Boetticher segundo Scorsese

Budd Boetticher explorou os princípios básicos do faroeste. Seu estilo era tão simples quanto seus heróis impassíveis – enganosamente simples. Os arquétipos do gênero eram destilados até a abstração. As touradas tinham sido a primeira vocação de Boetticher. A coreografia das paixões humanas essenciais era seu forte. Nos sete faroestes que fez com Randolph Scott, Boetticher sempre deu mais importância aos personagens que à ação. Cada aventura era um jogo de pôquer e os complexos movimentos dos jogadores eram mais importantes que a meta declarada. No jogo do poder, o herói e o vilão eram figuras complementares: compartilhavam a mesma solidão, os mesmos sonhos e até o mesmo código ético. De algum modo o cavalheiro e o facínora eram fascinados um pelo outro.

Martin Scorsese, cineasta, em Uma Viagem Pessoal pelo Cinema Americano (co-escrito por Michael Henry Wilson. Editora Cosac Naify; pg. 41). Acima e abaixo, cenas de O Resgate do Bandoleiro, destacado por Scorsese e Wilson.

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