Alfred Hitchcock

Dennis Hopper, apaixonado e contido

Mesmo com coragem de puxar conversa com a garota, o menino Dennis Hopper mantém-se retraído boa parte do tempo em A Noite do Terror. Com sua maneira de lançar a mão à cabeça, ou de voltar o cigarro à boca, sempre descompromissado, mais parece uma criança em busca de descoberta – a amorosa, a sexual, a do mundo adulto.

Esse menino ainda não pode ser chamado de homem. Sem esforço, é à juventude que aponta em um filme que tenta se aproximar do terror. A mulher pela qual ele interessa-se finge ser uma sereia, pode ter sido possuída por um espírito maligno, e está sob a influência do dono do show em que representa – ou vive na pele – justamente uma sereia.

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Palco perfeito para cair o jovem Johnny Drake (Hopper), que se vê atraído. As aproximações começam em um bar tomado pelo jazz, no qual a mesma moça, Mora (Linda Lawson), não dá atenção ao protagonista, no qual ele tenta de toda a forma – aproxima-se, extrai uma conversa – estar perto dela. A maneira como Hopper representa não saber nada expõe sua potência para sintetizar um certo jovem alienado e perdido no mundo.

De James Dean, com quem contracenou em filmes da década anterior, tira o jeito perdido, não a rebeldia. O jovem marinheiro que vaga entre bares, de olho em qualquer oportunidade que, de preferência, materialize o sexo oposto, diz ter forte relação com a mãe e que foi deixado pelo pai. Em sentido oposto, a personagem de Dean em Juventude Transviada – no qual Hopper faz um marginal – confronta o pai, que considera submisso à mãe.

Desse produto estranho, A Noite do Terror, não se destaca a trama de mistério, muito menos o que parece indicar seu lado místico. Resta apenas o rapaz, a síntese do menino apaixonado, ainda ingênuo, agarrado pelas dúvidas, pela imagem da mulher irreal, estranhamente sedutora que não lhe promete muita coisa – ou que só lhe confunde.

Pobre menino destinado a não ter casa, a não encontrar o amor, a quem a revelação final – na delegacia, cujas explicações formam ecos de Psicose, de Hitchcock – deixa-o encolhido, sem poder para externar sentimentos. Opção acertada: a forma de Hopper tem sozinha o drama da perda no filme de Curtis Harrington. Termina um pouco como começou, ou pior.

Dennis Hopper mudaria. Seu amadurecimento, em filmes posteriores, não deixaria escapar um pouco do miúdo Johnny Drake. Em uma de suas personagens mais famosas, o motoqueiro de bigode, cabelos um pouco longos e chapéu de Sem Destino, evoca os sonhos de liberdade que, ao fim, são interrompidos, na América profunda que se pretendia descobrir.

É como se escondesse Drake sob a máscara do homem de um novo tempo, ligado, enérgico, até um pouco poético: é a sintonia do novo cinema que, é verdade, dava as caras na obra de Harrington, mas sem o espírito de transformação de Sem Destino, dirigido e co-escrito pelo próprio Hopper, antes de se especializar em vilões explosivos.

A impressão é que Hopper levava a diversão – ou seria proposital descompromisso, como se quisesse mostrar o ator por trás da máscara? – a suas personagens. Até às piores. Alguns chamam de caricatura. No pouco lembrado A Noite do Terror, no entanto, o pequeno Drake não deixa ver esses sinais. Está bloqueado, mantido em sua redoma de dúvidas, crente de que teria encontrado sua musa não estivesse ela mais próxima de um monstro.

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Os 100 melhores filmes dos anos 40

Os anos 40 trazem transformações profundas ao cinema. O poder dos estúdios americanos visto na década anterior começa a diminuir; a Segunda Guerra Mundial leva o cinema à abordagem de outros temas, além de influenciar em sua carga realista; a fronteira entre heróis e vilões é cada vez mais borrada; novos cineastas dão o tom do que viria pela frente, como Orson Welles, John Huston e Preston Sturges.

Na Itália, o neorrealismo influenciará todo o cinema mundial, com seu apelo à verdade, às ruas, à gente comum e, sobretudo, à estética que se prende ao homem, não ao enredo que o cerca. Na França ocupada, alguns resistentes ainda seguem fazendo cinema, como Marcel Carné e Henri-Georges Clouzot. Outros seguem trabalhando no Japão, autores como Akira Kurosawa, Kenji Mizoguchi e Yasujiro Ozu.

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Pitadas se sexo ganham espaço em obras de Billy Wilder, Howard Hawks e Sturges. A comédia ganha nova face. Ainda na América, o cinema noir – com seus detetives amargos e damas fatais – pouco a pouco deixa os estúdios e vai às ruas, como se pode ver em maravilhas como Cidade Nua. A lista abaixo oferece o que há de melhor nesse momento e, não custa lembrar, é fruto de uma opinião pessoal.

100) Hamlet, de Laurence Olivier

99) Na Solidão da Noite, de Alberto Cavalcanti, Charles Crichton, Basil Dearden e Robert Hamer

98) Pernas Provocantes, de William A. Wellman

97) Farrapo Humano, de Billy Wilder

96) Verde Passional, de Sidney Gilliat

95) Rebecca, a Mulher Inesquecível, de Alfred Hitchcock

94) Corpo e Alma, de Robert Rossen

93) Nascida para o Mal, de John Huston

92) Segredos de Alcova, de Jean Renoir

91) O Grande Ditador, de Charles Chaplin

90) A Dama de Shanghai, de Orson Welles

89) O Lobo do Mar, de Michael Curtiz

88) Tarde Demais, de William Wyler

87) Alemanha, Ano Zero, de Roberto Rossellini

86) O Fantasma Apaixonado, de Joseph L. Mankiewicz

85) Gilda, de Charles Vidor

84) Este Mundo é um Hospício, de Frank Capra

83) A Bela e a Fera, de Jean Cocteau

82) Um Barco e Nove Destinos, de Alfred Hitchcock

81) A Morta-Viva, de Jacques Tourneur

80) Brutalidade, de Jules Dassin

79) Ivan, O Terrível – Partes 1 e 2, de Sergei M. Eisenstein

78) Cão Danado, de Akira Kurosawa

77) Dentro da Noite, de Raoul Walsh

76) Natal em Julho, de Preston Sturges

75) O Destino Bate à Sua Porta, de Tay Garnett

74) Cidade Nua, de Jules Dassin

73) Quando Desceram as Trevas, de Fritz Lang

72) Paixões em Fúria, de John Huston

71) Monsieur Verdoux, de Charles Chaplin

70) Odeio-te Meu Amor, de Preston Sturges

69) Na Teia do Destino, de Max Ophüls

68) Sua Única Saída, de Raoul Walsh

67) Arroz Amargo, de Giuseppe De Santis

66) Correspondente Estrangeiro, de Alfred Hitchcock

65) Sombras do Pavor, de Henri-Georges Clouzot

64) Invasão de Bárbaros, de Michael Powell

63) Roma, Cidade Aberta, de Roberto Rossellini

62) Juventude sem Arrependimento, de Akira Kurosawa

61) Os Assassinos, de Robert Siodmak

60) O Ídolo do Público, de Raoul Walsh

59) Bambi, de James Algar, Samuel Armstrong e David Hand

58) Entre a Loura e a Morena, de Busby Berkeley

57) Uma Galinha no Vento, de Yasujiro Ozu

56) Ser ou Não Ser, de Ernst Lubitsch

55) Punhos de Campeão, de Robert Wise

54) Consciências Mortas, de William A. Wellman

53) O Condenado, de Carol Reed

52) Desfile de Páscoa, de Charles Walters

51) Festim Diabólico, de Alfred Hitchcock

50) Sangue de Pantera, de Jacques Tourneur

49) A Terra Treme, de Luchino Visconti

48) Amar Foi Minha Ruína, de John M. Stahl

47) Céu Amarelo, de William A. Wellman

46) Uma Aventura na Martinica, de Howard Hawks

45) O Último Refúgio, de Raoul Walsh

44) Coronel Blimp – Vida e Morte, de Michael Powell e Emeric Pressburger

43) A Canção da Vitória, de Michael Curtiz

42) As Três Noites de Eva, de Preston Sturges

41) Os Sapatinhos Vermelhos, de Michael Powell e Emeric Pressburger

40) Os Melhores Anos de Nossas Vidas, de William Wyler

39) Desencanto, de David Lean

38) A Sombra de uma Dúvida, de Alfred Hitchcock

37) A Longa Viagem de Volta, de John Ford

36) Narciso Negro, de Michael Powell e Emeric Pressburger

35) Fuga do Passado, de Jacques Tourneur

34) Núpcias de Escândalo, de George Cukor

33) Carta de uma Desconhecida, de Max Ophüls

32) Alma em Suplício, de Michael Curtiz

31) Vinhas da Ira, de John Ford

30) Fúria Sanguinária, de Raoul Walsh

29) As Oito Vítimas, de Robert Hamer

28) Curva do Destino, de Edgar G. Ulmer

27) Agora Seremos Felizes, de Vincente Minnelli

26) Interlúdio, de Alfred Hitchcock

25) Jejum de Amor, de Howard Hawks

24) Pérfida, de William Wyler

23) Dias de Ira, de Carl Theodor Dreyer

22) Paixão de Fortes, de John Ford

21) A Força do Mal, de Abraham Polonsky

20) Soberba, de Orson Welles

19) O Tesouro de Sierra Madre, de John Huston

18) Laura, de Otto Preminger

17) Neste Mundo e no Outro, de Michael Powell e Emeric Pressburger

16) Mulheres da Noite, de Kenji Mizoguchi

15) O Pior dos Pecados, de John Boulting

14) Pinóquio, de Ben Sharpsteen e Hamilton Luske

13) Contrastes Humanos, de Preston Sturges

12) O Boulevard do Crime – Primeira e Segunda Época, de Marcel Carné

11) Obsessão, de Luchino Visconti

10) Rio Vermelho, de Howard Hawks

John Wayne arrebanha Montgomery Clift, que se torna seu filho, nesse faroeste que assume ecos de O Grande Motim. Pai e filho não demoram a se confrontar, a se caçar, nessa obra genial do mestre Hawks.

9) Pacto de Sangue, de Billy Wilder

O noir de Wilder é um dos maiores do gênero. Sua loura fatal, a maior: Barbara Stanwyck tem o papel de sua vida como a mulher que trai o marido e depois o amante para ficar com a fortuna do primeiro.

8) A Felicidade Não se Compra, de Frank Capra

Um filme que ficou lembrado pela sua relação com o Natal. Ainda mais, um filme sobre a importância de um homem para uma cidade, alguém cujo coração, de tão grande, só poderia mesmo ser vivido por James Stewart.

7) O Terceiro Homem, de Carol Reed

Orson Welles morre e renasce, espécie de fantasma do pós-guerra, cheio de cinismo. O amigo escritor, vivido por Joseph Cotten, segue seus passos em uma Viena aos pedaços, repleta de luzes e sombras.

6) À Beira do Abismo, de Howard Hawks

É Bogart o dono do Philip Marlowe mais famoso das telas. Outra vez com Hawks e sua musa, Lauren Bacall, ele lança-se em uma rede de crimes cuja extensão pode fugir facilmente à compreensão do público.

5) Pai e Filha, de Yasujiro Ozu

Uma típica obra de Ozu. Por isso mesmo grande, de planos perfeitos, de drama que aumenta a conta-gotas até o encerramento arrebatador. Em cena, uma filha não quer se casar para não deixar o pai.

4) O Falcão Maltês, de John Huston

O primeiro filme de Huston. O primeiro de Bogart no topo dos créditos. Obra-prima que deu início ao cinema noir, em que Sam Spade tenta solucionar um assassinato e se envolve com uma dama misteriosa.

3) Ladrões de Bicicleta, de Vittorio De Sica

O maior filme neorrealista, o mais dramático, ao mesmo tempo o mais simples – no melhor sentido da palavra. A história de um homem que, ao lado do filho, sai em busca da bicicleta furtada em uma Itália aos cacos.

2) Casablanca, de Michael Curtiz

O roteiro é feito de uma coleção de frases que cinéfilo nenhum esquece. Bogart passa do cinismo à paixão enquanto Bergman revela o amor nunca esquecido naquele Café em Marrocos. Sempre terão Paris.

1) Cidadão Kane, de Orson Welles

Os jornalistas sem rosto, entre luzes e sombras, questionam a origem da última palavra dita por Charles Foster Kane: “Rosebud”. Passadas algumas décadas, o mistério perdura, vai além do objeto ao fim revelado. Um jornalista sai em busca da resposta e, a cada novo entrevistado, nova personagem secundária, nasce novo enigma.

O primeiro longa-metragem de Orson Welles levou o gênio do céu ao inferno, ainda que não tenha – para a sorte do público – sepultado sua carreira. Outros grandes filmes viriam mais tarde, com incursões no noir e em William Shakespeare, mas nenhum à altura do genial Cidadão Kane, o melhor longa de estreia da História do Cinema.

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Cineastas mais presentes na lista:

  • Seis filmes: Alfred Hitchcock.
  • Cinco filmes: Michael Powell, Raoul Walsh.
  • Quatro filmes: Emeric Pressburger, Howard Hawks, John Huston, Michael Curtiz, Preston Sturges.
  • Três filmes: Jacques Tourneur, John Ford, Orson Welles, William A. Wellman, William Wyler.
  • Dois filmes: Akira Kurosawa, Billy Wilder, Carol Reed, Charles Chaplin, Frank Capra, Jules Dassin, Luchino Visconti, Max Ophüls, Robert Hamer, Roberto Rossellini, Yasujiro Ozu.

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Correspondente Estrangeiro, de Alfred Hitchcock

Em viagem à Europa a trabalho, perto de assistir à eclosão da Segunda Guerra Mundial, o jornalista de Alfred Hitchcock percebe a mudança dos ventos. Talvez os que se dizem pacifistas escondam algo aterrorizante. Talvez os nazistas estejam por ali, infiltrados, à espera do momento certo para empurrar o mundo ao caos. Os ventos são outros.

Essa mudança é representada em uma sequência inesquecível, que trata do movimento do ar de forma literal: é quando o jornalista, na Holanda, repara que a típica paisagem pacata ganha alteração. As pás dos moinhos giram no sentido oposto ao vento. Mudam de novo, e de novo. O jornalista logo compreende que se trata de um sinal ao inimigo.

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O cenário aparentemente pacato de Correspondente Estrangeiro, do mestre Hitchcock, esconde o pior: ainda que a mudança seja inevitável – o giro em oposição ao vento, a suposta organização de paz como catalizadora da guerra -, as personagens têm dificuldades para enxergá-la. O diretor, nesse meio, conta outra vez com o herói um pouco ingênuo.

Na pele de John Jones, Joel McCrea deve algo ao Robert Donat de 39 Degraus. Mais tarde, seria Cary Grant, herói acidental de Intriga Internacional, o ator a repetir os anteriores. E nesse mesmo filme, lançado em 1959, Grant ver-se-á frente a frente com uma paisagem aparentemente pacata e perto de se transformar, no momento em que é atacado por um avião que sobrevoa os milharais e despeja veneno por ali.

Outra explicação ajuda a entender o motivo de McCrea, como Jones, ser um pouco ingênuo. O dono do jornal em que trabalha descobre que os “profissionais” que cobrem outros países não são mais capazes de enxergar a guerra iminente. Ao que parece, o jornal está disposto a criar uma guerra, se necessário, a partir do faro do editor.

Será preciso alguém com pouca experiência, alguém que diz o que vem à mente, ninguém muito culto, um homem como qualquer outro disposto a correr atrás de uma história. Surge na sala do chefe, então, aquele com todas as credenciais: o homem nada consciente do tamanho da encrenca na qual toda Europa e o mundo estão lançados.

Pois é desse olhar pouco avisado que nasce a grande história, do ponto cego que alguém como McCrea, com tom cômico perfeito, deixa ver o despreparo. Seu espaço não permite qualquer conforto; seu jeito, à contramão, conquista facilmente o espectador. Não demora para farejar a notícia, os criminosos, a reparar na mudança dos ventos que colocam todos, inclusive ele, sob risco eminente.

Antes de chegar aos moinhos, o herói espera por seu entrevistado debaixo de chuva, em uma escadaria, no local que servirá ao encontro dos pacifistas. A câmera de Hitchcock, em movimento panorâmico, revela o ambiente ocupado pela chuva e se aproxima do protagonista. A água é incômoda. Há realismo e até naturalidade nessa bela sequência. O homem que aparece por ali é assassinado por um fotógrafo armado. Mais tarde, o herói descobre que a vítima não era seu entrevistado, mas um duplo.

Outro momento exemplar ocorre na sala escura em que o velho senhor é torturado pelos nazistas à base de luzes contra a face e música constante. Esse homem, antes a fonte do jornalista em viagem à Europa, conhece a cláusula secreta cobiçada pelos nazistas. Isso, no entanto, é apenas um pretexto para o suspense – o chamado MacGuffin.

O tom de loucura que ocupa essa sala, com o velho delirante, é tom do mundo naquele momento: a tortura em salas fechadas, às sombras, que logo tomaria as ruas, os espaços externos. Universo que liga Hitchcock aos melhores filmes de Fritz Lang, a começar por O Testamento do Dr. Mabuse, o que também reforça o lado expressionista do mestre do suspense.

O homem de McCrea, até certo ponto ingênuo, logo afundado nesse meio político e paranoico até o pescoço, era mesmo ideal à empreitada. A diferença é que, ao invés de “produzir” a guerra, apenas se deixou apanhar por ela – no melhor estilo das personagens do cinema clássico, donas de frases heroicas nos instantes derradeiros.

(Foreign Correspondent, Alfred Hitchcock, 1940)

Nota: ★★★★★

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20 grandes filmes sobre a (difícil) vida em comunidade

Cidades, povoados, bairros. Em todos os filmes abaixo, surgem diferentes grupos e relações. O contato entre seres nem sempre é fácil. Ou quase nunca o é. Os filmes são de tempos distintos, distantes em visual e estilo de direção. Dão, contudo, uma boa amostra da difícil relação entre pessoas na tela do cinema. Abaixo, 20 filmes que merecem atenção.

M, o Vampiro de Düsseldorf, de Fritz Lang

Os criminosos precisam tomar a dianteira quando um serial killer coloca em risco seus negócios. O criminoso ataca crianças e, mais tarde, é colocado em um tribunal improvisado. O filme antecipa o nazismo.

A Mulher do Padeiro, de Marcel Pagnol

Padeiro perde a mulher, deixa de fazer seus pães e a cidade desespera-se para reencontrá-la. O padre não quer seu retorno, o marido aceita se rebaixar. Entre o cômico e o trágico, um belo filme sobre a província.

Sombra do Pavor, de Henri-Georges Clouzot

Moradores de uma cidade aparentemente pacata começam a receber cartas com estranhas mensagens. Pouco a pouco, o espectador descobre mais sobre as personagens. À época, o filme foi incompreendido.

Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock

A vida em comunidade pelo ponto de vista do homem imobilizado, que do aparente equilíbrio dos seres à frente, pela sua lente, passa a assistir ao horror. Um de seus vizinhos pode ter matado a mulher.

Vampiros de Almas, de Don Siegel

O médico à frente da história desconfia que diferentes pessoas, em sua tranquila cidade, foram substituídas por alienígenas. Clássico feito em pleno período de paranoia, na Guerra Fria, pelo talentoso Siegel.

O Grande Momento, de Roberto Santos

O filme acompanha um rapaz no dia de seu casamento, com alguns problemas: lidar com os convidados, pagar as dívidas, aguentar a família da amada e a própria. Em meio a tudo isso, precisa vender a bicicleta.

Bom Dia, de Yasujiro Ozu

Crianças fazem greve de silêncio porque não possuem uma televisão. Os pais recusam-se a aderir à nova tecnologia. Enquanto isso, de casa em casa corre o boato de que uma mulher teria roubado dinheiro.

A Última Sessão de Cinema, de Peter Bogdanovich

Os jovens ouvem velhas histórias perdidas no tempo, assistem aos clássicos no cinema antes que o espaço feche as portas. O sexo é uma fuga. Há desespero por todos os cantos nesse filme apaixonante.

Amarcord, de Federico Fellini

As memórias do diretor na cidade em que cresceu. Por ali, belas mulheres desfilam entre homens, carros cruzam ruelas em alta velocidade, meninos são atraídos pelas curvas femininas e descobrem o sexo.

A Árvore dos Tamancos, de Ermanno Olmi

Ganhador da Palma de Ouro, retrata a vida humilde dos trabalhadores do campo, no dia a dia difícil. O elenco é feito por atores amadores. O resultado é uma obra-prima chamada por muitos de neorrealista.

A Despedida, de Elem Klimov

Outro sobre o cotidiano de pessoas simples em local isolado. A vida de todos se transforma quando o governo faz a retirada dos moradores para a construção de uma barragem, o que causará a inundação do vilarejo.

Underground – Mentiras de Guerra, de Emir Kusturica

Entre a Segunda Guerra Mundial e a Guerra da Bósnia, Kusturica revela a transformação de um grupo de pessoas, por décadas, da Iugoslávia dos dias gloriosos de Tito à dissolução do bloco comunista.

O Show de Truman, de Peter Weir

A vida como maquiagem, no espaço (um estúdio de tevê) em que todos interpretam para o protagonista, Truman, o único que não sabe da farsa. Pouco a pouco ele segue rumo à verdade. E toda a sociedade cai.

Beleza Americana, de Sam Mendes

Os vizinhos observam-se pelas janelas. Um deles recorre à câmera de vídeo. Por ali, um casal homossexual tenta se aproximar, um ex-militar não facilita o contato e o protagonista deseja voltar à juventude.

Dogville, de Lars von Trier

O cineasta conhecido por seu radicalismo retira as paredes e, em contraponto ao visual falso, leva a situações duras do cotidiano, na pequena cidade à qual a protagonista vê-se alienada e escravizada.

A Fita Branca, de Michael Haneke

Diretor famoso por filmes frios e sem concessões, Haneke aborda o grupo, a pequena cidade em que ocorrem crimes estranhos. O ambientação chega ao terror. A época ajuda: estão à beira da Primeira Guerra.

A Caça, de Thomas Vinterberg

Mais do que sobre um homem perseguido, acusado de pedofilia, a obra de Vinterberg aborda a intolerância daqueles que o rodeiam. Perto do fim, o mesmo homem vai à igreja para encarar os outros.

O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho

Retrato da difícil relação entre pessoas em um bairro rico de Recife, no qual os extremos tocam-se com alguma dificuldade. O diretor constrói o mal a conta-gotas, até virar algo insuportável.

Timbuktu, de Abderrahmane Sissako

O filme leva o nome de uma cidade, no Mali, no período em que se vê dominada por extremistas islâmicos. A presença do grupo transforma o cotidiano local. As pessoas passam a ser vigiadas e sofrem abusos.

Três Anúncios Para um Crime, de Martin McDonagh

O belo roteiro de McDonagh aproxima o drama da comédia. Ora ou outra a violência explode na pequena cidade em que uma garota é assassinada e sua mãe, por meio de outdoors na estrada, protesta e cobra a polícia local.

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