Os 20 melhores filmes de 2021

Em um ano em que, de novo, vivemos em perigo, o cinema compensou com ótimas produções. Não é acaso que nosso filme favorito de 2021 seja justamente um em que as personagens estão confinadas o tempo todo, que aposte na inteligência contra a barbárie do mundo lá fora.

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Mas teve de tudo um pouco: Spielberg, Ferrara e Campion em grande forma, filmes políticos densos, adaptações de obras famosas, experimentações e temas caros à nossa época. Não custa lembrar que a lista leva em conta apenas produções que estrearam nos cinemas e nos serviços de streaming brasileiros em 2021. E que 2022 seja tão bom quanto!

20) Amor, Sublime Amor, de Steven Spielberg

Spielberg conseguiu o que alguns acreditavam ser impossível: retornou ao clássico musical, filmado e premiado em 1961, e o atualizou para nossos tempos. Tem elenco afiado e sequências impecáveis.

19) Notturno, de Gianfranco Rosi

A guerra vista nos detalhes cotidianos de soldados, famílias, desertados, em suma, pessoas comuns que ainda tentam sobreviver ao medo. As imagens de Rosi, capturadas com extrema paciência, não saem da mente.

18) Druk – Mais Uma Rodada, de Thomas Vinterberg

Quatro professores e amigos descobrem um novo começo para suas vidas pessoais e profissionais quando dão início a uma experiência envolta em mais bebida alcoólica no dia a dia, o que também traz problemas.

17) Red, White and Blue, de Steve McQueen

Um rapaz negro nada contra a corrente em sua família e em sua comunidade: resolve ingressar na polícia britânica, considerada racista, e por essa escolha acaba tendo de confrontar um sistema anterior a ele.

16) Berlin Alexanderplatz, de Burhan Qurbani

Outra obra consagrada – esta de Alfred Döblin – ganha uma nova versão. O protagonista agora é um rapaz negro e imigrante que luta para subir na vida, em meio à criminalidade, na Alemanha atual.

15) Caros Camaradas – Trabalhadores em Luta, de Andrey Konchalovskiy

Em pequena cidade da União Soviética, nos anos 1960, trabalhadores de uma fábrica estouram greve. Uma mulher tenta reencontrar a filha operária, desaparecida depois de um ataque a tiros ordenado pelo governo.

14) Identidade, de Rebecca Hall

A estreia de Hall na direção é digna de aplausos. O uso do preto e branco, a bela direção de atores e a delicadeza como conduz essa história de paixões contidas e proibição tornam a experiência inesquecível.

13) Meu Pai, de Florian Zeller

Estamos aqui no labirinto de um homem. Suas dores, seus medos, suas supostas certezas – tudo derrubado e reerguido a cada segundo, com a filha de diferentes faces e um apartamento que ganha outros contornos.

12) Azor, de Andreas Fontana

A tragédia de uma ditadura pelo viés da classe dominante. É a história de um banqueiro suíço que vai a Argentina para tentar restabelecer os negócios do sócio desaparecido – entre militares, religiosos e burgueses.

11) Nomadland, de Chloé Zhao

A América dos sem-teto, dos viajantes que trabalham em serviços temporários para sobreviver. Como Fern, McDormand tem outra atuação estupenda e nos enche de emoção a cada pequena passagem e diálogo.

10) DAU. Natasha, de Ilya Khrzhanovskiy e Jekaterina Oertel

Atores confinados em um espaço de experiências transformado em estúdio. Mergulho total na improvisação. O resultado é um filme perturbador sobre o cotidiano de trabalho e abusos sofridos por uma garçonete.

9) Sibéria, de Abel Ferrara

O título indica não exatamente o local verdadeiro, mas aquele ao qual um homem segue sozinho, o ambiente de seu próprio interior, seu íntimo, suas dores, seu passado e sua loucura que pouco a pouco afloram.

8) Sobre a Eternidade, de Roy Andersson

Uma série de pequenas histórias com as quais o grande Andersson volta a discutir a crise de fé e o vazio de nossa sociedade moderna em composições perfeitas. É quase uma quarta parte da Trilogia do Ser Humano.

7) Undine, de Christian Petzold

O mito da mulher que seduz e conduz o homem às águas é renovado em um filme sobre amores frustrados e amantes que não se tocam. O talentoso Petzold outra vez trabalha com o casal Paula Beer e Franz Rogowski.

6) First Cow, de Kelly Reichardt

Uma história de amizade. Dois homens furtam leite de uma vaca – a primeira da América – para prepararem quitutes que fazem sucesso nas feiras enlameadas de uma nação em formação. Reichardt é gigante.

5) Beginning, de Dea Kulumbegashvili

Na abertura, um templo religioso é incendiado por extremistas. A protagonista é a mulher do pastor, que sofre, resiste e aprende a viver sem os sinais de Deus. Bela estreia de Kulumbegashvili em longa-metragem.

4) Lovers Rock, de Steve McQueen

Como Red, White and Blue, é um dos cinco filmes que compõem a série Small Axe. E é o melhor de todos. Em uma única noite, alguns jovens trancam-se em uma festa e se divertem até o amanhecer.

3) Quo Vadis, Aida?, de Jasmila Zbanic

Algumas horas ao lado de Aida Selmanagic e sua luta para salvar o marido e os filhos durante a Guerra da Bósnia, em 1995. Tradutora em um campo de refugiados da ONU, ela assiste à tragédia sem evitar o pior.

2) Ataque dos Cães, de Jane Campion

Campion em sua melhor forma desde O Piano. No ambiente do faroeste, uma mulher tem de enfrentar os arroubos do cunhado, enquanto o filho dela – motivo de zombaria para os outros – aproxima-se do mesmo.

1) Malmkrog, de Cristi Puiu

Vitória do diálogo e das composições. Tem sequências longas e debate de ideias, um universo ainda intocado pelo barbárie do mundo lá fora. Nessas conversas cabe um pouco de tudo, da cultura à morte. Fascinante.

SOBRE O AUTOR:
Rafael Amaral é crítico de cinema e jornalista (conheça seu trabalho)

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