Bastidores: Um Tiro na Noite

Há filmes que demoram para se tornar objetos de culto. No caso de Um Tiro na Noite, poucos foram os que observaram sua grandeza na época do lançamento, no início dos anos 1980. Hoje, é o caso de um filme cult. “Alguns dos meus filmes mais polêmicos, ou mesmo os piores em bilheteria, são alguns dos meus melhores” observa o diretor Brian De Palma. Sobre Um Tiro na Noite, na mesma entrevista, ele diz: 

Um Tiro na Noite foi uma catástrofe quando estreou, mas todo mundo fala constantemente sobre ele como um dos meus melhores filmes, e acho que é um filme do qual sou muito orgulhoso. Recebeu críticas decentes? Algumas. Pauline [Kael, crítica de cinema] gostou, e algumas outras pessoas, mas foi só isso e morreu. Você tem que se lembrar o tempo todo que está sendo comparado à moda do dia, e se seu trabalho realmente tem algum tipo de poder de permanência, bem, as pessoas estarão falando sobre ele em 20, 30 anos.

De Palma estava certo. Seu filme continua vivo – a despeito de todas as máquinas que, dirão alguns, soam ultrapassadas em tempos digitais. E Pauline Kael, a grande crítica de cinema com poder de influenciar carreiras e alavancar sucessos, realmente adorou o filme. Na edição de 27 de julho de 1981 da New Yorker, Kael rasgou elogios. Chegou a dizer que, com Um Tiro na Noite, “De Palma saltou para o lugar que Altman alcançou com filmes como Quando os Homens São Homens e Nashville e que Coppola alcançou com os dois filmes do Poderoso Chefão – isto é, para o lugar onde o gênero é transcendido e o que nos move é a visão de um artista”.

O corpo de [John] Travolta está sempre no personagem deste filme; quando Jack está sozinho e concentrado no que está fazendo, sentimos seu compromisso com o mundo ordenado das fitas bem etiquetadas – suas mãos são precisas e graciosas. Registrando o vento nas árvores pouco antes da batida do carro do governador, Jack aponta seu microfone comprido e fino como se fosse um condutor com uma batuta evocando os sons da noite; ao ouvir a fita pela primeira vez, ele acena com um lápis na direção de cada som.

Acima e abaixo, Brian De Palma e John Travolta durante as filmagens.

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