Perfil

Kubrick segundo Fellini

Kubrick é um grande cineasta e admiro muitíssimo a sua capacidade – guiado pelo sentido que ele tem da imagem, pelo seu grande senso visionário – de variar continuamente de gênero, permanecendo ele mesmo, de Spartacus à ficção científica, da guerra à comédia, ao grande romance inglês. Em comparação a ele, acho que tenho limites bem definidos.

Federico Fellini, cineasta italiano, em entrevista publicada no livro A Arte da Visão – Conversa com Goffredo Fofi e Gianni Volpi (Martins Fontes, pg. 49). Abaixo, Stanley Kubrick nas filmagens de Nascido para Matar.

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Anthony Mann segundo Jean Tulard

Simplicidade e clareza na maneira de contar uma história, preocupação em apresentar o herói antes de tudo como um homem, beleza da imagem não gratuita, mas que serve para situar o cenário da ação: Mann é o cineasta clássico por excelência.

Jean Tulard, escritor e professor, em Dicionário de Cinema – Os Diretores (L&PM Editores; pg. 415).

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O filme que ensinou Wim Wenders a fazer cinema

Foi com esse filme, O Homem do Oeste, que de repente eu entendi como os filmes são feitos. Eu era finalmente capaz de ler toda aquela arquitetura. Claro que poderia ter acontecido com outros filmes – mas, não por coincidência, aconteceu com os de Anthony Mann. Ali, eu percebi como uma cena era construída com planos abertos – Mann fazia planos abertos fantásticos. Só outro mestre, John Ford, alcançava a perfeição de seus planos, planos médios, closes, planos gerais, planos em movimento e steadicam. Claro que você pode aprender isso em qualquer filme, mas eu aprendi a arte de fazer cinema com uma série de filmes de Anthony Mann exibida na Cinemateca [Francesa] – e especialmente com O Homem do Oeste. (…) Em O Homem do Oeste, entendi como um cineasta pode guiar seu olhar, te deixar confortável e te colocar no meio da cena. Entender isso foi um longo passo para mim, quase uma revelação.

Wim Wenders, cineasta, em depoimento ao ciclo Os Filmes da Minha Vida, da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, publicado no livro Os Filmes da Minha Vida 3 (Imprensa Oficial; pg. 21). Abaixo, Gary Cooper em O Homem do Oeste.

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A quintessência da atmosfera noir, segundo Scorsese

Antes e acima de tudo, o film noir era um estilo. Combinava realismo e expressionismo, o uso de locações reais e elaborados jogos de sombras.

Aqui o craque da direção de fotografia John Alton merece uma menção. O mestre nascido na Hungria “pintava com a luz” (esse era o título de seu manual de 1949, que ainda utilizávamos nas escolas nos anos 1960): contrastes extremos de preto e branco, fontes isoladas de luz, posições de câmera sinistras, perspectiva profunda… Os exemplos mais notáveis do trabalho de Alton se encontram nos primeiros filmes de Anthony Mann, tais como Moeda Falsa e Entre Dois Fogos.

Eram pequenas produções B nas quais Alton estava livre para experimentar e frequentemente assumia riscos incomuns. Seu claro-escuro era a quintessência da atmosfera noir. “Não tenho nenhuma dúvida de que a música mais bonita é triste”, observou. “E a fotografia mais maravilhosa é de tonalidade baixa, com pretos substanciosos.”

Martin Scorsese, cineasta, em um capítulo dedicado aos “diretores contrabandistas” em Uma Viagem Pessoal pelo Cinema Americano (co-autoria de Michael Henry Wilson, Cosac Naify; tradução de José Geraldo Couto; pg. 137). Abaixo, uma cena de Entre Dois Fogos, de 1948.

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Oliver Stone: ‘Uma vez no set, o roteiro não significa mais nada’

As filmagens são o momento crítico do filme, pois, bem mais que na escrita ou na montagem, estamos à mercê de acidentes de todo tipo, que podem levar o filme em várias direções diferentes. É por isso que sempre chego ao set com a lista dos dez a vinte planos que pretendo filmar naquele dia, e sempre começo pelos mais importantes. Porque nunca se sabe o que pode acontecer. Pode começar a chover, um ator pode ficar doente, a comida do almoço pode fazer você dormir o resto do dia… Talvez você filme seus vinte planos, mas talvez faça apenas três. Então é muito importante determinar o que é essencial e começar por aí. Geralmente tenho uma imagem bem precisa do filme na cabeça, mas sei que não é o que vou filmar, que isso vai mudar ao longo dos ensaios. Pois os atores trazem muitas coisas, fazem sugestões ou críticas que me obrigarão a rever tudo na última hora. Uma vez no set, o roteiro não significa mais nada. Sobretudo não se deve ser rígido e dizer “não se pode fazer isso, não está assim no script!” O roteiro é uma indicação, nada mais. A realidade do set ultrapassa amplamente tudo o que pode ser escrito no papel. Trabalho sozinho com os atores e mantenho o resto da equipe fora do set enquanto eu não tiver encontrado a essência da cena. Geralmente isso leva uma hora. Às vezes duas. E às vezes não começamos a filmar antes da tarde.

Oliver Stone, cineasta, em declaração a Laurent Tirard em Grandes Diretores de Cinema (Editora Nova Fronteira; pgs. 164 e 165). Abaixo, Stone durante as filmagens de JFK: A Pergunta que Não Quer Calar.

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