Jean-Paul Belmondo (1933–2021)

No dia seguinte à projeção de Acossado, tudo muda. Meu telefone não tem mais paz, a ponto de me convencer a mudar de número. Os contratos pululam como os peixes da pesca milagrosa da Bíblia, e os cachês que me oferecem parecem gigantescos. Depois de dez anos lutando para tentar conseguir um papelzinho aqui, outro ali, e para impor meu jeito tão natural de representar, enfim sou reconhecido, amado, requisitado. Dali em diante, as pessoas viriam até mim. E eu não teria mais que me esfalfar arranjando oportunidades de ganhar a vida exercendo minha profissão. A obra-prima de Godard é o meu cartão de visitas.

A glória tinha chegado, por enquanto. Será preciso que dure um pouco mais para que eu me convença completamente. Passei muitos anos de sufoco antes disso para ficar confiante de uma hora para outra, compreendo o significado das palavras “provisório”, e “efêmero”. Tenho, acima de tudo, uma dívida eterna com os cineastas que me escolheram enquanto eu ainda era um nome obscuro, que tiveram a coragem de confiar em mim antes de Acossado.

Jean-Paul Belmondo, ator, em sua autobiografia, Mil Vidas Valem Mais do que Uma (L&PM Editores; pgs. 138 e 139). Abaixo, o ator em Acossado.

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