Os vencedores da Palma de Ouro nos anos 2010: quem ganhou e quem deveria ganhar

À exceção de Dheepan: O Refúgio, de Jacques Audiard (uma vitória inexplicável), todos os outros vencedores da Palma de Ouro em Cannes nos anos 2010 são grandes filmes. No entanto, em competições fortes, como se pode conferir na lista abaixo, outras obras ainda conseguem superar os laureados com o prêmio principal e provam que o festival francês ainda é a maior vitrine do cinema mundial. Nas fotos, os nossos favoritos.

2010

Quem ganhou: Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas, de Apichatpong Weerasethakul

Quem deveria ganhar: Poesia, de Lee Chang-dong

Dois asiáticos despontam como os melhores do festival: o vencedor tailandês e o mestre sul-coreano, com histórias sobre lendas, vida e morte, e sobre a descoberta da poesia. Venceu o mais ousado, não o melhor. Outros grandes filmes na competição: Cópia Fiel, Homens e Deuses e Minha Felicidade.

2011

Quem ganhou: A Árvore da Vida, de Terrence Malick

Quem deveria ganhar: Era uma Vez na Anatólia, de Nuri Bilge Ceylan

A Palma de Malick veio com um filme sobre o universo, a natureza e uma família americana de décadas passadas. Com seu policial intimista, Ceylan teve de se contentar com o Grande Prêmio do Júri. Outros grandes filmes na competição: Drive, O Garoto da Bicicleta, Habemus Papam e Melancolia.

2012

Quem ganhou: Amor, de Michael Haneke

Quem deveria ganhar: Holy Motors, de Leos Carax

Haneke já havia levado uma merecida Palma por A Fita Branca. A obra de Carax, tão elogiada pelos críticos da Cahiers du Cinéma, a mais original dessa seleção, acabou saindo do festival sem nenhum prêmio. Outros grandes filmes na competição: Além das Montanhas, Um Alguém Apaixonado, A Caça, Cosmópolis e A Visitante Francesa.

2013

Quem ganhou: Azul é a Cor Mais Quente, de Abdellatif Kechiche

Quem deveria ganhar: Era Uma Vez em Nova York, de James Gray

O festival dobrou-se ao filme de Kechiche, a história de amor de duas garotas francesas. A obra-prima de Gray, com contornos clássicos e acenos a Coppola, foi totalmente esnobada. Outros grandes filmes na competição: A Grande Beleza, Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum, Pais e Filhos e Um Toque de Pecado.

2014

Quem ganhou: Sono de Inverno, de Nuri Bilge Ceylan

Quem deveria ganhar: Leviatã, de Andrey Zvyagintsev

De certa forma, depois da derrota de Anatólia, Cannes devia uma Palma para o grande Ceylan. Na corrida, o russo Zvyagintsev apresentou Leviatã, crítica poderosa à atual classe política de seu país. Outros grandes filmes na competição: Adeus à Linguagem, Dívida de Honra, Dois Dias, Uma Noite, As Maravilhas, Relatos Selvagens, O Segredo das Águas e Timbuktu.

2015

Quem ganhou: Dheepan: O Refúgio, de Jacques Audiard

Quem deveria ganhar: O Filho de Saul, de László Nemes

Boa parte da crítica não acreditou quando a Palma foi parar nas mãos de Audiard, que já havia feito filmes melhores. O mais forte do festival, sobre o Holocausto, é também um belíssimo longa de estreia. Outros grandes filmes na competição: A Assassina, Carol, Minha Mãe e O Valor de um Homem.

2016

Quem ganhou: Eu, Daniel Blake, de Ken Loach

Quem deveria ganhar: Sieranevada, de Cristi Puiu

Cheia de personagens, ambientada em poucas horas, a ácida reunião familiar de Puiu traz momentos únicos e desconcertantes. Toni Erdmann arrancou muitos elogios, mas a Palma acabou ficando mesmo com Loach. Outros grandes filmes na competição: O Apartamento, Aquarius, Elle, As Faces de Toni Erdmann, Na Vertical e Paterson.

2017

Quem ganhou: The Square: A Arte da Discórdia, de Ruben Östlund

Quem deveria ganhar: Sem Amor, de Andrey Zvyagintsev

O russo, de novo, fez o melhor filme do festival. A Palma também poderia ter ido ao belo 120 Batimentos por Minuto. Por fim, venceu a inegável originalidade de Östlund e sua história sobre arte. Outros grandes filmes na competição: 120 Batimentos por Minuto, Bom Comportamento e O Dia Depois.

2018

Quem ganhou: Assunto de Família, de Hirokazu Koreeda

Quem deveria ganhar: Guerra Fria, de Pawel Pawlikowski

Koreeda já havia batido na trave outras vezes. Seu filme é um belo drama sobre uma família de criminosos, típico do grande diretor japonês. Em preto e branco, Pawlikowski fez uma poderosa história de amor. Outros grandes filmes na competição: 3 Faces, A Árvore dos Frutos Selvagens, Em Chamas, Feliz como Lázaro e Imagem e Palavra.

2019

Quem ganhou: Parasita, de Bong Joon-Ho

Quem deveria ganhar: Retrato de uma Jovem em Chamas, de Céline Sciamma

Adoramos o filme de Joon-Ho, claro! Em uma edição cheia de opções, com filmes tão completos, o prêmio poderia ter sido dado a Sciamma e à sua bela peça de sensibilidade e construção do universo feminino. Outros grandes filmes na competição: Bacurau, Dor e Glória, O Lago do Ganso Selvagem, Os Miseráveis, O Paraíso Deve Ser Aqui, Você Não Estava Aqui.

SOBRE O AUTOR:
Rafael Amaral é crítico de cinema e jornalista (conheça seu trabalho)

Veja também:
Festival de Cannes: dez obras-primas que ganharam o Grande Prêmio do Júri
(para apoiadores)

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