40 anos sem Glauber

(…) Glauber Rocha (1939 – 1981) parece não raro atropelado pela história. Se Cuba torna viável a utopia revolucionária no início dos 1960, o regime militar soterra essa esperança em 1964. Se, ao longo da década, o Cinema Novo se impõe mundialmente e Glauber conhece o apogeu de seu prestígio, o fechamento no final da década leva-o ao exílio.

E quando, nos anos 1970, a esquerda luta contra os militares, Glauber abre uma dissidência solitária, entende que a ideia de revolução prevalece sobre os conceitos de esquerda e direita e sustenta a hipótese de a revolução nacional ser produzida pelos próprios militares (sem por isso excluir políticos como Miguel Arraes).

O que menos importa, nesse movimento incessante, é saber quando ele está certo e quando está errado. Como disse o crítico Paulo Emílio Salles Gomes (1916 – 1977) a seu respeito, o dever do profeta é profetizar, não é acertar.

E a profecia glauberiana é, como ele, como seus filmes, transbordante, barroca, contraditória, autoritária, generosa, idiossincrática. Não raro, tudo isso a um só tempo.


Inácio Araújo, crítico de cinema, na Folha de S. Paulo (“O Exílio, os Amores e a Prosa Vulcânica de Glauber Rocha”, 19 de agosto de 1997), ao abordar o livro Cartas ao Mundo, de Glauber Rocha (organização de Ivana Bentes). Abaixo, cena de Deus e o Diabo na Terra do Sol.

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