A Bela que Dorme

Os dez melhores filmes com Isabelle Huppert

O velho clichê das coisas que melhoram com o tempo, a exemplo do vinho, cabe a Isabelle Huppert. A pequena senhora agiganta-se em papéis desafiadores, como se vê no recente Elle, de Paul Verhoeven, que lhe garante uma posição entre as melhores atrizes de 2016. E o longa é muito mais que um retrato da mulher abusada.

Sua carreira atravessa décadas, sempre com diretores conhecidos e mesmo em outros países, como os Estados Unidos. Filmou com Michael Cimino, por exemplo, o desastroso – porém monumental – O Portal do Paraíso. Nas filmagens, recebeu a visita de ninguém menos que Jean-Luc Godard, que a convidou para trabalhar em Salve-se Quem Puder – A Vida, lançado em 1980.

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Também esteve em filmes de grandes cineastas como Claude Chabrol, Bertrand Tavernier, Maurice Pialat, André Téchiné, Benoît Jacquot e Michael Haneke. Tornou-se comum esperar, todo ano, por novos filmes com Huppert. O público é sempre recompensado.

10) Um Amor Tão Frágil, de Claude Goretta

A atriz já havia aparecido em uma porção de filmes até chegar à obra inesquecível de Goretta, como a protagonista, a jovem cabeleireira que se relaciona com um rapaz intelectual. A diferença entre eles impõe obstáculos e o fim do relacionamento, mais tarde, é um pouco inexplicável ao espectador. Sensível, merece a descoberta.

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9) Minha Terra, África, de Claire Denis

Filme extraordinário sobre uma mulher que não aceita deixar sua propriedade, em uma África atolada na guerra civil. Seus funcionários já deixaram o local, e a isso se somam problemas familiares e a presença de guerrilheiros armados pela região. Denis, discípula do grande Jacques Rivette, faz um de seus melhores trabalhos.

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8) Paixão, de Jean-Luc Godard

O melhor Godard dos anos 80, no qual Huppert interpreta uma operária, companheira de um cineasta (Jerzy Radziwilowicz) e explorada pelo dono da fábrica (Michel Piccoli). Huppert já havia trabalhado com o diretor francês no anterior e também excelente Salve-se Quem Puder – A Vida, lançado dois anos antes.

paixão

7) A Bela que Dorme, de Marco Bellocchio

As várias personagens fictícias circundam um fato real: a morte de Eluana Englaro, em 2009, levada a cabo por sua família após uma batalha judicial. Bellocchio registra uma Itália dividida. Huppert interpreta uma mulher religiosa que se dedica 24 horas à filha, que se encontra presa à cama, em estado vegetativo.

bela que dorme

6) Loulou, de Maurice Pialat

Difícil compreender a atração por Loulou, a personagem errática de Gérard Depardieu. Esse homem mulherengo capta a atenção de Nelly (Huppert) durante uma festa. Não se separam mais. É o suficiente para ela deixar o antigo companheiro e viver com ele. Os atores voltariam a atuar juntos no recente O Vale do Amor.

loulou

5) Um Assunto de Mulheres, de Claude Chabrol

Nos tempos de guerra, quando a França estava ocupada pelos alemães, a protagonista destaca-se fazendo abortos e vive bem, com roupas caras e sem dar muita bola ao marido militar. Um dos vários trabalhos interessantes que a atriz fez em parceria com o cineasta, com quem voltaria a se encontrar em Madame Bovary e A Comédia do Poder.

um assunto de mulheres

4) A Professora de Piano, de Michael Haneke

A pianista Erika Kohut (Huppert) mantém uma relação conflituosa com a mãe (Annie Girardot) ao mesmo tempo em que passa a ter um caso com um jovem aluno (Benoît Magimel). Ela quebra seu jeito contido com masoquismo e desejos reprimidos. Belo filme de Haneke. Prêmio de melhor atriz em Cannes para Huppert.

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3) O Portal do Paraíso, de Michael Cimino

O fracasso de bilheteria não impediu que fosse redescoberto e, por alguns, colocado no alto das listas de melhores filmes de todos os tempos. Huppert está em meio a um elenco grande, em uma história sobre a luta de estrangeiros contra proprietários de terras cheios de xenofobia – tema que continua atual.

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2) As Irmãs Brontë, de André Téchiné

Huppert interpreta uma das três escritoras e irmãs, Anne, ao lado de Emily (Isabelle Adjani) e Charlotte (Marie-France Pisier). Há algo misterioso nesse grande filme, com três mulheres reclusas que, a certa altura, tomam rumos distintos. Mas, com suas fotografia em tons escuros, não se trata de uma cinebiografia comum.

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1) Mulheres Diabólicas, de Claude Chabrol

O clima hitchcockiano acompanha certa frieza. Duas mulheres – amigas e talvez um pouco mais – combinam um crime: matar a família que emprega uma delas, a personagem de Sandrine Bonnaire. Huppert é a outra, a companheira que conduz a esse jogo perigoso, no qual ninguém é confiável e cheio de perversão.

mulheres diabólicas

Veja também:
Elle, de Paul Verhoeven
Um Assunto de Mulheres, de Claude Chabrol

Os dez melhores filmes de 2013

A lista alonga-se. Muitos filmes bons chegaram no ano que acabou de terminar, de gêneros e tipos diferentes, de diversas nacionalidades. Há, na lista, do filme brasileiro sobre um cabaré dos anos 70 à história de uma mulher perdida no espaço, em luta pela própria vida. Abaixo, o melhor do cinema em 2013 – na opinião do jornalista que aqui escreve. PS: nem todos os filmes são de 2013, mas foram lançados nos cinemas ou chegaram à apreciação apenas nesse ano.

Veja também

Os piores de 2013

Os que prometeram e entregaram pouco

As melhores atuações

Os melhores de 2012

10) A Garota de Lugar Nenhum, de Jean-Claude Brisseau

Um olhar original sobre o bom e velho anjo da morte, às portas de um pensador.

a garota de lugar nenhum

9) Blue Jasmine, de Woody Allen

O grande cômico americano brinca com a tragédia nessa deliciosa comédia.

blue jasmine

8) Tatuagem, de Hilton Lacerda

O cabaré representa a libertinagem à contramão do militarismo brasileiro.

tatuagem

7) Instinto Materno, de Calin Peter Netzer

Ao centro, uma mãe capaz de tudo para salvar o filho – até mesmo ser uma vilã.

instinto materno

6) O Mestre, de Paul Thomas Anderson

Um homem retorna da guerra e encontra seu mestre – e sua religião.

o mestre

5) Azul é a Cor Mais Quente, de Abdellatif Kechiche

Não era bem uma cor quente até Kechiche expor essa paixão explosiva.

azul é a cor mais quente

4) A Bela que Dorme, de Marco Bellocchio

O mosaico de vidas de Bellocchio traz um trabalho devastador.

a bela que dorme

3) Gravidade, de Alfonso Cuarón

A busca pela gravidade, por estar no mundo, por escapar das amarras da vida.

gravidade

2) Um Estranho no Lago, de Alain Guiraudie

O fim não poderia ser diferente em um filme que tudo mostra: a escuridão.

um estranho no lago

1) A Grande Beleza, de Paolo Sorrentino

Qualquer obra que termine com uma santa lutando para subir uma escadaria já deixa claro o questionamento sobre a vida, e o que faz tudo isso valer a pena. Por que aquela decrépita faz aquilo? A resposta não deixa dúvida: é a vida, a nada doce vida.

grande beleza

E outras belezas do ano passado:

Adeus, Minha Rainha, de Benoît Jacquot

Alabama Monroe, de Felix Van Groeningen

Além das Montanhas, de Cristian Mungiu

Além do Arco-Íris, de Agnès Jaoui

Amor Pleno, de Terrence Malick

Antes da Meia-Noite, de Richard Linklater

Bastardos, de Claire Denis

A Caça, de Thomas Vinterberg

Camille Claudel, 1915, de Bruno Dumont

Dentro de Casa, de François Ozon

Depois de Maio, de Olivier Assayas

Django Livre, de Quentin Tarantino

Elena, de Petra Costa

A Filha de Ninguém, de Sang-soo Hong

Frances Ha, de Noah Baumbach

O Grande Mestre, de Wong Kar-Wai

Hoje, de Tata Amaral

A Hora Mais Escura, de Kathryn Bigelow

Killer Joe – Matador de Aluguel, de William Friedkin

A Memória que me Contam, de Lúcia Murat

Na Neblina, de Sergei Loznitsa

O Passado, de Asghar Farhadi

Reality – A Grande Ilusão, de Matteo Garrone

Rush: No Limite da Emoção, de Ron Howard

Os Suspeitos, de Denis Villeneuve