Bastidores: A Ricota

No filme, Pasolini deixou explícita sua paixão pela pintura renascentista, recriando com precisão dois célebres painéis da crucificação, de Pontormo e Rosso Fiorentino, através de tableaux-vivants que representariam, na realidade do filme, o “filme” que o cineasta interpretado por Welles estaria – muito improvavelmente – filmando. A exibição desse episódio foi proibida em todas as salas da Itália por “blasfêmia e vilipêndio à religião do Estado”. Processado, Pasolini foi condenado a quatro meses de prisão com sursis. O diretor alegou, em sua defesa, ter criticado apenas as falsas ideias de religião e teve a pena revogada. Durante as filmagens, Pasolini conheceu Ninetto Davoli, garoto da periferia romana que, convidado pelo irmão, que trabalhava no filme, fora ao set para ajudá-lo, como marceneiro, em alguns trabalhos dos cenários: o diretor encantou-se com o jovem de cabelos encaracolados e sorriso aberto e franco, encarnação de seu tipo mais desejado, e convidou-o para trabalhar em seus filmes. Ninetto tornou-se, desde então, presença constante na obra e na vida de Pasolini, sua grande paixão amorosa.

Luiz Nazario, professor e crítico, em seu livro Todos os Corpos de Pasolini (Editora Perspectiva; pg. 45). Acima e abaixo, Pasolini com seu ator Orson Welles nas filmagens e no comando de seu elenco e da câmera.

A Ricota é um dos quatro curtas-metragens que integram o filme Rogopag – Relações Humanas, que também conta com curtas de Roberto Rossellini, Jean-Luc Godard e Ugo Gregoretti.

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