Abderrahmane Sissako

20 grandes filmes sobre a (difícil) vida em comunidade

Cidades, povoados, bairros. Em todos os filmes abaixo, surgem diferentes grupos e relações. O contato entre seres nem sempre é fácil. Ou quase nunca o é. Os filmes são de tempos distintos, distantes em visual e estilo de direção. Dão, contudo, uma boa amostra da difícil relação entre pessoas na tela do cinema. Abaixo, 20 filmes que merecem atenção.

M, o Vampiro de Düsseldorf, de Fritz Lang

Os criminosos precisam tomar a dianteira quando um serial killer coloca em risco seus negócios. O criminoso ataca crianças e, mais tarde, é colocado em um tribunal improvisado. O filme antecipa o nazismo.

A Mulher do Padeiro, de Marcel Pagnol

Padeiro perde a mulher, deixa de fazer seus pães e a cidade desespera-se para reencontrá-la. O padre não quer seu retorno, o marido aceita se rebaixar. Entre o cômico e o trágico, um belo filme sobre a província.

Sombra do Pavor, de Henri-Georges Clouzot

Moradores de uma cidade aparentemente pacata começam a receber cartas com estranhas mensagens. Pouco a pouco, o espectador descobre mais sobre as personagens. À época, o filme foi incompreendido.

Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock

A vida em comunidade pelo ponto de vista do homem imobilizado, que do aparente equilíbrio dos seres à frente, pela sua lente, passa a assistir ao horror. Um de seus vizinhos pode ter matado a mulher.

Vampiros de Almas, de Don Siegel

O médico à frente da história desconfia que diferentes pessoas, em sua tranquila cidade, foram substituídas por alienígenas. Clássico feito em pleno período de paranoia, na Guerra Fria, pelo talentoso Siegel.

O Grande Momento, de Roberto Santos

O filme acompanha um rapaz no dia de seu casamento, com alguns problemas: lidar com os convidados, pagar as dívidas, aguentar a família da amada e a própria. Em meio a tudo isso, precisa vender a bicicleta.

Bom Dia, de Yasujiro Ozu

Crianças fazem greve de silêncio porque não possuem uma televisão. Os pais recusam-se a aderir à nova tecnologia. Enquanto isso, de casa em casa corre o boato de que uma mulher teria roubado dinheiro.

A Última Sessão de Cinema, de Peter Bogdanovich

Os jovens ouvem velhas histórias perdidas no tempo, assistem aos clássicos no cinema antes que o espaço feche as portas. O sexo é uma fuga. Há desespero por todos os cantos nesse filme apaixonante.

Amarcord, de Federico Fellini

As memórias do diretor na cidade em que cresceu. Por ali, belas mulheres desfilam entre homens, carros cruzam ruelas em alta velocidade, meninos são atraídos pelas curvas femininas e descobrem o sexo.

A Árvore dos Tamancos, de Ermanno Olmi

Ganhador da Palma de Ouro, retrata a vida humilde dos trabalhadores do campo, no dia a dia difícil. O elenco é feito por atores amadores. O resultado é uma obra-prima chamada por muitos de neorrealista.

A Despedida, de Elem Klimov

Outro sobre o cotidiano de pessoas simples em local isolado. A vida de todos se transforma quando o governo faz a retirada dos moradores para a construção de uma barragem, o que causará a inundação do vilarejo.

Underground – Mentiras de Guerra, de Emir Kusturica

Entre a Segunda Guerra Mundial e a Guerra da Bósnia, Kusturica revela a transformação de um grupo de pessoas, por décadas, da Iugoslávia dos dias gloriosos de Tito à dissolução do bloco comunista.

O Show de Truman, de Peter Weir

A vida como maquiagem, no espaço (um estúdio de tevê) em que todos interpretam para o protagonista, Truman, o único que não sabe da farsa. Pouco a pouco ele segue rumo à verdade. E toda a sociedade cai.

Beleza Americana, de Sam Mendes

Os vizinhos observam-se pelas janelas. Um deles recorre à câmera de vídeo. Por ali, um casal homossexual tenta se aproximar, um ex-militar não facilita o contato e o protagonista deseja voltar à juventude.

Dogville, de Lars von Trier

O cineasta conhecido por seu radicalismo retira as paredes e, em contraponto ao visual falso, leva a situações duras do cotidiano, na pequena cidade à qual a protagonista vê-se alienada e escravizada.

A Fita Branca, de Michael Haneke

Diretor famoso por filmes frios e sem concessões, Haneke aborda o grupo, a pequena cidade em que ocorrem crimes estranhos. O ambientação chega ao terror. A época ajuda: estão à beira da Primeira Guerra.

A Caça, de Thomas Vinterberg

Mais do que sobre um homem perseguido, acusado de pedofilia, a obra de Vinterberg aborda a intolerância daqueles que o rodeiam. Perto do fim, o mesmo homem vai à igreja para encarar os outros.

O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho

Retrato da difícil relação entre pessoas em um bairro rico de Recife, no qual os extremos tocam-se com alguma dificuldade. O diretor constrói o mal a conta-gotas, até virar algo insuportável.

Timbuktu, de Abderrahmane Sissako

O filme leva o nome de uma cidade, no Mali, no período em que se vê dominada por extremistas islâmicos. A presença do grupo transforma o cotidiano local. As pessoas passam a ser vigiadas e sofrem abusos.

Três Anúncios Para um Crime, de Martin McDonagh

O belo roteiro de McDonagh aproxima o drama da comédia. Ora ou outra a violência explode na pequena cidade em que uma garota é assassinada e sua mãe, por meio de outdoors na estrada, protesta e cobra a polícia local.

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12 bons filmes recentes que criticam diferentes religiões

As religiões e seus abusos não saem da mira do cinema. Filmes sobre o estado do mundo sob o extremismo religioso são lançados todos os anos. Ainda que alguns voltem ao passado, continuam tristemente atuais. Abaixo, um apanhado recente com diretores variados e talentosos como Michael Haneke e Pablo Larraín.

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O Pecado de Hadewijch, de Bruno Dumont

Dumont não costuma fazer concessões. Seu filme é forte, sobre uma personagem que vive em extremos, estudante de teologia que ama Deus e a quem é dado o passe para viver fora do convento. Ao conhecer rapazes muçulmanos, na França, ela envolve-se em uma teia perigosa.

A Fita Branca, de Michael Haneke

Passa-se em uma vila, uma sociedade fechada, sob a extraordinária fotografia em preto e branco. Nos dias que antecedem a Primeira Guerra Mundial, tudo remete à maldade – não a de um, mas a do grupo. O vilão é o próprio mal nesse filme que termina no interior de uma igreja.

Habemus Papam, de Nanni Moretti

Bela comédia sobre o homem por trás do grande líder religioso da Igreja Católica, o papa. Aqui, o novo homem a desempenhar o papel, a acenar à multidão, não deseja o ofício. Para descobrir a si mesmo, ele sai às ruas da Itália e se vê enredado, de novo, pelo teatro. Brilhante e engraçado.

Fora de Satã, de Bruno Dumont

Dumont, de novo. O cineasta gosta dos ambientes rurais, de “outra” França. A menina em questão é Alexandra Lemâtre, um pouco masculina, na companhia de um rapaz mais velho. Nessa jornada, eles cometem crimes enquanto tentam se aproximar de Deus.

Além das Montanhas, de Cristian Mungiu

O romeno Mungiu leva ao ambiente frio, isolado, onde está um monastério. Duas meninas, uma relação estranha que inclui o desejo físico. Uma delas está presa ao local, a outra tenta libertá-la. Dor, silêncios, o sentimento da passagem do tempo.

Calvário, de John Michael McDonagh

Brendan Gleeson brilha no papel de um padre ameaçado de morte durante uma confissão. Enquanto ele vaga entre os fiéis de seu rebanho, descobre mais sobre a sociedade ao redor. Não se trata de um filme sobre revelar o assassino, mas sobre lidar com o mal.

14 Estações de Maria, de Dietrich Brüggemann

Filme pesado sobre uma menina que se desintegra pouco a pouco, em 14 atos em que se vê tomada pela religiosidade. Em cena, a pequena Maria (Lea van Acken) reproduz os passos de Cristo. O diretor Brüggemann executa seus 14 atos com longos planos-sequência, sem cortes.

O Novíssimo Testamento, de Jaco Van Dormael

Deus é um homem mau e desleixado que agride a mulher e maltrata a humanidade. Certo dia, sua filha escapa ao mundo real e passa a convocar novos apóstolos. É quando o mesmo Deus (Benoît Poelvoorde) sai em sua busca e tenta fazer com que tudo volte a ser como antes.

O Clube, de Pablo Larraín

Esse grande filme de Larraín mostra o cotidiano de alguns padres excluídos da vida social, em um “clube” à beira-mar. São padres pedófilos que ainda convivem sob os ecos de seus pecados, com seus próprios conflitos, ora ou outra perseguidos pelos erros do passado.

Timbuktu, de Abderrahmane Sissako

O título refere-se à cidade do Mali, na qual extremistas islâmicos tomam o poder e impõem suas próprias regras. Impedem as pessoas de ouvir música, de se casar com quem desejam, além da vigia constante. Sissako traça um panorama triste do extremismo que resiste na África.

Spotlight, de Tom McCarthy

Outro filme recente sobre pedofilia. Os padres, criminosos, pouco são vistos. O que interessa à câmera de McCarthy é o trabalho dos jornalistas do Boston Globe, que descobrem as histórias obscuras envolvendo os líderes religiosos – e a força da igreja para tentar escondê-las.

Agnus Dei, de Anne Fontaine

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, uma jovem médica (Lou de Laâge) da Cruz Vermelha termina em um convento no qual as freiras estão grávidas, após serem abusadas por nazistas e soviéticos. O problema é que nem todas desejam revelar os crimes.

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Os 20 melhores filmes de 2015

Em um ano com tanto a esquecer, o cinema merece ser lembrado. São grandes não apenas os filmes da lista abaixo, mas também os ausentes. Muita coisa boa ficou de fora, obras marcantes como La Sapienza, Mia Madre, Mapas para as Estrelas, Casadentro e o recente e divertido Star Wars: O Despertar da Força. Que venha 2016!

20) Phoenix, de Christian Petzold

Sobrevivente do Holocausto muda de face e aceita interpretar um papel para se aproximar do marido traidor. Outra bela parceria entre Petzold e a atriz Nina Hoss.

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19) Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan

Após o extraordinário Era Uma Vez na Anatólia, Ceylan entrega mais um grande filme, com longos diálogos, drama que envolve família, cobiça e delinquência juvenil.

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18) Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller

Espetáculo embalado a muita gasolina e tipos estranhos: o herói que passa boa parte do filme preso, a heroína de braço mecânico e os rapazes brancos e suicidas, entre outros.

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17) Adeus à Linguagem, de Jean-Luc Godard

O senhor Godard mais uma vez leva ao radicalismo e segue fiel à experimentação: ao dar adeus à linguagem cinematográfica convencional, não deixa ninguém indiferente.

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16) Timbuktu, de Abderrahmane Sissako

Filme urgente em tempos de extremismo, passado em uma pequena cidade aterrorizada por tipos armados, cujo sentido da imagem inicial retorna ao fim: a caça ao inocente.

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15) Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), de Alejandro González Iñárritu

O jogo teatral é utilizado para questionar o cinema, a fragilidade do sucesso, a busca – tão atual em tempos de internet – pelo segundo seguinte, sob a ótica do estranho protagonista.

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14) Casa Grande, de Fellipe Barbosa

A exemplo de Que Horas Ela Volta?, mas não com a mesma exposição, mostra a relação entre patrões e criados, entre o pai que perde dinheiro e o filho transformado.

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13) De Cabeça Erguida, de Emmanuelle Bercot

O garoto, vivido por Rod Paradot, não é fácil de engolir: revoltado com frequência, confrontador, que descobre a vida adulta aos trancos, com muitas quedas.

de cabeça erguida

12) O Julgamento de Viviane Amsalem, de Ronit Elkabetz e Shlomi Elkabetz

A peregrinação de Viviane, que tenta o divórcio por anos e termina julgada pelos homens que a cercam, incluindo juízes retrógrados e o marido inflexível.

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11) A Gangue, de Miroslav Slaboshpitsky

Os jovens deficientes auditivos formam uma gangue implacável: assaltam, torturam, aliciam meninas e tentam conviver entre si, em uma instituição de paredes frias.

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10) Força Maior, de Ruben Östlund

A imagem da bela família desmorona. Os problemas começam com a fuga do pai, que não fica para ajudar a mulher e os filhos na ocasião de uma avalanche.

força maior

9) Chatô, O Rei do Brasil, de Guilherme Fontes

Retrato do próprio Brasil, cheio de exageros, no qual o protagonista, Assis Chateaubriand, diverte-se ao mesmo tempo em que acumula poder e muda a história.

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8) O Pequeno Quinquin, de Bruno Dumont

É difícil descrever o filme de Dumont, sua primeira comédia. Inclui meninos à beira mar, um cadáver escondido no interior de uma vaca e policiais desastrados.

o pequeno quinquin

7) Dívida de Honra, de Tommy Lee Jones

Faroeste classe A que revisa o gênero, sobre uma diligência formada por uma solteirona, um beberrão e três mulheres enlouquecidas. Obra de mestre.

dívida de honra

6) Dois Dias, Uma Noite, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

A odisseia de uma mulher em busca de seu emprego, em contato com outros funcionários do trabalho, em um retrato do capitalismo no mundo atual.

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5) O Segredo das Águas, de Naomi Kawase

Garota descobre o amor ao mesmo tempo em que assiste aos últimos dias da vida da mãe. Em paralelo, um crime é investigado na cidade à beira mar em que vivem.

o segredo das águas

4) Leviatã, de Andrey Zvyagintsev

O drama familiar mistura-se à corrupção política no incrível filme de Zvyagintsev, autor dos também ótimos O Retorno e Elena. Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro.

leviatã

3) As Mil e Uma Noites: Volume 1, O Inquieto, de Miguel Gomes

A primeira parte da fantástica trilogia do português Gomes retrata a crise em seu país e na Europa a partir das histórias ficcionais de Xerazade.

as mil e uma noites

2) As Maravilhas, de Alice Rohrwacher

Entre o velho mundo e a modernidade, menina sonha em levar sua família a um programa de televisão. Ao mesmo tempo, tem de lidar com as irmãs e o pai bruto.

as maravilhas

1) Norte, o Fim da História, de Lav Diaz

A situação de Raskólnikov, o protagonista de Crime e Castigo, é o ponto de partida para esse filme filipino de quatro horas de duração. Não houve obra mais bela lançada nos cinemas brasileiros em 2015. É feita de longos planos-sequência, com diálogos que aos poucos revelam a profundidade das personagens, tomadas pela ideia de um universo supostamente sem sentido ou pela necessidade de simplesmente seguir em frente.

norte o fim da história

PS: Todos os filmes da lista foram lançados no Brasil em 2015.

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Timbuktu, de Abderrahmane Sissako

Sobre os tetos de Timbuktu, no Mali, extremistas islâmicos vigiam cada movimento. Eles avisam sobre as proibições: os moradores – sob a mira de suas armas, de sua intolerância – não podem ouvir música, ficar à toa em frente às casas, nem jogar futebol.

Não podem fazer uma série de outras coisas, como se vê, em diferentes exemplos, ao longo de Timbuktu, de Abderrahmane Sissako.

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A cidade que dá nome ao filme, no período em que ocorre a dominação do grupo, resume o atraso perpetrado pelo fanatismo, pela fé cega. Esses homens apoiam-se na religiosidade para justificar a repressão: não suportam qualquer amostra de liberdade, ou qualquer característica considerada ocidental.

Na pequena cidade, as pessoas precisam mudar suas atitudes. As mulheres sequer podem deixar as mãos à mostra. Uma delas, ainda no começo, rebela-se e coloca os punhos à frente, para que os extremistas arranquem fora.

O diretor Sissako não deixa que homens armados inclinem-se à caricatura. O que mais assusta é justamente a naturalidade da barbárie. E a forma como eles não resistem àquela forma de vida, ao aprisionamento.

Um momento chama a atenção. Novo entre os rebeldes, um rapaz não consegue declarar com paixão sua entrada ao grupo, enquanto grava um vídeo. O homem que controla a câmera tenta ajudá-lo, mas nada sai. Apesar da violência e de sequências fortes, é a partir de momentos assim, de puro desconforto, que Timbuktu revela grandeza.

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Por ali, entre ventos de areia e gente coberta da cabeça aos pés, os moradores não têm muito a fazer. Um rapaz é repreendido por ter jogado futebol e, em uma sequência seguinte, vê-se um grupo de rapazes jogando com uma bola imaginária. Dois rebeldes cruzam o campo, observam – talvez sem entender – a partida.

Perto da cidade vive um homem com a mulher e filhos. Certo dia, por causa da morte de uma vaca, ele mata outro homem, um pescador local. Para atitudes como essa, não resta perdão: ele termina preso e os extremistas aplicam o julgamento.

O extremismo altera a vida de todos, não se deixa entender. Às vezes vem o diálogo, mas quase sempre ele não vai além da cegueira: os novos donos da cidade sempre têm suas versões prontas, o jeito de fazer valer a jihad.

Há, por exemplo, o casamento forçado entre um rapaz e uma moça, contra o desejo da mãe dela; também a mulher que é chicoteada após ouvir música à noite, na companhia de outro homem; ou mesmo o motociclista perseguido, em meio ao deserto, por ter levado uma mulher para ver a execução do marido.

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Na abertura, esses rebeldes caçam um pequeno antílope. As imagens expõem o absurdo: o bando armado de um lado, o pequeno animal de outro. Antecipa o que vem pela frente: a liberdade próxima ao fim.

A melhor definição ao filme dá-se no momento em que um homem armado atira contra a pouca vegetação do deserto. Por alguns instantes, Sissako apresenta o que sobrou do verde entre montes de areia, como algo perdido, em desvantagem, como se a vida – ou o que sobrou dela – estivesse ameaçada pelo monstro ao redor.

Nota: ★★★★☆