Os 20 melhores filmes de 1961

Pense em um ano recente, ou em um ano após os anos 1990 ou ainda antes, os 1980, e tente encontrar algum que reúna tantos grandes filmes e diretores. Sim, é difícil. Com a nouvelle vague em voga, o cinema italiano talvez em seu melhor momento e as renovações em diferentes países do globo, o resultado vê-se abaixo, da 20ª à 1ª posição.

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20) Meu Passado me Condena, de Basil Dearden

Além de ser um grande filme, reserva-se à obra de Dearden a importância histórica de abordar, de maneira direta, a homossexualidade nas telas. E com o sempre magistral Dirk Bogarde como o protagonista.

19) Léon Morin – O Padre, de Jean-Pierre Melville

Quem está acostumado com a forma livremente explosiva de Belmondo nos filmes de Godard pode ter uma feliz surpresa ao encontrá-lo mais sereno, silencioso, como o padre de uma pequena vila francesa.

18) A Presa, de Nagisa Oshima

O retrato cruel da guerra. Não o do conflito direto, mas de seus efeitos. Mostra a maneira como um grupo de camponeses trata um soldado negro, feito prisioneiro em seus domínios. Oshima não poupa ninguém.

17) Todos Porcos, de Shohei Imamura

Outro grande exemplar da nouvelle vague japonesa. Imamura em mais um filme raivoso sobre a juventude sem caminho, pelas ruas e becos, envolvida com a máfia e tendo de sobreviver à luta de gangues.

16) Através de um Espelho, de Ingmar Bergman

A primeira parte da Trilogia do Silêncio. Em um local afastado, uma mulher (Harriet Andersson) começa a ter visões. Suas dores tornam-se cada vez maiores. Mergulho na alma pelas mãos do mestre sueco.

15) Divórcio à Italiana, de Pietro Germi

Chegou a ganhar o Oscar de melhor roteiro original. Germi e Marcello Mastroianni também foram indicados. O astro italiano está impagável como o mulherengo que deseja se livrar da mulher para se casar com a prima.

14) Yojimbo, de Akira Kurosawa

A história do samurai que assiste e influencia na luta de dois clãs acabou por se tornar uma das obras mais famosos de Kurosawa – transformada, depois, em faroeste por Sergio Leone, dando visibilidade a Clint Eastwood.

13) Amor, Sublime Amor, de Robert Wise e Jerome Robbins

Wise fez o que sabia fazer: dirigir. Robbins ficou com as coreografias. Uma penca de Oscar. A versão de Romeu e Julieta para os centros urbanos de gangues e guetos, na metrópole, ainda emociona.

12) A Noite, de Michelangelo Antonioni

A segunda parte da chamada Trilogia da Incomunicabilidade. Certamente a mais “emocional”, para muitos a melhor, sobre um casal em crise que termina na festa de um ricaço, aos olhos de seus convidados.

11) A Moça com a Valise, de Valerio Zurlini

Toda exuberância da musa Cardinale é somada à inocência precisa de Jacques Perrin. Como se viu antes em Verão Violento, poucos cineastas representaram a perda e a mudança do tempo como Zurlini.

10) Paris nos Pertence, de Jacques Rivette

O teatro pelas lentes do cinema. Ou o cinema que se deixar absorver pelo teatro nesse filme fundamental de um dos cineastas mais importantes da nouvelle vague francesa. A renovação em estado puro.

9) Os Inocentes, de Jack Clayton

É, sem exagero, um dos maiores filmes de terror de todos os tempos. Em uma casa grande, a nova governanta tem de lidar com duas crianças e com os fantasmas de pessoas que habitaram aquele local.

8) Madre Joana dos Anjos, de Jerzy Kawalerowicz

A freira. O corpo. A prisão. Kawalerowicz merece ser mais lembrado. Aqui, ele evoca demônios entre mulheres e homens, entre seres presos a seus próprios corpos, em um filme que nos provoca do início ao fim.

7) O Posto, de Ermanno Olmi

O diretor ganharia a Palma de Ouro, mais tarde, por A Árvore dos Tamancos. Sua inclinação ao neorrealismo é evidente. Nesse pequeno grande filme, ele narra o cotidiano de um garoto que tenta um emprego.

6) Viridiana, de Luis Buñuel

A noviça aos poucos se deixar levar pelo universo mundano da casa do tio, pelo pecado que ronda, pela impossibilidade de livrar os pecadores das labaredas do inferno. Buñuel é ácido, vai direto ao ponto.

5) Guerra e Humanidade: Uma Prece de Soldado, de Masaki Kobayashi

Difícil desassociar uma parte da outra. Esta é a terceira do épico de Kobayashi sobre a imbecilidade da guerra. Seu herói esfarrapado perde a alma enquanto caminha por campos abertos e tenta sobreviver.

4) Clamor do Sexo, de Elia Kazan

O desejo pelo namorado faz a menina enlouquecer. As imposições sociais terminam por separá-los. Vem a quebra da Bolsa de 1929 e tudo muda. Muda a América. Kazan registra essa passagem com dor e melancolia.

3) Desafio à Corrupção, de Robert Rossen

Fast Eddie Felson, vivido por Paul Newman, é o melhor na sinuca e destrói quase tudo o que toca – incluindo sua companheira. Ele quer derrotar o Minnesota Fats de Jackie Gleason e dar a volta por cima.

2) Bandidos em Orgosolo, de Vittorio De Seta

Quase um documentário. A realidade pulsa. O diretor filma seres fortes, reais, envolvidos por acaso com o banditismo. É a história de um pastor de ovelhas que vive com seu pequeno irmão nas montanhas.

1) O Ano Passado em Marienbad, de Alain Resnais

Em 1964, o crítico José Lino Grünewald alçou este filme ao topo de seus “Trinta Pilares do Cinema”, à frente de Kane e Aurora. Do que fala essa obra labiríntica? De dois homens e uma mulher, de um castelo e da memória.

SOBRE O AUTOR:
Rafael Amaral é crítico de cinema e jornalista (conheça seu trabalho)

Veja também:
Os 20 melhores filmes do ano 1980

3 comentários sobre “Os 20 melhores filmes de 1961

  1. Muito boa a lista, como sempre. O meu top 10:

    1. O Sol Tornará a Bilhar
    2. Julgamento em Nuremberg
    3. Ano Passado em Marienbad
    4. Cupido Não Tem Bandeira
    5. Viridiana
    6. Yojimbo
    7. Mandacaru Vermelho
    8. Clamor do Sexo
    9. Desafio à Corrupção
    10. Amor, Sublime Amor

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