Ang Lee

O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee

A sala na qual entram os dois jovens em busca de emprego, na abertura, é escura, um pouco opressora. Depois dela vem a paisagem, a libertação, mas também o isolamento. Em O Segredo de Brokeback Mountain, Ang Lee lida com essa contradição: os homens só chegam à liberdade quando distantes da civilização, ainda que isolados.

A liberdade vem seguida da proibição. Os homens encaram a paisagem como se pudesse ser alcançada, tocada, enquanto a natureza impõe a busca pelo calor – como animais enlaçados – e o estranho desconhecimento de si mesmo, o sentimento que toma novas proporções. A natureza ainda é desconhecida aos dois homens.

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Ang Lee faz um filme de homens, sensível, que ultrapassa a história da paixão momentânea. Brokeback, no Estado do Wyoming, é o ambiente ao qual os amantes terão de fugir. Espécie de paraíso intocado pela civilização, a mesma que, à imagem da cidade, colocará peso sobre os ombros de Ennis Del Mar (Heath Ledger) e Jack Twist (Jake Gyllenhaal). Ambos são contratados para trabalhar como pastores de ovelha na tal montanha – sozinhos, sob o desafio do isolamento e da natureza.

Enquanto seguem à montanha, Ang Lee apresenta a organização de toda aquela vastidão: as plantas, a água, os picos, as árvores e o homem – desbravador – com seu rebanho perfeitamente distribuído. As ovelhas unidas representam equilíbrio. O homem vive um drama antigo, humano demais: é condenado a desbravar, a romper. E isso chega justamente quando Ennis e Jack descobrem o desconhecido e, até então, proibido: o amor entre dois homens, os desbravadores, os machos de bota e chapéu.

O primeiro contato é carnal, conflituoso. Daquela noite sobra estranhamento. Será levado ao dia todo. Ennis monta o cavalo, corre pela montanha e chega à imagem central de um filme ora ou outra levado à violência: uma ovelha morta, com as tripas e o sangue à mostra. Ang Lee resume o equilíbrio quebrado.

A relação dos amantes, segundo o roteiro de Larry McMurtry e Diana Ossana, nasce sempre do rompimento, da desobediência, contra a ordem, contra a sociedade de fora e, entre a mata, na montanha, como o desejo de instituir outra ordem possível, na qual dois homens poderão viver juntos e talvez felizes.

O Segredo de Brokeback Mountain, entre as décadas de 60 e 80, mostra que a suposta nova ordem ainda era um sonho. Ennis entende, aceita a solidão e, mesmo com os sinais de Jack em seu trailer, ao fim, está preso àquele local frio, à pequena casa como representação da vida em sociedade que tanto lhe impôs obstáculos.

Jack torna-se vítima dos instintos, do desejo de quebrar o equilíbrio da sociedade à qual ora ou outra se vê alienado – seja pela mulher careta com o gosto pela calculadora, seja pelo sogro autoritário, seja pelos pais conservadores.

O peso da sensibilidade de Ang Lee é imenso. O bruto converte-se em leveza, e ainda assim não retira dos homens um certo jeito de ser. Brigam, esbravejam, exteriorizam amostras de truculência no mundo que não os entende. Viver em Brokeback seria um sonho, como a imagem do cartão postal à qual Ennis está condenado a retornar. Imagem que simula a janela, possível liberdade.

Ennis, quando criança, é obrigado a ver um homem morto. O pai segura sua cabeça para que veja. Obrigado a ver, a entender como são as regras nessa civilização estranha. A lembrança é compartilhada com o amante. Mescla infância à morte, estabelece a proibição. O homem morto vivia com outro homem.

A dificuldade de encarar a verdade retornará em momento-chave e já citado, no encontro de Ennis com a ovelha morta. O espectador aproxima-se do animal, de seu interior, da morte, da natureza violada. É difícil encará-la. Anuncia, por isso, o pior.

(Brokeback Mountain, Ang Lee, 2005)

Nota: ★★★★★

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Nem sempre dá para entender as escolhas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o Oscar. Há filmes que ganham estatuetas importantes, mas terminam a noite sem a mais cobiçada: a de melhor filme. E ainda que a Academia costume conceder os prêmios de filme e direção na maior parte das vezes à mesma obra, são vários os casos em que preferiu fatiar. A lista abaixo traz sete obras-primas que ficaram com o prêmio de melhor diretor, o que não significa que sejam superiores aos ganhadores da estatueta principal. Mas vale refletir e comparar.

As Vinhas da Ira, de John Ford

O segundo dos quatro Oscars que Ford recebeu em sua carreira. O diretor ainda é o recordista em número de estatuetas nessa categoria. Conta a história de uma família que viaja em busca de trabalho e uma terra para viver nos Estados Unidos da Grande Depressão. Vencedor de melhor filme na ocasião: Rebecca, a Mulher Inesquecível.

O Tesouro de Sierra Madre, de John Huston

Huston ficou com o prêmio de direção e, pelo mesmo filme, seu pai, Walter, abocanhou o de coadjuvante. Um faroeste belíssimo, em preto e branco, sobre três homens que se embrenham no México em busca de ouro. O que começa com camaradagem dá vez à loucura e mais tarde ao confronto. Vencedor de melhor filme na ocasião: Hamlet.

Um Lugar ao Sol, de George Stevens

A história do jovem pobre com um tio rico e que, da noite para o dia, entre um pouco de amor e outro tanto de oportunismo, vê a possibilidade de ingressar no mundo dos grã-finos. O problema é que ele já engravidou outra mulher. A dificuldade de viver uma vida dupla o leva à tragédia. Vencedor de melhor filme na ocasião: Sinfonia de Paris.

Cabaret, de Bob Fosse

Esse grande musical moderno de Bob Fosse levou oito estatuetas douradas, entre elas a de diretor, atriz (Liza Minnelli) e ator coadjuvante (Joel Grey), mas não a de melhor filme. Na Alemanha à beira do nazismo, o cabaré é a fuga ao show e a um pouco de libertinagem. Vencedor de melhor filme na ocasião: O Poderoso Chefão.

Reds, de Warren Beatty

O diretor, também ator famoso, levou anos para colocar a história do jornalista John Reed na película. O resultado é uma obra monumental cuja estrutura narrativa traz declarações de pessoas que conviveram com as figuras reais retratadas, mesclando documentário e ficção. Vencedor de melhor filme na ocasião: Carruagens de Fogo.

O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee

A história de amor entre dois rapazes (Jake Gyllenhaal e Heath Ledger) que dividem algum tempo pastoreando ovelhas em uma montanha. Do encontro nasce uma relação inesperada que atravessa décadas e, devido ao preconceito, não aparece aos olhos de todos. Comovente e delicado. Vencedor de melhor filme na ocasião: Crash – No Limite.

Gravidade, de Alfonso Cuarón

Uma cientista está presa ao espaço em que nada tem fim, em que tudo parece aberto e, ao mesmo tempo, onde se vive em clausura. A vida no espaço é impossível. Cuarón investe em planos-sequência extraordinários e coloca o público no interior dessa luta pela sobrevivência. Vencedor de melhor filme na ocasião: 12 Anos de Escravidão.

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A Longa Caminhada de Billy Lynn, de Ang Lee

Mais que drama feito às lágrimas, Ang Lee prefere pequenos gestos sensíveis. Retira de muitas cenas o efeito esperado, fraqueza ou força, covardia ou heroísmo de alguém retraído como Billy Lynn (Joe Alwyn). Sobra mesmo a sensibilidade do soldado, ao qual outro, vivido por um inesperado Vin Diesel, conhecido brucutu, diz que ama.

Diz também para outros soldados, em momento-chave, na experiência em campo contra os inimigos, quando estão prestes a guerrear. Poderia, fosse outro filme, soar pesado, ou deslocado; com Ang Lee, em A Longa Caminhada de Billy Lynn, beira a perfeição. Esses homens confessam não o típico amor, mas o pedido para que vivam para os outros.

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É um ritual, ponto em que precisam confessar, mesmo que isso signifique corar o rosto rosado de Billy ou de qualquer outro adolescente que sabe algo sobre sexo, pouco ou nada sobre amor. Espaço último para se pensar em tal gesto, o do astro de Velozes e Furiosos, para somar outro tijolo à arquitetura de Lee em sua passagem pela história de Billy.

São três caminhos nessa narrativa costurada entre passado e presente: os momentos da guerra no Oriente Médio, os dias em família e as horas como estrela ao lado de um grupo famoso, em um estádio, para vender – servir, sobretudo – o produto americano. De garoto perdido, sem entender o que o cerca nos três casos, Billy converte-se em desejada marca.

A história americana está cheia dessas representações que, em determinados casos, nos momentos certos, podem valer mais que uma bandeira ou um hino: a imagem que reproduz o heroísmo – àqueles que assistem, distantes, do conforto de suas casas. “No lugar certo, na hora certa”, Billy foi captado pela imagem: ao ângulo, oferece o herói.

O rapaz por trás do vídeo seco, a certa distância, começa a ser descortinado: do atraso para se juntar aos colegas de farda, no início, à dificuldade para se comunicar com uma bela líder de torcida que primeiro pisca para ele, depois corre ao seu encontro, em esconderijo improvisado, para lhe roubar alguns beijos. A vergonha deixa ver a sensibilidade.

Quando se pensa em pessoas convertidas em marcas, ao modo do Tio Sam em seu “I want you”, difícil não pensar na história por trás da imagem dos homens que fincaram a bandeira americana em Iwo Jima, clicada por Joe Rosenthal. Virou filme, em 2006, pelas mãos de Clint Eastwood. Na tela, homens servem igualmente de marionetes à propaganda, à arrecadação de dinheiro, à roda do espetáculo.

Para Billy, tudo parece novo. A poucos metros, vê um universo de consumo e tradição traduzido em toneladas de comida, em pessoas que pagam para ver o espetáculo do futebol americano, em líderes de torcida que se chacoalham para empolgar, em uma limousine futurista que leva os soldados ao estádio no dia em que se convertem em estrelas. Em Guerra ao Terror, Kathryn Bigelow precisou apenas de uma sequência para resumir tudo isso: o soldado em frente a uma gôndola forrada de cereais, em um supermercado.

O espetáculo e sua suposta felicidade não encontram espaço no olhar de Billy. Contrapõem sua longa caminhada pela guerra, à mercê da incerteza de qualquer ataque, de qualquer olhar cruzado de pessoas desconhecidas, até aquele palco feito de luzes e festa. Sua forma não esconde, seu recuo (ou medo) não promete um produto embalado para filmes sobre heróis: ele não tem qualquer inclinação ao modelo esperado pelos patrocinadores do show ou pelos homens que ainda tentam transformar sua caminhada em filme.

À sua maneira, Lee faz um filme por trás de outro, daquele que louvaria o patriotismo, a história dos texanos no Iraque que revive o Álamo do imaginário comum: a caminhada real de um e outros rapazes nada chegados à interpretação, àquele papel de bravura, envelopados pelo telão cristalino, pela música explosiva, pela torcida, pelo piscar de olhos irresistível de alguma dama do Texas. Imagens americanas que, no Billy de olhos tristes, rebaixados, causam susto ou repulsa tamanha a agressividade.

O patriotismo é agressivo: parte de um e termina no colo de todos. Resume-se na fala do repulsivo empresário Norm (Steve Martin): após o gesto de bravura de Billy, a companhia dos soldados, segundo ele, deixa de pertencer apenas ao protagonista e aos colegas fardados. É agora de todos. Norm, contudo, não colocará o mesmo patriotismo à frente do dinheiro. Nem o espetáculo. Lee chega então àquilo que move o país em questão.

(Billy Lynn’s Long Halftime Walk, Ang Lee, 2016)

Nota: ★★★★☆

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Dez grandes filmes (há dez anos)

Alguns grandes filmes chegavam às telas do Brasil e do mundo há aproximadamente 10 anos. Inegável que 2007 foi um ano desigual ao cinema moderno, levando em conta o número de trabalhos memoráveis. Os dez preferidos do blog seguem abaixo, em ranking, para recordar a frase que virou clichê: “parece que foi ontem”. À lista.

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10) Sol Secreto, de Lee Chang-dong

Após perder o filho pequeno, mulher descobre a bondade da religião, mas confronta Deus ao perceber que o criminoso recebeu a absolvição divina. O diretor coreano é um dos mais talentosos de sua geração e, sem concessões, revela nos filmes o cotidiano de pessoas que tentam encontrar alguma fuga e invariavelmente fracassam.

9) Desejo e Perigo, de Ang Lee

As cenas de sexo são impactantes, ainda que o filme ultrapasse o limite do prazer. As personagens sentem algo a mais. E o fundo político ajuda no resultado, quando a China via-se sob dominação japonesa. Na trama, uma jovem revolucionária (Wei Tang) infiltra-se no universo de prazeres do “inimigo”, um político poderoso.

8) Zodíaco, de David Fincher

Quem esperar por respostas e pela revelação do assassino pode se frustar. O resultado é o melhor filme do cineasta, com condução segura, elenco afiado e ótima reprodução de época. Aborda a paranoia, a dificuldade de um cartunista (Jake Gyllenhaal) em se afastar da teia de assassinatos ligada ao tal Zodíaco.

7) O Escafandro e a Borboleta, de Julian Schnabel

Preso ao próprio corpo, Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric) revisita sua vida, a de um homem mulherengo tomado pelo desejo de liberdade, até o dia que se vê imóvel. Sua forma de comunicação resume-se a uma pálpebra, forma que encontra para dizer o que sente, para escapar daquele escafandro ao qual foi confinado.

6) Santiago, de João Moreira Salles

A história do mordomo Santiago, que trabalhou por 30 anos para a família do cineasta e que, na grande casa em que viveram, viu desfilar figuras importantes da história. Também o retorno, pelos olhos do mesmo, ao cinema, de Fred Astaire a Yasujiro Ozu. Obra de redescoberta, verdadeiro tesouro que quase se perdeu.

5) Luz Silenciosa, de Carlos Reygadas

A abertura, com sua calmaria rumo à luz, explica um pouco do que vem pela frente. Em cena está um homem da comunidade menonita mexicana. Vive isolada com a família, com pouco contato com o mundo externo, a recusar o progresso. Tudo muda quando ele envolve-se com outra mulher. Belo filme com ecos de Dreyer.

4) Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho

O diretor brasileiro leva diferentes atrizes e mulheres à frente da câmera para uma entrevista, enquanto deixa ver o difícil ato de ouvir, de dialogar. Não se trata, é verdade, de uma verdadeira entrevista, e nem tudo é real como se imagina. A certa altura, mulheres podem ser atrizes, atrizes podem estar falando de si mesmas.

3) Onde os Fracos Não Têm Vez, de Joel e Ethan Coen

Longe do filme policial esperado, ou do faroeste de fronteira regado a combates entre mocinhos e bandidos, índios e brancos. O caminho é imprevisível, sobretudo, a partir da metade: alguns homens correm atrás de uma mala cheia de dinheiro enquanto um xerife, perto de se aposentar, lamenta a mudança dos tempos.

2) 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, de Cristian Mungiu

A contagem regressiva do título traduz a corrida contra o tempo de duas moças na Romênia ainda à sombra de Nicolae Ceaușescu e da Cortina de Ferro. Uma delas recorre ao aborto clandestino, a outra decide ajudar a amiga. O cinema romeno chega à sua consagração, com a Palma de Ouro em Cannes, com esse drama feminino e poderoso.

1) Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson

O título nacional refere-se ao petróleo. O original é também instigante: Haverá Sangue. Em cena, a cobiça de um homem, o vilão interpretado por Daniel Day-Lewis, a quem nada é mais importante que o poder, nem mesmo o filho pequeno. Com fotografia em tons escuros, o americano Paul Thomas Anderson realiza seu melhor trabalho.

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Bob, Carol, Ted e Alice, de Paul Mazursky

A dificuldade em lidar com as mudanças – ou simplesmente experimentar – promove algumas voltas por grupos, quartos, festas, psicólogos e, ao fim, pela cama à qual vão as quatro personagens de Bob, Carol, Ted e Alice, de Paul Mazursky

O filme teve certa relevância no fim dos anos 1960. Era um momento de troca, de liberdade: uma satisfação encontrada em simplesmente trair sem culpa, às claras, quando o que estava em jogo era o prazer sexual. Isso explica porque as personagens, ora ou outra, dizem “eu te amo” – sobretudo uma mulher à outra – ao longo da história.

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Tudo tem início quando Bob (Robert Culp) e Carol (Natalie Wood) passam um tempo com um grupo de pessoas no alto de uma montanha. Libertinas e curiosas, elas desejam descobrir a si mesmas. Amar é uma regra, observar o outro também.

O resultado é a mudança, aparentemente para melhor. Depois de traições reveladas entre si, o casal Bob e Carol passa a relatá-las aos amigos Ted (Elliott Gould) e Alice (Dyan Cannon), mais interessantes, engraçados e desajeitados. A liberdade confronta-os.

Há equilíbrio entre esses casais. Enquanto o primeiro representa o passo à frente, o segundo mostra culpa e medo de experimentar. E mesmo quando o segundo adere ao prazer, deixando a culpa de lado, a entrega mais parece brincadeira, pura diversão. Prevalece um mundo colorido, um cinema que não chega a ser ousado.

A canção, ao fim, não deixa mentir: o mundo precisa de amor. Prevalece a amizade. Não há mentiras. Em cena, um estilo de vida que se aproxima do modismo: fazer o que os outros fazem, o que está na crista da onda, porque talvez isso gere felicidade, uma busca constante. Um filme que reproduz a ideia e os desejos de uma época.

Sobram amostras de uma vida sofisticada, de modernidade. Bob e Carol vivem felizes em uma grande casa, com um belo filho, com uma piscina admirável na qual, nos fins de semana, banham-se outros casais. Têm tudo o que os outros têm e um pouco mais.

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Ele é cineasta e faz viagens a trabalho. Em uma delas, tem um caso rápido com uma loura bela e atraente; em outra, volta para casa e é avisado por Carol que há um segundo homem em sua cama, o professor de tênis da mulher (Horst Ebersberg).

À beira da piscina está a beleza incomum de Wood, perfeitinha demais, alguém difícil de imaginar entregue à sacanagem, ou à orgia final. Ainda com rosto de anjo, menina dos filmes clássicos anteriores, da dama que canta ao amado em Amor, Sublime Amor.

A moda do liberalismo seria abordada, depois, em Tempestade de Gelo, mas com o amargor do dia seguinte. Entre sequências que valem a lembrança está a da troca das chaves, quando os casais mudam de parceiros partindo de um jogo. O que certamente seria estranho aos casais de Bob, Carol, Ted e Alice, donos de um espaço a ser respeitado, um tempo para se permitir o avanço. Um mero diálogo.

Em uma sequência-chave, Ted vai a uma lanchonete e pede um copo d’água pelo interfone. O atendente começa a oferecer outros produtos, não entende que o cliente quer apenas o básico: um copo de água. A cena diz muito sobre a sociedade retratada. Pode se ter tudo, e tudo parece ao alcance de todos. Mas eles queriam o básico: viver com prazer.

(Bob & Carol & Ted & Alice, Paul Mazursky, 1969)

Nota: ★★★☆☆

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