Água Fria

Os cinco melhores filmes de Olivier Assayas

Antes de se tornar diretor de prestígio, Olivier Assayas foi crítico e também escreveu roteiros. Entre eles, o do belo Rendez-vous, de André Téchiné, com uma jovem Juliette Binoche no elenco. Seu último trabalho, ausente da lista abaixo, é Acima das Nuvens, justamente com Binoche, sobre uma atriz que confronta a passagem do tempo.

O cinema de Assayas tem diferentes caminhos: há filmes que pedem paciência, que registram o tempo das relações humanas – como Horas de Verão e Acima das Nuvens. E há outros, feitos com velocidade, com tramas de suspense, como Espionagem na Rede e Traição em Hong Kong. O melhor do diretor, segundo este blog, segue abaixo.

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5) Depois de Maio (2013)

Retrato da juventude após o Maio de 68, feito com a paixão típica de Assayas quando se trata do universo jovem – tão distante do mundo adulto e sua falta de ação. Começa na sala de aula e logo vai às ruas, às correrias dos jovens com a polícia no encalço. Faz retornar, não por acaso, a Água Fria, outro belo retrato da juventude feito pelo diretor. Há paixão em cada quadro.

depois de maio

4) Irma Vep (1996)

Um filme sobre o próprio cinema, com a homenagem a Os Vampiros, de Louis Feuillade. No papel da vampira coberta de preto está Maggie Cheung, que pouco depois se casaria com Assayas. Após o fim do relacionamento, o diretor voltou a fazer um filme com ela, o também belo Clean. Como em A Noite Americana, de Truffaut, o espectador conhece a rotina e os problemas dos bastidores de um filme.

irma vep

3) Horas de Verão (2008)

A obra gravita ao redor de uma casa. A família, aparentemente bela e unida, começa a se desfazer. O filme flerta com a juventude, mas sem que os adultos deixem de olhar para trás, com a casa que leva a outro tempo – quase à força. Ao centro, três irmãos lidam com essa herança. Dois deles não vivem mais por ali e um terceiro carrega o dilema envolvendo o imóvel, entre passado e presente. Lutam, ainda, para ser uma família. E certamente não serão como antes.

horas de verão

2) Água Fria (1994)

Ainda no início, o casal jovem ao centro envolve-se em problemas: o rapaz furta alguns discos da loja e, ao escapar, deixa a menina para trás. Ela termina detida, está cansada de sua vida e, levada pelos impulsos dos jovens de Assayas, resolve fugir. Não sem levá-lo junto. O resultado é mais um poderoso retrato da juventude, com a apaixonante sequência da festa, na qual os convidados fazem uma fogueira e aproveitam cada instante até o amanhecer.

água fria

1) Carlos (2010)

Apesar do formato de série, em três capítulos com quase duas horas cada, a obra passou em festivais de cinema, inclusive em Cannes, onde não pode competir por causa do formato. Ainda assim, tem todas as características do grande cinema político, atualmente cada vez mais raro. Tem Édgar Ramírez como Ilich Ramírez Sánchez, ou apenas Carlos, o “Chacal”. Tem o retrato de sua época – de um mundo dividido, de atos extremos, da paixão pelas ideologias e depois a inclinação ao sinal dos tempos – em cada quadro. Não falta, aqui, o poder de Assayas sobre a narrativa: ao se debruçar sobre essa longa história, faz o tempo passar com prazer e emoção.

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Veja também:
Atores vivendo atores (em seis filmes recentes)

Adolescentes (em 20 filmes)

O cinema com temática jovem – e com jovens protagonistas – nunca mais foi o mesmo depois das explosões de James Dean em Juventude Transviada. À época, os filmes com jovens (não necessariamente jovens) ganhavam espaço. Era apenas o começo da tendência que ganharia força com o rock e a contracultura.

Com Dean, o jovem não precisava se explicar: era simplesmente um jovem cuja fúria não tinha causa definida. Era – e é, vale lembrar – uma raiva inexplicável, natural, um desejo de mudança e uma voz contra a sociedade conservadora.

Na Inglaterra, pouco depois, tudo leva às mudanças: Karel Reisz faz o incrível documentário We Are the Lambeth Boys, entre os primeiros filmes do importante free cinema. E ainda chegaria, mais tarde, a rebeldia de Se…, de Lindsay Anderson.

Alguns autores recentes ora ou outra abordam a juventude. Os dois maiores são Olivier Assayas e Gus Van Sant. O primeiro fez Água Fria e depois retornaria à temática no belo Depois de Maio; o segundo é o autor de Elefante, Últimos Dias e Paranoid Park. Os adolescentes mudaram e nunca saíram da tela grande. Á lista.

Juventude, de Ingmar Bergman

juventude

Juventude Transviada, de Nicholas Ray

juventude transviada

We Are the Lambeth Boys, de Karel Reisz

We Are the Lambeth Boys

Amor, Sublime Amor, de Robert Wise e Jerome Robbins

amor sublime amor

Mamma Roma, de Pier Paolo Pasolini

mamma roma

Se…, de Lindsay Anderson

se

A Última Sessão de Cinema, de Peter Bogdanovich

última sessão de cinema

O Sopro no Coração, de Louis Malle

sopro no coração

Loucuras de Verão, de George Lucas

american graffiti

La Luna, de Bernardo Bertolucci

la luna

Vidas Sem Rumo, de Francis Ford Coppola

vidas sem rumo

Aos Nossos Amores, de Maurice Pialat

aos nossos amores

Clube dos Cinco, de John Hughes

clube dos cinco

Conta Comigo, de Rob Reiner

conta comigo

Água Fria, de Olivier Assayas

água fria

A Vida de Jesus, de Bruno Dumont

a vida de jesus

Elefante, de Gus Van Sant

elefante

Eu Matei Minha Mãe, de Xavier Dolan

eu matei minha mãe

As Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bodanzky

as melhores coisas do mundo

Poder Sem Limites, de Josh Trank

poder sem limites

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