André Téchiné

Lady Macbeth, de William Oldroyd

É difícil deixar o rosto de Florence Pugh. Até certa altura de Lady Macbeth, o espectador quer acreditar que suas intenções esbarram na vingança pessoal, no ódio aos homens, ao sistema patriarcal ao qual se vê presa – e do qual é vítima. Depois, o espectador percebe que o desejo de liberdade confunde-se com o desejo de poder.

Pois a bela e corpulenta Katherine usará sua indiferença, antes, para confrontar o marido, os outros, ou mesmo os criados que a cercam: dormirá por longas horas, dias e noites, à espera do homem, ou apenas para se postar – “de frente para a parede”, como manda seu “dono” – e ser vista a distância, como o objeto que se tornou.

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Depois da indiferença vem o ataque: ela descobre que, como a personagem de William Shakespeare, poderá mobilizar os homens – ou apenas um – para conquistar o reino. Aqui, a grande casa, e para dentro dela trazer o amante. Improvável que ame alguém: a bela e jovem aprende o prazer da manipulação, convive com o poder.

É dele, sobretudo, que trata o filme de William Oldroyd. Do poder confinado às paredes. O poder de comprar uma mulher, brinde que acompanha alguns metros quadrados de terra. Mulher como objeto, como reprodutora, a desfilar pela casa de paredes claras e frias, com aparente camada de poeira pelo chão, dama que precisa pedir permissão para deixar o jantar e que não pode dormir antes do retorno do mestre.

A interpretação de Pugh permite silêncio, poucas e suficientes palavras. Rosto de desejo e vingança, de necessidade também: ela descobre como manipular e matar os homens que surgem em seu caminho, seres acostumados a tratar mulheres como animais, a pendurá-las ou, como citado, a fazê-las retornar à parede.

De onde veio não se sabe. Não precisa se explicar. Suas curvas salientes, seu rosto de desgosto, a ousadia em mostrar o amante ao marido na sequência mais forte da obra. A violência que surge, em momentos, quebra o efeito gélido do ambiente, da casa cuja luz externa atravessa o vidro, toda manhã, no despertar da moça.

Como na obra de Shakespeare, a morte é inevitável. Parte das intenções dessa menina – ou dessa mulher que se forma, que caminha pela paisagem sem sol e úmida que faz pensar em As Irmãs Brontë, de André Téchiné, nos ambientes percorridos pela bela Isabelle Adjani – passa pela retirada de toda e qualquer pessoa que atrapalhe seus planos.

A entrega ao amante inclui desejo. Desejo verdadeiro, antes. Não o desejo suficiente para ultrapassar o poder: com o amante ela não deseja fugir, encontrar a liberdade; acredita, sim, na possibilidade de se manter na mesma casa, no mesmo reino, indestrutível frente ao fraquejo dele, o jovem um pouco boçal vivido por Cosmo Jarvis.

Ao lado ela deixa uma testemunha, a primeira e última vítima dessa história, Anna, a criada tratada como animal pelo patrão, com dificuldades para dividir uma refeição à mesa quando convidada pela nova patroa. O rosto, de novo, mas em outra forma, outro sentido: a fraqueza que se expressa, que explode, na talentosa Naomi Ackie.

A partir da obra do russo Nikolai Leskov, Lady Macbeth of Mtsensk, Oldroyd dá vida a um filme forte, a uma vilã interessante, feita de camadas. A protagonista primeiro seduz o público, depois gera repulsa. Mais de uma vez, retorna ao sofá de cantos arredondados para encarar o público, ou o vazio, lugar algum. Sofá no qual antes dormia, ou tentava, sempre alerta à chegada do marido. Objeto que, como a casa, passará ao seu domínio.

(Idem, William Oldroyd, 2016)

Nota: ★★★☆☆

Veja também:
Macbeth, de Orson Welles
Macbeth: Ambição e Guerra, de Justin Kurzel

As Irmãs Brontë, de André Téchiné

A cada retorno da história à porta de uma taberna, entre sombra e vento constante, o espectador encontra uma mulher de saia vermelha, sentada no chão, da qual não se vê nem o rosto. Ela é enquadrada com certa distância em As Irmãs Brontë e dá a exata ideia de tristeza transmitida pelo grande filme de André Téchiné.

Ideia de isolamento, esquecimento, de uma cor perdida entre o vento e a frieza daquele local. Não chega nem a ser personagem: é uma imagem, um signo, talvez as três irmãs em uma, ou nenhuma delas. Esse local triste devido à natureza hostil certamente influenciou a literatura das irmãs Emily, Charlotte e Anne.

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E dessas indicações distantes vive o filme, que milagrosamente sabe ser grande sem ser pesado, e sabe ser grande sem ser profundo. Os dramas – vários – percorrem um filme moldado ao cinema como pintura, à elipse que dá conta de toda uma trajetória.

Sacia, ao fim, como um milagre: o espectador talvez reconheça sua grandeza, mas talvez não consiga identificar sua nascente. Um filme triste sobre perdas e mais perdas, sequer voltado ao ato criativo dessas mulheres, algo que seja capaz de “romancear”, de indicar algum divisor de águas para as três, tão próximas e tão distantes.

Não é sobre uma ou outra. É sobre as três, e sobre sua família: o irmão (Pascal Greggory) triste com o insucesso e destinado a amar uma mulher casada; o pai religioso (Patrick Magee) que pratica tiro, em campo aberto, com a filha Emily; a tia autoritária (Alice Sapritch) que permite que duas das três sobrinhas estudem em Bruxelas.

A menos acessível das três é Emily. Sua atriz, Isabelle Adjani, deixa um olhar trágico. Bela, caminha com calça entre campos abertos, saltitando, passando pelo verde. Ela pisa nas flores, nega o amor, e o espectador não entende o motivo de tanto ódio.

Outra, Anne (Isabelle Huppert), trabalha na casa de uma família rica, à qual, a certa altura, leva também o irmão. Atuam como professores de duas crianças. Branwell (Greggory) apaixona-se pela mulher do patrão e não consegue consumir seu amor.

A mais humana é Charlotte (Marie-France Pisier), a autora de Jane Eyre. Dá para entender as raízes dessa história, como também o que teria gerado, no caso de Emily, a ambientação de O Morro dos Ventos Uivantes e seu trágico Heathcliff.

É possível navegar por possibilidades: Charlotte retira a história de sua experiência em Bruxelas e, no caso de Emily, vê-se que todo o ódio de Heathcliff – que retorna para se vingar de uma classe social – é a vingança apaixonada, nunca possível na vida comum dessa personagem triste e deslocada, ainda que lhe restem ventos fortes (ou uivantes).

As Irmãs Brontë é sobre ambientações, do amargo cenário de um filme de terror – no qual a origem do drama não é localizada facilmente – àquele desfile de costumes, de figurinos luxuosos, entre galerias, camarotes e palcos do encerramento.

O diretor não pretende explicar essas mulheres e irmãs. Tampouco fazer uma cinebiografia comum. Na abertura, o homem da taberna faz uma interessante colocação sobre o sentido desse painel: “O importante é se agarrar à ideia de continuar a viver. Enquanto isso, as irmãs Brontë enchiam páginas com sua escrita fina e ilegível”. Parece dizer, em outras palavras, que o sofrimento delas fez surgir algumas obras-primas da literatura. Viveram à contramão da “ideia de continuar a viver”.

(Les soeurs Brontë, André Téchiné, 1979)

Nota: ★★★★☆

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Os dez melhores filmes com Isabelle Huppert

Os dez melhores filmes com Isabelle Huppert

O velho clichê das coisas que melhoram com o tempo, a exemplo do vinho, cabe a Isabelle Huppert. A pequena senhora agiganta-se em papéis desafiadores, como se vê no recente Elle, de Paul Verhoeven, que lhe garante uma posição entre as melhores atrizes de 2016. E o longa é muito mais que um retrato da mulher abusada.

Sua carreira atravessa décadas, sempre com diretores conhecidos e mesmo em outros países, como os Estados Unidos. Filmou com Michael Cimino, por exemplo, o desastroso – porém monumental – O Portal do Paraíso. Nas filmagens, recebeu a visita de ninguém menos que Jean-Luc Godard, que a convidou para trabalhar em Salve-se Quem Puder – A Vida, lançado em 1980.

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Também esteve em filmes de grandes cineastas como Claude Chabrol, Bertrand Tavernier, Maurice Pialat, André Téchiné, Benoît Jacquot e Michael Haneke. Tornou-se comum esperar, todo ano, por novos filmes com Huppert. O público é sempre recompensado.

10) Um Amor Tão Frágil, de Claude Goretta

A atriz já havia aparecido em uma porção de filmes até chegar à obra inesquecível de Goretta, como a protagonista, a jovem cabeleireira que se relaciona com um rapaz intelectual. A diferença entre eles impõe obstáculos e o fim do relacionamento, mais tarde, é um pouco inexplicável ao espectador. Sensível, merece a descoberta.

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9) Minha Terra, África, de Claire Denis

Filme extraordinário sobre uma mulher que não aceita deixar sua propriedade, em uma África atolada na guerra civil. Seus funcionários já deixaram o local, e a isso se somam problemas familiares e a presença de guerrilheiros armados pela região. Denis, discípula do grande Jacques Rivette, faz um de seus melhores trabalhos.

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8) Paixão, de Jean-Luc Godard

O melhor Godard dos anos 80, no qual Huppert interpreta uma operária, companheira de um cineasta (Jerzy Radziwilowicz) e explorada pelo dono da fábrica (Michel Piccoli). Huppert já havia trabalhado com o diretor francês no anterior e também excelente Salve-se Quem Puder – A Vida, lançado dois anos antes.

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7) A Bela que Dorme, de Marco Bellocchio

As várias personagens fictícias circundam um fato real: a morte de Eluana Englaro, em 2009, levada a cabo por sua família após uma batalha judicial. Bellocchio registra uma Itália dividida. Huppert interpreta uma mulher religiosa que se dedica 24 horas à filha, que se encontra presa à cama, em estado vegetativo.

bela que dorme

6) Loulou, de Maurice Pialat

Difícil compreender a atração por Loulou, a personagem errática de Gérard Depardieu. Esse homem mulherengo capta a atenção de Nelly (Huppert) durante uma festa. Não se separam mais. É o suficiente para ela deixar o antigo companheiro e viver com ele. Os atores voltariam a atuar juntos no recente O Vale do Amor.

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5) Um Assunto de Mulheres, de Claude Chabrol

Nos tempos de guerra, quando a França estava ocupada pelos alemães, a protagonista destaca-se fazendo abortos e vive bem, com roupas caras e sem dar muita bola ao marido militar. Um dos vários trabalhos interessantes que a atriz fez em parceria com o cineasta, com quem voltaria a se encontrar em Madame Bovary e A Comédia do Poder.

um assunto de mulheres

4) A Professora de Piano, de Michael Haneke

A pianista Erika Kohut (Huppert) mantém uma relação conflituosa com a mãe (Annie Girardot) ao mesmo tempo em que passa a ter um caso com um jovem aluno (Benoît Magimel). Ela quebra seu jeito contido com masoquismo e desejos reprimidos. Belo filme de Haneke. Prêmio de melhor atriz em Cannes para Huppert.

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3) O Portal do Paraíso, de Michael Cimino

O fracasso de bilheteria não impediu que fosse redescoberto e, por alguns, colocado no alto das listas de melhores filmes de todos os tempos. Huppert está em meio a um elenco grande, em uma história sobre a luta de estrangeiros contra proprietários de terras cheios de xenofobia – tema que continua atual.

portal do paraíso

2) As Irmãs Brontë, de André Téchiné

Huppert interpreta uma das três escritoras e irmãs, Anne, ao lado de Emily (Isabelle Adjani) e Charlotte (Marie-France Pisier). Há algo misterioso nesse grande filme, com três mulheres reclusas que, a certa altura, tomam rumos distintos. Mas, com suas fotografia em tons escuros, não se trata de uma cinebiografia comum.

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1) Mulheres Diabólicas, de Claude Chabrol

O clima hitchcockiano acompanha certa frieza. Duas mulheres – amigas e talvez um pouco mais – combinam um crime: matar a família que emprega uma delas, a personagem de Sandrine Bonnaire. Huppert é a outra, a companheira que conduz a esse jogo perigoso, no qual ninguém é confiável e cheio de perversão.

mulheres diabólicas

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Um Assunto de Mulheres, de Claude Chabrol

Os dez melhores filmes com Juliette Binoche

Difícil imaginar atriz mais completa, na atualidade, que Juliette Binoche. Seu talento permite escolher cineastas para trabalhar, além de coadjuvantes em grandes produções como Godzilla, ou mesmo em projetos ambiciosos mas frustrantes como Os 33.

Da aparência de menina, nos anos 80, Binoche aos poucos amadureceu sob o “neon realismo” de Os Amantes de Pont-Neuf e, depois, no drama A Liberdade é Azul, primeira parte da Trilogia das Cores. Ganhou um Oscar de coadjuvante (O Paciente Inglês), fez comédias bobas e filmes despretensiosos como Chocolate. Abaixo, seus melhores momentos selecionados pelo blog.

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10) Camille Claudel 1915, de Bruno Dumont

O cineasta Dumont faz um cinema quase à margem, exigente, e aqui leva Binoche ao tempo sofrido em que a verdadeira Camille esteve confinada em um hospício.

Camille Claudel, 1915

9) Maria, de Abel Ferrara

A atriz Marie Palesi (Binoche) transforma-se após interpretar Maria Madalena em um filme sobre Cristo, cujo diretor deseja faturar alto. A obra de Ferrara discute a intolerância.

maria

8) Código Desconhecido, de Michael Haneke

De novo vive uma atriz. O filme parte de um ato de violência, quando dois garotos brigam na rua; depois, embaralha realidade e ficção com a vida e o trabalho da mulher.

código desconhecido

7) Aproximação, de Amos Gitai

Ela é Ana no filme do já consagrado Gitai, que reencontra o meio-irmão e, depois, segue à Faixa de Gaza em busca da filha. Discussões políticas também estão presentes.

aproximação

6) Cópia Fiel, de Abbas Kiarostami

O que é verdadeiro ou falso nesse grande filme? Terá a cópia o mesmo valor da obra original? Binoche é a mulher que talvez esteja perto de se reconciliar com o companheiro.

cópia fiel

5) Horas de Verão, de Olivier Assayas

A família reencontra-se na velha casa que poderá ser vendida pelos filhos. A atriz é um dos irmãos que deixou o local e que mais tarde retorna nesse belo trabalho de Assayas.

horas de verão

4) Rendez-vous, de André Téchiné

É sobre máscaras, sobre exageros, com jovens vivendo criações de Shakespeare no teatro, enquanto a moça ao centro, outra atriz, vive à sombra de um jovem suicida.

Rendez-vous

3) Caché, de Michael Haneke

Casal recebe fitas ameaçadoras com conteúdo aparentemente simples: gravações da fachada da casa de ambos, com suas entradas e saídas. É apenas o começo de uma obra assustadora.

caché

2) A Insustentável Leveza do Ser, de Philip Kaufman

É a fotógrafa Tereza, que, em Praga, nos anos 60, registra um momento histórico – a chegada dos tanques soviéticos – enquanto vive momentos de libertação e amor.

a insustentável leveza do ser

1) A Liberdade é Azul, de Krzysztof Kieslowski

A protagonista tenta se livrar do passado após a morte do marido e da pequena filha em acidente que abre esse filme espetacular – ainda que tudo, como a música dele, volte para assombrá-la.

a liberdade é azul

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Os cinco melhores filmes de Bruno Dumont
Os cinco melhores filmes de Michael Haneke

Os cinco melhores filmes de Olivier Assayas

Antes de se tornar diretor de prestígio, Olivier Assayas foi crítico e também escreveu roteiros. Entre eles, o do belo Rendez-vous, de André Téchiné, com uma jovem Juliette Binoche no elenco. Seu último trabalho, ausente da lista abaixo, é Acima das Nuvens, justamente com Binoche, sobre uma atriz que confronta a passagem do tempo.

O cinema de Assayas tem diferentes caminhos: há filmes que pedem paciência, que registram o tempo das relações humanas – como Horas de Verão e Acima das Nuvens. E há outros, feitos com velocidade, com tramas de suspense, como Espionagem na Rede e Traição em Hong Kong. O melhor do diretor, segundo este blog, segue abaixo.

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5) Depois de Maio (2013)

Retrato da juventude após o Maio de 68, feito com a paixão típica de Assayas quando se trata do universo jovem – tão distante do mundo adulto e sua falta de ação. Começa na sala de aula e logo vai às ruas, às correrias dos jovens com a polícia no encalço. Faz retornar, não por acaso, a Água Fria, outro belo retrato da juventude feito pelo diretor. Há paixão em cada quadro.

depois de maio

4) Irma Vep (1996)

Um filme sobre o próprio cinema, com a homenagem a Os Vampiros, de Louis Feuillade. No papel da vampira coberta de preto está Maggie Cheung, que pouco depois se casaria com Assayas. Após o fim do relacionamento, o diretor voltou a fazer um filme com ela, o também belo Clean. Como em A Noite Americana, de Truffaut, o espectador conhece a rotina e os problemas dos bastidores de um filme.

irma vep

3) Horas de Verão (2008)

A obra gravita ao redor de uma casa. A família, aparentemente bela e unida, começa a se desfazer. O filme flerta com a juventude, mas sem que os adultos deixem de olhar para trás, com a casa que leva a outro tempo – quase à força. Ao centro, três irmãos lidam com essa herança. Dois deles não vivem mais por ali e um terceiro carrega o dilema envolvendo o imóvel, entre passado e presente. Lutam, ainda, para ser uma família. E certamente não serão como antes.

horas de verão

2) Água Fria (1994)

Ainda no início, o casal jovem ao centro envolve-se em problemas: o rapaz furta alguns discos da loja e, ao escapar, deixa a menina para trás. Ela termina detida, está cansada de sua vida e, levada pelos impulsos dos jovens de Assayas, resolve fugir. Não sem levá-lo junto. O resultado é mais um poderoso retrato da juventude, com a apaixonante sequência da festa, na qual os convidados fazem uma fogueira e aproveitam cada instante até o amanhecer.

água fria

1) Carlos (2010)

Apesar do formato de série, em três capítulos com quase duas horas cada, a obra passou em festivais de cinema, inclusive em Cannes, onde não pode competir por causa do formato. Ainda assim, tem todas as características do grande cinema político, atualmente cada vez mais raro. Tem Édgar Ramírez como Ilich Ramírez Sánchez, ou apenas Carlos, o “Chacal”. Tem o retrato de sua época – de um mundo dividido, de atos extremos, da paixão pelas ideologias e depois a inclinação ao sinal dos tempos – em cada quadro. Não falta, aqui, o poder de Assayas sobre a narrativa: ao se debruçar sobre essa longa história, faz o tempo passar com prazer e emoção.

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Atores vivendo atores (em seis filmes recentes)