado

18) Um Filme Falado, de Manoel de Oliveira

A viagem de barco entre mãe e filha é um deslocamento histórico, do velho mundo às índias. No meio do caminho, a mãe assiste a um jantar entre diferentes povos.

Tio Boonmee

17) Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas, de Apichatpong Weerasethakul

Um velho homem à beira da morte é visitado por fantasmas nesse filme tailandês fantástico de Weerasethakul, com a sequência de sexo mais delirante do cinema.

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16) Santiago, de João Moreira Salles

O documentarista retoma a história passada de um velho mordomo para falar sobre sua própria vida, sua família, sua velha casa e sobre os grandes filmes na memória.

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15) Mal dos Trópicos, de Apichatpong Weerasethakul

Parte se dá na relação homossexual entre dois rapazes na Tailândia, parte no retorno às origens, na mata, mais uma vez em uma incursão fantástica do cineasta tailandês.

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14) Elefante, de Gus Van Sant

A tragédia de Columbine, naquele dia fatídico, é mostrada como uma viagem, com vidas que se cruzam, com um mal já instaurado por Van Sant.

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13) Onde os Fracos Não Têm Vez, de Ethan e Joel Coen

Fita policial repleta de reviravoltas, na qual nem sempre é possível saber quem é o protagonista – ou mesmo o que ele deseja nessa caçada frenética e até reflexiva.

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12) Luz Silenciosa, de Carlos Reygadas

O diretor mexicano teria se inspirado em Dreyer para esculpir esse belo filme sobre traição e morte em uma sociedade quase impenetrável.

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11) Holly Motors, de Leos Carax

Um dia e várias máscaras: talvez saia daí a ideia do original trabalho de Carax, sobre um homem em uma limousine transformada em camarim. O palco é o mundo.

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10) Caché, de Michael Haneke

Casal não entende as ameaças que recebe, quase sempre, por meio de fitas que terminam na porta de sua casa. Suspense frio, com a marca de Haneke.

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9) Era Uma Vez na Anatólia, de Nuri Bilge Ceylan

Policiais, homens da lei e bandidos estão unidos e à procura, à noite, de um cadáver nas estradas empoeiradas e de pouca luz da Turquia.

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8) A Criança, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

A verdadeira criança do filme não é o bebê, mas o adolescente desajustado, bandidinho, que descobre o mundo adulto à força no grande filme dos Dardenne.

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7) Em Busca da Vida, de Jia Zhang-ke

A geografia física e a humana se cruzam no grande filme chinês, capaz de revelar dois mundos de uma nova potência que emerge entre escombros e caminhadas.

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6) 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, de Cristian Mungiu

O aborto é uma dolorosa saída para Mungiu questionar a prisão da mulher em meio a uma ditadura – nesse caso, a romena, que viria a terminar em 1989.

sangue negro

5) Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson

Fé e família não abalam o produtor de petróleo sem qualquer pingo de humanismo e sensibilidade interpretado por Daniel Day-Lewis.

entre os muros da escola

4) Entre os Muros da Escola, de Laurent Cantet

A escola tem certa clausura nesse filme verdadeiro e um pouco documental de Cantet. E também inclui a revelação da aluna, ao fim, capaz de despedaçar qualquer um.

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3) A Separação, de Asghar Farhadi

Não há gente certa ou errada no drama proposto por Farhadi – ao passo que questiona até mesmo a justiça de seu país, o Irã, supostamente cega ao humanismo.

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2) Poesia, de Chang-dong Lee

Pode um cadáver de uma menina, na abertura, ter algum resquício de poesia? Pode haver ainda beleza nesse mundo marcado por violência e impessoalidade?

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1) A Fita Branca, de Michael Haneke

À beira da Primeira Guerra Mundial, uma sociedade rural convive com diversos crimes sem resposta e expõe o mal que nasce de dentro para fora.