Os dez melhores filmes de Orson Welles

Antes de realizar Cidadão Kane, Orson Welles fez filmes pouco conhecidos, curtas e médias metragens. Um deles, Too Much Johnson, vale a descoberta. Envolvido com o teatro, dirigiu Macbeth com elenco negro e incendiou o rádio com sua versão de Guerra dos Mundos.

Esses exemplos de ousadia e criatividade são refletidos na terra do cinema com o genial Kane, divisor de águas. Mas um artista nem sempre (ou quase nunca) vive em equilíbrio no meio do poder e do dinheiro. Welles teve problemas com seus filmes seguintes e, até o fim da vida, encontrou obstáculos para impor sua arte. Sua obra é grandiosa.

10) Otelo (1951)

O início é poderoso: Otelo e Desdêmona estão mortos. Iago está preso. Conheceremos a história que levou à tragédia. Orson demorou anos para terminar esse filme e com ele ganhou o prêmio máximo em Cannes.

9) A Dama de Shanghai (1947)

Às vezes forte, quase sempre vacilante, o Michael O’Hara de Welles está destinado a perder. Sua narração não esconde seu destino. A confrontá-lo, uma bela Rita Hayworth de cabelos curtos e louros.

8) Grilhões do Passado (1955)

Welles sabia escolher bem suas personagens. O senhor Arkadin serve-lhe à perfeição. É ele quem terá a vida investigada por outro homem, em mais um exercício sobre verdades e mentiras, com ecos de Kane.

7) História Imortal (1968)

Feito para a televisão, dura apenas uma hora. Welles, cheio de maquiagem, aproxima-se do horror. Jeanne Moreau está ótima. A história envolve um homem rico que contrata um marinheiro para engravidar sua esposa.

6) Falstaff: O Toque da Meia-Noite (1965)

O melhor mergulho de Welles em Shakespeare é também o mais livre, o mais disposto a errar. Na pele de Falstaff, o velho gordo amigo do príncipe, ele assiste à ascensão do rapaz à coroa, tornando-se Henrique V.

5) Verdades e Mentiras (1973)

O tema de toda obra de Welles. O que é realidade e o que é mentira? Podemos aceitar como real algo que sabemos ser falso? O diretor veste-se de mágico, mistura documentário e ficção em uma obra original.

4) O Processo (1962)

Possivelmente a melhor adaptação de Kafka para o cinema. O cineasta fez algumas mudanças ousadas e trouxe essa história à realidade do mundo nos anos 1960, na Guerra Fria e sua insuportável paranoia.

3) Soberba (1942)

A obra-prima mutilada cujo corte desejado por Welles talvez nunca conheceremos. A história de uma família tradicional que não enxerga a mudança dos tempos e termina literalmente atropelada pela modernidade.

2) A Marca da Maldade (1958)

Welles faz o policial corrupto que planta provas, que crê estar acima da lei e é confrontado pelo protagonista, interpretado por Charlton Heston. O plano-sequência da abertura é dos maiores da sétima arte.

1) Cidadão Kane (1941)

Não poderia ser diferente: Kane é a maior realização de Welles. Com pouco mais de 20 anos, o gênio chega a Hollywood com um contrato que lhe dava plena liberdade de criação e o corte final. Sabemos o resto da história.

SOBRE O AUTOR:
Rafael Amaral é crítico de cinema e jornalista (conheça seu trabalho)

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