Ennio Morricone (1928–2020)

Quando compus a música do meu primeiro filme com Leone e com diretores anteriores, ficou claro que eu queria incluir algo completamente diferente das trilhas sonoras típicas da época. Acho que foi esse meu interesse que os convenceu. Eu comecei minha carreira fazendo arranjos para rádio e televisão, onde as pessoas que me contratavam nunca me pediam nada pessoal. Apenas arranjos orquestrais normais dos quais eu não gostei, trabalhos anônimos que eu nem queria assinar. Então comecei a trabalhar com música popular e decidi fazer arranjos que funcionariam com a voz do cantor, mas também tocando separadamente, não apenas dentro da música. Foi o que tentei fazer mais tarde com o cinema: música que acompanha as cenas dos filmes, mas acrescentando algo novo e original que poderia funcionar por conta própria.

 

(…)

 

(…) até a música mais inovadora e complicada de um filme é mais fácil de ser apreciada porque é acompanhada de imagens. O filme ajuda a entender a música e vice-versa, por isso é difícil unir esses dois mundos. Eu sempre digo que a música em um filme expressa o que palavras, imagens e diálogos não podem transmitir. É diferente da música absoluta: recentemente dei um concerto em Milão e tive a sensação de que o público não o entendia. Depois de tocar uma peça, parei para explicar seu significado e a toquei novamente. Na segunda vez, eles gostaram muito mais. Tenho a sensação de que a música contemporânea precisa ser ouvida e explicada para que o público a aprecie. No cinema isso é mais fácil.

 

(…)

 

É verdade que tudo o que envolve os grandes filmes de Hollywood não tem nada a ver com os europeus, mas não encontrei diferenças entre os diretores italianos, ingleses ou poloneses e os americanos mais famosos. Sempre foi uma relação de trabalho. Dei-lhes algo e aprendi muito com todos.

Ennio Morricone, compositor, em entrevista ao jornal espanhol ABC (leia aqui). Abaixo, o cineasta Sergio Leone (à esquerda) ao lado de Morricone.

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3 comentários sobre “Ennio Morricone (1928–2020)

  1. 500 trabalhos para o cinema e também em teatro.
    Esse é um compositor que vai fazer muita falta.
    Filmes marcantes e sua trilha ainda mais.
    Ennio Morricone se destacou por inovar e se diferenciar na música.
    Que descanse em paz.

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