Abraham Lincoln

A Mocidade de Lincoln, de John Ford

O homem de fala ponderada é, antes, Henry Fonda. O mesmo tom seria visto depois em As Vinhas da Ira e, mais tarde, em 12 Homens e Uma Sentença: uma voz com apelo à calma, ao pensamento, à justiça, da qual, com o texto correto, encontram-se certezas. Tipo certo, portanto, para o moço Abraham Lincoln de John Ford.

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Não que a questão física não se faz notar: Fonda empresta sua altura, sua expressão pacata mas incansável, a fórmula do bom homem. Em um futuro vilão, provaria sua versatilidade, e até causaria estranheza: o homem que mata mulheres e crianças no faroeste Era Uma Vez no Oeste, de Sergio Leone, ainda é Henry Fonda.

Para A Mocidade de Lincoln seria necessária alguma transformação física: os olhos estão mais fundos, a face de aparência empalhada – para não dizer fantasmagórica – confere velhice precoce, o cabelo e o nariz são maiores que o normal. Tudo concentrado sobre um corpo magro e alto, na figura do líder de passos lentos.

É, antes de presidente, antes de mito, o advogado com faro para as causas certas, para os inocentes que precisam de ajuda. Gente dos rincões, de natural bondade, à qual as idas à cidade, para celebrar patriotismo, custam caro. Em uma delas, dois rapazes honestos envolvem-se em uma briga e um homem termina morto. Ambos são acusados de homicídio, crime presenciado pela própria mãe dos visitantes.

Presos, eles contam apenas com Lincoln, ou Abe. O herói percebe a honestidade da qual o espectador não duvida: ao longo da obra, Ford deixa claro quem é quem, os lados do tabuleiro e, sobretudo, a que presta sua aparente história esquemática. Mais que lançar luz aos abusos da construção de personagens, interessa a Ford só uma delas.

Mais que mirar nos jovens, ou na turba enlouquecida, ou nos belos moços e moças que observam o protagonista com curiosidade, o cineasta recorre ao herói em formação, ao político de olhos fundos, de discurso singelo em primeira aparição. Um filme sobre Lincoln a partir de seu passado, sobre o mito desde cedo desavergonhado.

Para alguém como ele, ficam certezas, igualmente o silêncio, a ponderação; é uma personagem que pode inclusive cravar piadas para chamar a atenção da plateia – e do júri, além do farrista juiz – enquanto desempenha o papel de advogado de defesa. Alguém que não ri da própria piada, que prefere a graça simples, a do homem do campo.

Desse meio, como se vê no primeiro discurso, sai Lincoln: um rapaz que fala o que pensa e fala com sentimentos, real em sua calmaria, em seu desfilar de terno e cartola sobre o lombo do burro. A ele não cabe outra posição senão a do homem consciente da justiça, como se lhe fosse intrínseca – como será ao Lincoln de Steven Spielberg.

Ao Lincoln de Ford – como ao de Spielberg – não cabem a masculinidade, a explosão de fúria, qualquer ato que extrapole o discurso da ordem: a esses criadores classicistas, o homem em questão já era pedra, estátua, pintura, contra sua nação conflituosa e marcada, em maioria, por justiceiros de plantão, a certa altura dispostos a invadir uma delegacia, retirar os jovens encarcerados e enforcá-los em praça pública.

O jovem Lincoln de Ford tem suas respostas estampadas na pele, no cinema clássico e ordenado que o diretor de raízes irlandesas sabia guiar como poucos. Um mito de certezas que, ao fim, caminha rumo à tempestade, ao seu futuro como líder máximo do país.

Herói fora de moda, talvez. Alguém que só pode terminar como estátua, o que ratifica sua verdadeira estatura. O compromisso com a realidade, em Ford, diz respeito aqui à essência do espírito do ser honesto. Em certo sentido, sua personagem é espírito. Nada é real. O diretor acredita em Lincoln, concede-lhe face humana e não menos misteriosa.

(Young Mr. Lincoln, John Ford, 1939)

Nota: ★★★★★⤴

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Conspiração, de Anthony Mann

A emoção está nos espaços, no deslocamento, na maneira como Anthony Mann lança sua personagem por corredores intermináveis, entre idas e retornos. O homem, policial sem insígnia, precisa descobrir a rede de conspiradores que tramam a morte do então presidente Abraham Lincoln em uma nação à beira da guerra civil.

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É fácil apontar sua fragilidade: a história é diferente, Lincoln não foi assassinado durante a viagem que o levaria a Washington, após vencer as eleições. Bom ir com calma: em Conspiração, Mann não está interessado no destino final da locomotiva. Destacam-se os esconderijos, as máscaras que escondem os conspiradores.

E desse meio de máscaras vê-se um pouco – ou muito – de um país. Ou apenas uma dissimulação, pessoas que fingem cavalheirismo, que mentem o destino que pretendem tomar: deveriam descer em uma estação, mas descem em outra. O trem – com suas separações, sua gente rica, seus criados, seus militares como soldadinhos de chumbo – é um belo resumo de uma nação ainda não unificada, de demônios à vista.

Restam não os fins. Fica o espaço em que corre a ação, pelo qual Mann, outra vez, prova gigante talento. Do plano inicial quase nasce outro filme: a calma como compõe a chegada da locomotiva, sem trilha sonora, à medida que sobem os créditos, faz parecer um filme mais longo. E ainda que a metragem seja curta, Mann não acelera.

Assume-se aqui o filme histórico pequeno, não mais que uma fita policial – e que não chega a ser um noir. Seu herói nada tem de anti-herói: em Dick Powell, como John Kennedy, vê-se o tipo perfeito ao cinema clássico, ao qual o mesmo serviu bem e em muitos filmes. Faz tudo para revelar quem são os homens que pretendem matar o presidente.

Algumas situações – grandes ou pequenas – correm ao lado, sem que ele veja. Sinais chegam primeiro ao público. Na primeira estação, por exemplo, Lincoln é demonizado por um jornal. A vitória do presidente ainda não é aceita por alguns grupos ligados ao poder. Os diálogos não escondem o ranço dos supostos civilizados.

Alguns momentos beiram o suspense hitchcockiano, como a sequência em que o vilão avisa o comparsa sobre a presença do presidente ao escrever no vidro da janela. O outro só consegue enxergar a mensagem quando a lê através de um reflexo. A sequência, de tão cinematográfica e engenhosa, é de difícil descrição.

Talvez resuma o próprio filme de Mann: é de mensagens escondidas, para se ler não sem dificuldade, que é feito. As pessoas que correm ali – o policial honesto, o militar cínico, o rapaz usado como massa de manobra pelos conspiradores, a escrava consciente de sua posição inferior, além das pequenas personagens, como o funcionário que tenta colocar ordem no trem e é incapaz de enxergar o problema – são velhas conhecidas.

A câmera registra o movimento de Kennedy, de uma extremidade a outra do vagão, sem sair do mesmo eixo, em movimento panorâmico. O uso dos espaços aprofunda o suspense, depois a ação, a agonia da espera. Com a chegada do trem à cidade, os assassinos revelam seus planos à medida que o universo externo é mostrado, incluindo a janela na qual o atirador estará posicionado para matar o novo presidente dos Estados Unidos.

Nada está fora do lugar em Conspiração. Nem o presidente, real, mítico, guardado em uma das cabines não invadidas, de olho no futuro. É um filme político, nada ingênuo, um recorte sem respostas claras composto por homens determinados, forma como se imagina alguns heróis do passado. O que inclui um destemido policial do cinema clássico.

(The Tall Target, Anthony Mann, 1951)

Nota: ★★★★☆

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A integridade de James Stewart em dois faroestes de Anthony Mann

Jackie, de Pablo Larraín

A moça insegura que caminha pelos cômodos da Casa Branca, que apresenta o belo espaço aos espectadores, é a propaganda da mulher ideal: pequena, sorridente, chique, alguém a se fazer cartão de visitas de um país cheio de conflitos, em sua grande casa.

Às câmeras, enquanto é acompanhada pelo apresentador, antes de encontrar o presidente, Jackie Kennedy esforça-se para ser o que se espera dela: a primeira-dama perfeita, alguém que assume o espaço que então cabia às mulheres que doaram suas vidas para estar ao lado de líderes. Em suma, uma coadjuvante de luxo.

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O fato de estar à frente do vídeo, em Jackie, dá logo a ideia da posição feminina como líder da casa – aqui, a grande casa, o palácio imponente contra sua estrutura pequena, humana – enquanto o marido serve o lado de fora, a nação em tempos de Guerra Fria.

Nas horas que sucedem a morte de John Fitzgerald Kennedy (Caspar Phillipson), a pequena e bela Jackie terá de assumir a frente de um “espetáculo” sem roteiro, em algum momento – na verdade, em vários – fora da grande casa que ajudou a decorar.

A coadjuvante torna-se protagonista, o rosto que a nação espera estampado no funeral – ainda que esse mesmo rosto, no desfile de roupas pretas, pela rua, atrás do caixão, seja coberto por véu escuro. Deverá mostrar que é possível superar e seguir em frente.

O filme do chileno Pablo Larraín estrutura-se em mais situações além das duas citadas, entre a gravação do filme no interior da Casa Branca e o drama das horas após a morte do presidente. Há também o diálogo com um padre e o eixo que dá vida à história que retorna: a entrevista – em misto de combate – a um jornalista (Billy Crudup).

Ao padre (John Hurt, de rugas propositalmente expostas), a frágil boneca de porcelana confessa o desejo de morrer, como sua possível culpa ao tentar escapar do carro quando o marido levou tiros na cabeça, em desfile aberto, em Dallas (como se sabe, Jackie chegou a subir na parte traseira do veículo, como em uma tentativa de fuga).

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Com a morte do marido, o “rei” de Camelot, como entoa a canção preferida do líder, a “rainha” vê-se sozinha, ao espelho, ainda suja de sangue. Depois tem de enfrentar os rituais, como assistir ao juramento de Lyndon Johnson (John Carroll Lynch), no interior do avião presidencial, ainda em solo texano, e com o vestido ainda sujo de sangue.

Impossível não perceber o desprezo de Jackie aos apegados ao poder. A resposta dela é levar à frente o espetáculo, mesmo quando não parece ter total ideia do resultado: ela deseja, sobretudo, entregar ao marido o funeral digno de um rei. Não à toa, deseja saber como Lincoln foi enterrado, para talvez produzir algo à altura.

A menina que não mostrava grande intimidade com o show, mesmo em seu espaço privado, terá de lidar com a imagem que ficará para a posteridade. Com Jackie, Larraín mostra os bastidores da tragédia histórica servidos por gente comum, o que justifica as andanças da primeira-dama – entre quartos, à frente do espelho, no banho.

De lábios trêmulos, Natalie Portman pontua cada palavra vinda de Jackie: é como se seu jeito vacilante, quando se expõe às câmeras pela Casa Branca, fosse não mais que a propaganda de uma pessoa que não sabe lidar com a grandeza. É como se dissesse que qualquer mulher jovem e dedicada podia ser Jackie. E isso, claro, não é verdade.

(Idem, Pablo Larraín, 2016)

Nota: ★★★☆☆

Veja também:
O Clube, de Pablo Larraín

Os Oito Odiados, de Quentin Tarantino

A diligência representa o espírito do Oeste. Em seu interior podem conviver homens e mulheres diferentes, todos a cruzar o país em formação. É justamente o que se vê no maior clássico do gênero, No Tempo das Diligências, de John Ford.

Até chegar a Quentin Tarantino, o gênero passou por inúmeras mutações: de heróis, alguns caubóis transformaram-se em bandidos e fujões, as mulheres não eram mais confiáveis, os xerifes podiam ter medo e se render aos arruaceiros.

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Com Os Oito Odiados, Tarantino de novo convoca a imagem da diligência: em suas primeiras cenas, uma delas cruza a gélida paisagem e, no interior, leva um caçador de recompensas (Kurt Russell) e uma criminosa (Jennifer Jason Leigh) condenada à forca.

No caminho, eles encontram outro caçador de recompensas (Samuel L. Jackson), um negro que sobreviveu à Guerra Civil defendendo o Norte, munido de uma carta que teria recebido de ninguém menos que o presidente americano Abraham Lincoln.

Ainda no meio do caminho, e antes de chegarem à casa de madeira na qual boa parte do filme desenrola-se, encontram outro homem, um sulista ressentido, falastrão, a típica personagem cômica aparentemente medrosa, aqui um futuro xerife.

Aos poucos, Tarantino compõe, dentro de regras estritas, sua visão da História americana – às vezes deturbada, às vezes verdadeira – a partir de um bando de trapaceiros e inconfiáveis, sem qualquer heroísmo, presos a alguns velhos rituais.

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E, também aos poucos, e à medida que o filme ganha doses de sangue, todas essas figuras começam a destruir suas próprias máscaras: a certa altura, ninguém escapará de falsidades e interesses – talvez à exceção do cocheiro, que morre cedo.

Os problemas envolvem duas questões: a moça condenada à morte, para quem existe um plano de resgate, e as diferenças entre essas personagens, entre homens do norte e do sul, entre negros, brancos e mexicanos.

A exemplo de outros filmes de Tarantino, os homens não hesitam em apontar diferenças. Sob gritos, resta a falsa importância do ritual, das regras, dos documentos que, no fundo, para nada servem – e tampouco impedirão o derramamento de sangue.

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Sem heróis e vilões, Tarantino escancara os podres de sua nação – não a partir de fatos concretos, mas de diálogos, olhares, tipos estranhos, de estereótipos sobre estereótipos, da falsa ideia de cavalheirismo e respeito, o que invariavelmente expõe o desejo no interior de cada um: sacar suas armas e matar uns aos outros.

No fundo, o filme resume-se à selvageria. Tarantino compõe personagens e intenções com longos diálogos e as sucede com balas cruzadas. Quem ficou assustado com a famosa cena em que John Travolta mata acidentalmente um rapaz negro em Pulp Fiction, no banco do carro, pode esperar por mais sangue e miolos.

Em cena, o destaque fica com Samuel L. Jackson, especialista em criar tensão, em mesclar alegria e dor, ou apenas em satisfazer os desejos do público com seu olhar cruel. O que importa, diz, é o prazer de estar ali.

Nota: ★★★☆☆

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Hitler (em 10 filmes)

Oito filmes recentes sobre a política feita por políticos

Há filmes em que a política é feita por gente comum, em relações cotidianas, greves e revoluções. E há aqueles em que a política serve quase sempre como manutenção do poder, quase nunca às causas nobres. A lista abaixo se situa nesse campo.

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As salas fechadas e os conluios de bastidores dão o tom dos filmes, de países e diretores diferentes – alguns inclinados à comédia e até ao suspense. Presidentes, senadores, ministros – todos com seus segredos e pecados em evidência.

W., de Oliver Stone

Depois de abordar alguns momentos conturbados dos Estados Unidos, como a Guerra do Vietnã e a morte do presidente John Kennedy, Oliver Stone leva à tela uma das figuras mais controversas da política recente: George W. Bush. Mesmo sem o vigor de suas obras passadas, como Platoon e Nascido em 4 de Julho, o filme tem momentos interessantes e engraçados, como o “batismo” do jovem Bush na universidade.

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Il Divo, de Paolo Sorrentino

Homem aparentemente pacato, o senador italiano Giulio Andreotti mais parece um vampiro. Articulador de bastidores, sempre de fala lenta, ar sinistro. Difícil não pensar em Nosferatu, o monstro sem alma. O papel cabe a Toni Servillo, fiel colaborador do cineasta. O filme – como a personagem – não é fácil, sobretudo porque o político nunca se assume um vilão. Sorrentino oferece uma figura repulsiva e distante.

il divo

Tudo Pelo Poder, de George Clooney

Uma sequência resume a briga pelo poder e a política nos tempos atuais: um assessor entra no carro do líder vivido por Clooney e, sem acompanhar o diálogo no interior, o espectador já sabe o que ocorreu: ele foi dispensado. Nesse jogo de bastidores cheio de tramoias, passado na corrida pelas eleições americanas, há um assessor (Ryan Gosling) que sabe demais e que, a certa altura, deverá deixar o idealismo de lado.

tudo pelo poder

O Exercício do Poder, de Pierre Schoeller

Nesse filme extraordinário, o ministro dos Transportes da França encara diferentes desafios. O acidente de ônibus com crianças é apenas o início de seu “inferno astral”, que ainda inclui a guerra de egos com outro ministro, as pressões para privatizar terminais de trem e a morte de seu motorista em uma estrada ainda não inaugurada. O talentoso Olivier Gourmet dá o tom ideal para essa personagem sob pressão.

o exercício do poder

Lincoln, de Steven Spielberg

O diretor de A Lista de Schindler reconstitui as articulações de Abraham Lincoln para aprovar a emenda que possibilitaria o fim da escravidão. Apesar de traços de bondade e justiça em excesso nos trejeitos de Daniel Day-Lewis, o filme é lúcido na amostragem das negociações para a compra do voto dos políticos da oposição, os democratas. Passa-se durante a Guerra Civil, com um Tommy Lee Jones na medida.

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O Palácio Francês, de Bertrand Tavernier

Interessante filme sobre o poder do discurso político, a partir da situação de um tal Arthur Vlaminck (Raphaël Personnaz), que da noite para o dia se torna responsável pelos textos do ministro das Relações Exteriores da França. O talentoso Tavernier explora as bobagens do político distante das falas públicas, em suas repetições e exageros – com o olhar do jovem que passa a conviver nos bastidores.

o palácio frances

Viva a Liberdade, de Roberto Andò

A trama central pode parecer batida: homem assume o posto de seu gêmeo quando este, um político influente, sai de cena. O problema – ou não – é que o novo líder fala o que vem à mente, o que, em seu caso, passa a ser positivo. E muda a própria imagem dos outros a respeito do irmão sumido, como da própria política: o que vence é a espontaneidade, a liberdade para dizer o que quiser. Na política, algo raro.

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Getúlio, de João Jardim

Como Lincoln, faz-se em salas fechadas, com acordos, pressões. Por outro lado, é sobre perdas. É sobre a solidão do presidente, que prefere a tragédia e assim entrar para a história à possibilidade de sair algemado – como visto em seus pesadelos – do Palácio do Catete. Como Getúlio Vargas, Tony Ramos tem boa interpretação. Nele, vê-se a fragilidade do poder, a impotência do líder que se suicida para se eternizar.

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