Andrey Zvyagintsev

Os 20 melhores filmes de 2018

O ano termina com um saldo bom: se até a metade 2018 parecia pouco promissor, os seis meses seguintes trouxeram filmes interessantes, alguns na Netflix, como A Balada de Buster Scruggs, Lazzaro Felice, Roma e o ressuscitado O Outro Lado do Vento, do mestre Orson Welles.

Filmes variados, de países e autores diversos, ganham espaço na lista abaixo: três brasileiros (além de duas coproduções), dois coreanos e, entre outros, uma beleza vinda de Portugal. Dos 20, quatro possuem mulheres na direção ou codireção. E, a exemplo de outras listas, não é possível abarcar tudo. Ausências são sentidas, como o já citado filme dos Coen, ou os ótimos Projeto Flórida e Uma Noite de 12 anos.

20) Hannah, de Andrea Pallaoro

Charlotte Rampling envelheceu bem. Nesse filme denso, ela é uma mulher que perde o chão sem explodir, pelos caminhos de uma cidade que nunca a acolhe, que tenta se aproximar do filho que não a quer.

19) As Boas Maneiras, de Marco Dutra e Juliana Rojas

Filme brasileiro com toques fantásticos que esbarra no social, sobre uma empregada que fica com o filho lobisomem da patroa e, passados os anos, aprende a amar o menino que precisa de carne vermelha.

18) Três Anúncios Para um Crime, de Martin McDonagh

Não é sobre uma mãe atrás do assassino da filha, nem sobre um protesto. É sobre uma pequena cidade americana ocupada por seres tortos, microcosmo de certa América ressentida, cheia de cicatrizes.

17) Arábia, de Affonso Uchoa e João Dumans

Esse belo filme brasileiro mergulha na vida de um trabalhador marginalizado – como tantos outros – que pega a estrada para viver. Peão, aparentemente pequeno, descobre-se pelas palavras que narra.

16) Lazzaro Felice, de Alice Rohrwacher

A personagem-título é explorada sem saber, sofre um acidente e, em salto no tempo, vê-se no mundo urbano. Em tom de fábula, sem perder o realismo, a talentosa Rohrwacher outra vez se volta à Itália rural.

15) Western, de Valeska Grisebach

Em local isolado, homem trava embates com colegas de trabalho ao mesmo tempo em que se relaciona com a população de uma pequena cidade. Uma obra em que a secura converte-se em sensibilidade.

14) Amante por um Dia, de Philippe Garrel

Cineasta de amores inconstantes, das relações em crise, Garrel é um dos filhos – um dos últimos – da nouvelle vague. Em cena, uma garota termina o namoro e descobre que o pai tem uma amante mais jovem.

13) O Dia Depois, de Hong Sang-soo

O diretor tem traço próprio e a cada filme repete um pouco do anterior – sem que isso soe um demérito. Pelo contrário. Em preto e branco, aborda os problemas de uma garota em seu primeiro dia de trabalho.

12) A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho

Com três horas de duração, o filme registra ora com realismo, ora com certas liberdades (como o número musical), a vida dura de operários portugueses que assumem o controle de uma fábrica falida.

11) Custódia, de Xavier Legrand

O garoto não quer ver o pai. Por ordem judicial, será obrigado a passar alguns dias com ele. Os problemas aumentam quando o homem tenta se reaproximar da família, em conflitos que beiram o insuportável.

10) Em Chamas, de Lee Chang-dong

Elogiado pela crítica desde a estreia em Cannes, o novo filme do diretor coreano narra a relação de um jovem com uma amiga – e amante – do passado, além dos encontros com um rapaz rico com quem ela envolve-se.

9) Zama, de Lucrecia Martel

Martel tornou-se um nome respeitado no cinema mundial após o maravilhoso O Pântano. Com Zama, sobre os dias de espera e dor da personagem-título, na América Latina, faz seu filme mais arriscado.

8) Benzinho, de Gustavo Pizzi

O melhor filme brasileiro de 2018 leva às relações conflituosas de uma família, tratadas de maneira sempre delicada pelo diretor. Ao centro, a mãe sofre ao perceber que o filho está cada vez mais fora de casa.

7) Trama Fantasma, de Paul Thomas Anderson

A relação de amor e obsessão entre um estilista e sua nova companheira, mulher, amante, ajudante e musa. O diretor de Sangue Negro volta a unir forças com o astro Daniel Day-Lewis nessa obra poderosa.

6) The Square: A Arte da Discórdia, de Ruben Östlund

Östlund é o realizador do ótimo Força Maior. Com The Square, apresenta as relações de pessoas que orbitam galerias de arte, a partir da história de um curador que enfrenta vários problemas após ter a carteira furtada.

5) O Outro Lado do Vento, de Orson Welles

A ressurreição do filme de Welles foi o acontecimento cinematográfico do ano. Em cena, um cineasta experiente (John Huston) recebe convidados para seu aniversário e mostra a todos seu novo trabalho.

4) Me Chame pelo Seu Nome, de Luca Guadagnino

Vai além da história de amor. É sobre a descoberta da sexualidade, do garoto perdido, atingido como que por um raio ao conhecer o belo aluno de seu pai, louro alto e experiente que passa uma temporada com ele.

3) 120 Batimentos por Minuto, de Robin Campillo

Retrato poderoso do grupo Act Up, nos anos 90, na França, em luta contra a epidemia de Aids que atingia a sociedade, em investidas para conscientizar as pessoas – entre atos de violência e gestos de amor.

2) Sem Amor, de Andrey Zvyagintsev

Um filme sobre a ausência. Do amor, da família, da empatia. O estopim é o desaparecimento de um garoto. Perto do fim, quando sua mãe cai em lágrimas, o espectador percebe a tamanha complexidade do drama.

1) Roma, de Alfonso Cuarón

A história de uma empregada mexicana, nos anos 70, na Cidade do México, permitiu que Cuarón retornasse ao próprio passado em um filme tocante. Da fotografia ao elenco, tudo funciona nessa obra magistral.

Dez menções honrosas: Projeto Flórida, de Sean Baker; Você Nunca Esteve Realmente Aqui, de Lynne Ramsay; Uma Noite de 12 anos, de Álvaro Brechner; A Forma da Água, de Guillermo del Toro; A Balada de Buster Scruggs, de Ethan e Joel Coen; 1945, de Ferenc Török; A Câmera de Claire, de Hong Sang-soo; The Post: A Guerra Secreta, de Steven Spielberg; O Amante Duplo, de François Ozon; e Utøya 22 de Julho: Terrorismo na Noruega, de Erik Poppe

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Sem Amor, de Andrey Zvyagintsev

O espectador procura por algo: uma pista, um fragmento, a vida que não aparece. Resta a aparência do vazio, à medida que as pessoas em cena continuam à busca do menino desaparecido, então indesejado. Para algumas, isso é parte de uma missão; para outras, talvez seja apenas uma forma de viver um papel, o de pai e mãe.

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Revelar o encerramento não quer dizer muita coisa quando se trata do grande filme de Andrey Zvyagintsev: não demora para o espectador perceber que o garoto não será encontrado. Não é sobre um mistério externo, a ser resolvido, um sequestro ou um assassinato. Sem Amor retém-se aos que ficaram, o pai e a mãe.

O drama frio reflete uma sociedade indiferente. Prevalece o desamor. O casal ao centro desfaz-se e, desde o início, possui outros parceiros. O pai e a mãe juram amor aos novos companheiros, dormem em suas casas, assumem outras vidas.

Sobra o menino de olhar triste. À beira do lago, no início, ele lança uma fita sobre o galho da árvore. Poderia ser um momento banal, mera contemplação. Mas Zvyagintsev retornará ao mesmo ponto, ao fim, e dessa vez sem o desaparecido: leva ao espaço da ausência, dividindo com o espectador apenas o que este foi convidado a ver.

A ausência, em Sem Amor, evita a narrativa fácil e preguiçosa, nunca o oposto: seu cineasta poderia mostrar o local em que o menino passou a viver, seu destino ou, fosse o caso, não se sabe, seu cadáver.. Seria mais fácil, dando ao público respostas desejadas, a estrutura ao drama considerado correto, em uma “história correta”.

Não é isso. O pai e a mãe do garoto vagarão em sua busca para evitar a confirmação do que expressaram ainda no início, no primeiro encontro em cena: nenhum dos dois tinha interesse de ficar com o filho após o divórcio. Esqueceram de combinar algo com a criança, vista às lágrimas atrás da porta do banheiro.

De novo, Zvyagintsev divide o momento apenas com o público. Os pais, o grupo de buscas, a polícia e toda a sociedade não sabem o que ocorreu no interior daqueles cômodos. O espectador sabe um pouco mais, não tudo. Ao ser privado da presença do garoto, é obrigado a seguir os que ficaram, a perceber a que ponto se move a crítica: em cena, uma sociedade que perdeu sua capacidade de amar.

O menino cumpre o desejo dos pais. Ninguém poderia crer – nem a polícia, nem o grupo de buscas – na letalidade da falta de amor. Preferem pensar em sequestro, assassinato, morte pelo frio, qualquer coisa que não mire o interior do apartamento à venda, da família desfeita.

Não é sobre procura, mas sobre lidar com a ausência. O filme atiça o olhar, oferece a falta como preenchimento, o fora de quadro – ou do universo – como mistério absoluto, o que eleva esse cinema feito de detalhes, de pequenos movimentos, para além do drama convencional, calcado na entrega. Não se sai de mãos vazias.

Leva àquele movimento arriscado, de décadas anteriores, promovido por Michelangelo Antonioni em seu A Aventura (guardadas as diferenças, é claro): a ausência da pessoa não é o que mais importa ao casal que a procura, mas a ausência do amor, a vida embalada pelo falso sentimento passageiro que pouco a pouco detona as personagens.

Ao casal de Sem Amor, como ao de Antonioni, é prudente evitar o julgamento apressado. Quando desaba em lágrimas, em momento forte passado em um necrotério, percebe-se ali um humanismo estranho, e não se sabe exatamente por que se inclina ao choro. O cineasta russo não dá respostas. Abre lacunas, perguntas. Filma a ausência.

(Nelyubov, Andrey Zvyagintsev, 2017)

Nota: ★★★★★

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13 grandes filmes sobre personagens em viagens existenciais

O caminho de diferentes personagens não se limita ao simples deslocamento. Como se vê nos filmes da lista abaixo, são viagens de significados profundos. De descobrimento. A estrada pode assumir sua forma conhecida, de terra ou asfalto, ou mesmo a inimaginável, quando o homem sai em busca de outros planetas e dimensões. A lista traz obras de diferentes diretores, de Ingmar Bergman a Andrey Zvyagintsev.

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Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman

Um velho professor viaja para receber uma homenagem. É o que lhe resta para coroar a vida, enquanto, na mesma viagem, assiste ao passado, às lembranças, tomado de assalto. A aparente vida pacata toma outro rumo. Ao mesmo tempo, tem de conviver com jovens que cruzam seu caminho na bela obra de Bergman, autor de mais filmes sobre viagens existenciais, como Monika e o Desejo e O Sétimo Selo. O protagonista é interpretado pelo cineasta Victor Sjöström.

morangos silvestres

Édipo Rei, de Pier Paolo Pasolini

Nem sempre fica entre os mais lembrados do controvertido italiano. É parte daquela galeria mítica do cineasta, à qual se lança para explorar diferentes autores. Com Édipo, tem-se o homem luta contra o próprio destino. Ao longo de sua jornada, matará o pai e se casará com a mãe. Pasolini também investiu tempo e esforços em outras histórias sobre viagens existenciais, como em Gaviões e Passarinhos, e sua própria jornada tornar-se-ia, depois, outra jornada existencial pelas mãos de Abel Ferrara.

édipo rei

2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick

Na aurora do homem, o macaco lança o osso ao alto e, milênios à frente, este dá vez à nave espacial. O salto de séculos, diz Kubrick, é a maior jornada possível: é a consagração máxima da elipse no cinema, o poder do corte, a amostra de que a máxima tecnologia é fruto da violência. Depois, no futuro, o homem toma outra jornada. Lutará contra sua própria máquina – sem aparência nítida, com voz humana – enquanto assiste ao nascimento de outro mundo. Possivelmente o melhor filme do diretor.

2001 uma odisseia no espaço

Cada um Vive Como Quer, de Bob Rafelson

À medida que tenta se incluir, a personagem de Jack Nicholson termina sempre em explosão. E a certa altura fica clara sua renúncia: simplesmente deixa tudo, o mundo para trás, e embarca para lugar algum. Robert Eroica Dupea não quer mais jogar o jogo. Quer encontrar uma saída, um caminho, talvez um amor no meio de toda sua baderna interna e externa. Nicholson chega ao âmago de uma geração com sua personagem niilista.

cada um vive como quer

A Longa Caminhada, de Nicolas Roeg

O ponto de partida dessa viagem é o conflito entre a civilização e o mundo selvagem. Após o suicídio do pai, dois irmãos ficam perdidos no deserto australiano e, com a ajuda de um jovem aborígene, tentam encontrar o caminho para casa. O mesmo caminho levará a diferentes descobertas. O diretor Nicolas Roeg vinha de outra “viagem” ousada em Performance, e ainda faria outra, logo depois, com o magistral Um Inverno de Sangue em Veneza.

a longa caminhada

Profissão: Repórter, de Michelangelo Antonioni

O jornalista, ao ter de capturar a vida alheia, talvez nunca esteja totalmente inserido em um meio. A personagem central do filme de Antonioni é interpretada por Nicholson, em outro momento sublime, como o jornalista que muda de vida ao trocar de identidade com um homem morto. A mudança ocorre em um hotel distante, na África, continente ao qual é enviado para sua nova reportagem. O protagonista, Locke, passa a se chamar Robertson e busca assim outro caminho para sua existência.

profissão repórter

Stalker, de Andrei Tarkovski

Outro cineasta que se dedicou a diferentes “viagens existenciais”, com suas personagens percorrendo caminhos físicos e íntimos ao mesmo tempo. Vale lembrar outros de seus filmes – ou de quase todos – que cabem no tema: A Infância de Ivan, Andrei Rublev, Solaris, O Espelho e Nostalgia. Mas Stalker talvez simbolize melhor a busca pelo desconhecido, em um clima selvagem e ao mesmo tempo futurista, quando alguns homens – os stalkers – tentam alcançar um lugar mítico chamado Zona.

stalker

Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola

A ideia de levar No Coração das Trevas às telas é antiga. Foi levada em conta por Orson Welles, que sequer conseguiu finalizar outra importante jornada da sétima arte, seu É Tudo Verdade. Na versão de Coppola, gestada por anos, encontram-se a composição perfeita, as personagens imperfeitas, o provável discípulo em busca do mestre – talvez para matá-lo e tomar seu posto. Martin Sheen é tão sombrio quanto Brando. Outra figura repulsiva é o Kilgore de Robert Duvall, capaz de destruir uma aldeia para poder surfar.

apocalypse now

Sem Teto, Nem Lei, de Agnès Varda

Os filmes anteriores de Varda são carregados de dor. É o caso de La Pointe-Courte, que antecipa a nouvelle vague, e o incrível As Duas Faces da Felicidade. Nos anos 80, com Sem Teto, Nem Lei, ela mergulha na jornada de uma jovem pela estrada. Chama-se Mona Bergeron (Sandrine Bonnaire), cuja imagem não é suavizada. A partir de histórias de pessoas que cruzaram com ela, essa viagem não a revela por completo, o que fica evidente desde o início.

sem teto nem lei

Paisagem na Neblina, de Theodoros Angelopoulos

Com crianças à frente, o filme de Angelopoulos ganha uma forma especial: cada pequeno trecho percorrido tem sentido de descobrimento maior. Quando se chega ao plano final, com a paisagem sob a neblina, percebe-se que nem tudo pode ser visto. Nessa jornada de descobrimento, as crianças desejam encontrar o pai que nunca conheceram, em viagem da Grécia para a Alemanha, ao passo que são obrigadas a amadurecer.

paisagem na neblina

Naked, de Mike Leigh

O melhor filme de Leigh acompanha o deslocado Johnny (David Thewlis), que furta um carro e foge após violentar uma mulher – nos primeiros e conturbados instantes da obra. Contra todos, a arma do protagonista é a palavra: fala sem parar, como uma metralhadora, e chega a enlouquecer lançado ao chão. Ao procurar uma velha amiga, esse anti-herói termina perdido pelas ruas de Londres e se encontra, ao acaso, com os mais diferentes tipos. Filmaço.

naked

Gosto de Cereja, de Abbas Kiarostami

Viagens e janelas são constantes nos filmes de Kiarostami. Em um de seus últimos trabalhos, Um Alguém Apaixonado, as personagens andam muito de carro e falam através das janelas. A obra, por sinal, termina com o rompimento de uma. Em Gosto de Cereja, feito antes, tem-se um homem a bordo de seu carro, que pede aos outros que lhe façam companhia no momento da própria morte. Ele desistiu de viver e precisa que alguém o enterre.

gosto de cereja

O Retorno, de Andrey Zvyagintsev

Antes do sucesso de Leviatã, o diretor russo realizou esse filme forte, ganhador do Leão de Ouro no Festival de Veneza. Em cena, a trajetória de dois irmãos com o pai desconhecido. Até então, o único contato com o homem havia se dado por uma foto. Nessa viagem, eles descobrirão outra face do lado paterno, em diversos conflitos. A fotografia gélida ajuda a dar o tom. Zvyagintsev dirigiria depois o poderoso Elena, sobre uma mulher que luta para ter a herança do companheiro.

o retorno

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Os 20 melhores filmes de 2015

Em um ano com tanto a esquecer, o cinema merece ser lembrado. São grandes não apenas os filmes da lista abaixo, mas também os ausentes. Muita coisa boa ficou de fora, obras marcantes como La Sapienza, Mia Madre, Mapas para as Estrelas, Casadentro e o recente e divertido Star Wars: O Despertar da Força. Que venha 2016!

20) Phoenix, de Christian Petzold

Sobrevivente do Holocausto muda de face e aceita interpretar um papel para se aproximar do marido traidor. Outra bela parceria entre Petzold e a atriz Nina Hoss.

phoenix

19) Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan

Após o extraordinário Era Uma Vez na Anatólia, Ceylan entrega mais um grande filme, com longos diálogos, drama que envolve família, cobiça e delinquência juvenil.

winter sleep

18) Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller

Espetáculo embalado a muita gasolina e tipos estranhos: o herói que passa boa parte do filme preso, a heroína de braço mecânico e os rapazes brancos e suicidas, entre outros.

mad max

17) Adeus à Linguagem, de Jean-Luc Godard

O senhor Godard mais uma vez leva ao radicalismo e segue fiel à experimentação: ao dar adeus à linguagem cinematográfica convencional, não deixa ninguém indiferente.

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16) Timbuktu, de Abderrahmane Sissako

Filme urgente em tempos de extremismo, passado em uma pequena cidade aterrorizada por tipos armados, cujo sentido da imagem inicial retorna ao fim: a caça ao inocente.

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15) Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), de Alejandro González Iñárritu

O jogo teatral é utilizado para questionar o cinema, a fragilidade do sucesso, a busca – tão atual em tempos de internet – pelo segundo seguinte, sob a ótica do estranho protagonista.

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14) Casa Grande, de Fellipe Barbosa

A exemplo de Que Horas Ela Volta?, mas não com a mesma exposição, mostra a relação entre patrões e criados, entre o pai que perde dinheiro e o filho transformado.

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13) De Cabeça Erguida, de Emmanuelle Bercot

O garoto, vivido por Rod Paradot, não é fácil de engolir: revoltado com frequência, confrontador, que descobre a vida adulta aos trancos, com muitas quedas.

de cabeça erguida

12) O Julgamento de Viviane Amsalem, de Ronit Elkabetz e Shlomi Elkabetz

A peregrinação de Viviane, que tenta o divórcio por anos e termina julgada pelos homens que a cercam, incluindo juízes retrógrados e o marido inflexível.

o julgamento de viviane amsalem1

11) A Gangue, de Miroslav Slaboshpitsky

Os jovens deficientes auditivos formam uma gangue implacável: assaltam, torturam, aliciam meninas e tentam conviver entre si, em uma instituição de paredes frias.

a gangue

10) Força Maior, de Ruben Östlund

A imagem da bela família desmorona. Os problemas começam com a fuga do pai, que não fica para ajudar a mulher e os filhos na ocasião de uma avalanche.

força maior

9) Chatô, O Rei do Brasil, de Guilherme Fontes

Retrato do próprio Brasil, cheio de exageros, no qual o protagonista, Assis Chateaubriand, diverte-se ao mesmo tempo em que acumula poder e muda a história.

chatô

8) O Pequeno Quinquin, de Bruno Dumont

É difícil descrever o filme de Dumont, sua primeira comédia. Inclui meninos à beira mar, um cadáver escondido no interior de uma vaca e policiais desastrados.

o pequeno quinquin

7) Dívida de Honra, de Tommy Lee Jones

Faroeste classe A que revisa o gênero, sobre uma diligência formada por uma solteirona, um beberrão e três mulheres enlouquecidas. Obra de mestre.

dívida de honra

6) Dois Dias, Uma Noite, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

A odisseia de uma mulher em busca de seu emprego, em contato com outros funcionários do trabalho, em um retrato do capitalismo no mundo atual.

dois dias uma noite1

5) O Segredo das Águas, de Naomi Kawase

Garota descobre o amor ao mesmo tempo em que assiste aos últimos dias da vida da mãe. Em paralelo, um crime é investigado na cidade à beira mar em que vivem.

o segredo das águas

4) Leviatã, de Andrey Zvyagintsev

O drama familiar mistura-se à corrupção política no incrível filme de Zvyagintsev, autor dos também ótimos O Retorno e Elena. Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro.

leviatã

3) As Mil e Uma Noites: Volume 1, O Inquieto, de Miguel Gomes

A primeira parte da fantástica trilogia do português Gomes retrata a crise em seu país e na Europa a partir das histórias ficcionais de Xerazade.

as mil e uma noites

2) As Maravilhas, de Alice Rohrwacher

Entre o velho mundo e a modernidade, menina sonha em levar sua família a um programa de televisão. Ao mesmo tempo, tem de lidar com as irmãs e o pai bruto.

as maravilhas

1) Norte, o Fim da História, de Lav Diaz

A situação de Raskólnikov, o protagonista de Crime e Castigo, é o ponto de partida para esse filme filipino de quatro horas de duração. Não houve obra mais bela lançada nos cinemas brasileiros em 2015. É feita de longos planos-sequência, com diálogos que aos poucos revelam a profundidade das personagens, tomadas pela ideia de um universo supostamente sem sentido ou pela necessidade de simplesmente seguir em frente.

norte o fim da história

PS: Todos os filmes da lista foram lançados no Brasil em 2015.

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