Schlöndorff e von Trotta

[Volker] Schlöndorff estudou na Sorbonne no final dos anos 1950 e ficou em Paris para trabalhar como assistente de diretores proeminentes da nouvelle vague francesa, entre eles Alain Resnais, Louis Malle e Jean-Luc Godard. Ele voltou para sua Alemanha natal nos primeiros anos do novo cinema alemão, com o desafio às instituições da velha guarda – quando os cineastas estavam encontrando apoio nas principais redes de televisão do país – e rapidamente deixou sua marca com O Jovem Törless (1966), com base no romance do escritor austríaco Robert Musil. Sua devoção a adaptações literárias e um estilo mais realista ficava evidente em seus primeiros filmes, entre eles uma versão feita para a tevê de Baal, de Bertolt Brecht (1970), estrelado por [Rainer Werner] Fassbinder e, como coadjuvante, [Margarethe] von Trotta, que também atuou em Deuses da Peste (1969) e O Soldado Americano (1970), de Fassbinder.

 

Schlöndorff e von Trotta se casaram em 1971 e co-escreveram vários filmes nos quais von Trotta também atuou, mais notavelmente Fogo de Palha (1972), que é uma espécie de prólogo para [A Honra Perdida de] Katharina Blum ao descrever a dificuldade da independência feminina na Alemanha Ocidental. Katharina Blum é o único filme que codirigiram (eles se divorciaram em 1991). Isso deu início à carreira de cineasta de von Trotta, que se concentrou principalmente em narrativas sobre mulheres, ficcionais e biográficas. Alguns anos depois, outra adaptação literária, a de O Tambor de Günter Grass, traria a Schlöndorff aclamação mundial. A força de Katharina Blum tem muito a ver com a fusão bem-sucedida das preocupações apaixonadas dos dois cineastas: a dele com a complexidade da tradução de obras literárias para o cinema, a dela com a representação das lutas políticas e psicológicas das mulheres contra o patriarcado.

Amy Taubin, crítica de cinema, em ensaio escrito para o lançamento em blu-ray de A Honra Perdida de Katharina Blum, da Criterion Collection (leia aqui em inglês). Acima e abaixo, a atriz Angela Winkler em Katharina Blum; na última foto abaixo, Margarethe von Trotta e Volker Schlöndorff com o Oscar de melhor filme estrangeiro, conquistado com O Tambor.

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