Os 20 melhores filmes de 2019

Alguns temas dominam os filmes da lista abaixo, lançados em 2019 no Brasil. Os 20 selecionados abordam exclusão social e revolta, a tentativa de se adaptar a outras culturas, ser outro, o retorno para casa e o encontro de si mesmo, não raro frustrado. Um grande ano para o cinema, com histórias inquietantes para pensar – e muito – o mundo atual.

20) O Paraíso Deve Ser Aqui, de Elia Suleiman

Da Palestina para a França, depois para Nova York, Suleiman interpreta ele próprio nessa comédia sobre um diretor de cinema que, nos outros, nunca encontra a normalidade, com claras incursões pelo sonho.

19) Um Homem Fiel, de Louis Garrel

Diretor de poucos títulos, Garrel revela sensibilidade e bom humor nesse filme sobre um triângulo amoroso envolvendo um rapaz apaixonado e duas mulheres diferentes. Delícia que, infelizmente, dura pouco.

18) Entardecer, de László Nemes

Após o extraordinário O Filho de Saul, Nemes retorna com esse filme potente e histórico sobre uma garota que volta para sua terra natal e se torna um problema para alguns empreendedores e poderosos.

17) Nós, de Jordan Peele

Duas famílias. Dois grupos. Um espelho. Nessa história original, os típicos americanos encontram seus duplos, que resolvem se rebelar. O terror de Peele acerta em cheio e supera facilmente o anterior Corra!.

16) Bacurau, de Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho

A resistência de uma cidade esquecida, fora do mapa, a fictícia Bacurau. Ali, seu povo recorre ao armamento disponível para enfrentar os americanos invasores – incluindo as peças do museu local. Uma porrada.

15) Parasita, de Bong Joon-ho

Outro filme sobre o conflito de classes, evocando estranho espelho, com abismos que não deixam ver bons ou maus, mas apenas circunstâncias. Palma de Ouro para o realizador de Memórias de um Assassino.

14) Midsommar: O Mal Não Espera a Noite, de Ari Aster

Jovens turistas resolvem se embrenhar, por alguns dias, em uma sociedade distante, com seus próprios costumes, em dias de sol que, pouco a pouco, revelam-se doentios. Em cena, morte, delírio e ritos indigestos.

13) Assunto de Família, de Hirokazu Koreeda

Uma família (outra) vive de pequenos crimes no Japão. As crianças assistem às falcatruas dos mais velhos, e deles recebem algumas lições nem sempre vistas com bons olhos. Palma de Ouro (outra!).

12) Um Elefante Sentado Quieto, de Bo Hu

Quatro pessoas diferentes vagam pela cidade, sofrem, esbarram-se. Retrato poderoso sobre a depressão na China atual, grande e cosmopolita. O diretor suicidou-se em 2017, pouco depois de terminar o filme.

11) 3 Faces, de Jafar Panahi

O diretor iraniano – tão perseguido pelo regime dos aiatolás – continua em suas viagens de descobrimento, aqui por terras distantes, na companhia de uma atriz, em busca de uma menina que precisa de ajuda.

10) A Árvore dos Frutos Selvagens, de Nuri Bilge Ceylan

O retorno à terra natal é permeado pela vontade de ir embora. Antes, o protagonista quer ter seu livro publicado, e reencontra pessoas – fantasmas – que habitam o passado, que o incomodam, a começar pelo pai.

9) O Irlandês, de Martin Scorsese

A lealdade às instituições confronta, de novo, a camaradagem entre homens. A situação é comum nos filmes de máfia, o que não faz deste Irlandês “mais do mesmo”. Scorsese está em forma, não tem pressa, e é brilhante.

8) Em Trânsito, de Christian Petzold

O cenário é Marselha, cidade de aspecto velho, às personagens um ponto de fuga. O protagonista tenta sobreviver, escapar e, entre outras pessoas, tem ao seu lado uma moça à procura do marido.

7) Coringa, de Todd Phillips

Sai dos quadrinhos – justamente deles – essa personagem conflituosa que não aguenta mais viver em um mundo que beneficia apenas alguns – alguns rapazes ricos, ou crianças bem-afortunadas como Bruce Wayne.

6) Guerra Fria, de Pawel Pawlikowski

História de amor em tempos de História. História sobre o confronto de dois amantes, impedidos de concretizar uma vida a dois. Pawlikowski é direto, seco, cortante na maneira como esculpe o relacionamento.

5) História de um Casamento, de Noah Baumbach

História de amor em tempos de relacionamentos modernos, de vidas abertas, de gente que se ama mas não consegue mais conviver. Não explicar isso – e sofrer as consequências – é o que move essa bela história.

4) Ad Astra, de James Gray

Poderia ser mais uma viagem ao encontro de si mesmo, nos confins do espaço. Mas Gray sabe como construir grandes sequências de ação, como, entre elas, dar lugar a uma personagem conflituosa e, no fundo, emotiva.

3) Uma Mulher Alta, de Kantemir Balagov

Na União Soviética após a Segunda Guerra Mundial, duas mulheres mantêm relação de dependência: a alta tenta agradar a outra, que deseja ser mãe e não pode engravidar. Essa união leva a obra a situações impensáveis.

2) Sinônimos, de Nadav Lapid

O rapaz, um imigrante israelense, descobre que viver em outra nação não significa pertencer. Pelas ruas de Paris, ele tenta encontrar as palavras de seu novo idioma, os sinônimos para continuar vivendo por ali.

1) Fé Corrompida, de Paul Schrader

O melhor filme de 2019 não passou nos cinemas brasileiros. Foi direto para o streaming. Pior para os cinéfilos tupiniquins. Eis uma obra rara sobre crise de fé, desejo, clausura e dor – um pouco como uma obra de Bresson.

E outros dez que merecem destaque: Amor Até as Cinzas, de Jia Zhangke; O Bar Luva Dourada, de Fatih Akin; Divino Amor, de Gabriel Mascaro; Dor e Glória, de Pedro Almodóvar; Em Guerra, de Stéphane Brizé; Era Uma Vez em… Hollywood, de Quentin Tarantino; A Favorita, de Yorgos Lanthimos; Em Guerra, de Stéphane Brizé; Imagem e Palavra, de Jean-Luc Godard; No Coração do Mundo, de Gabriel Martins e Maurílio Martins.

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Veja também:
Os 20 melhores filmes de 2018
Fé Corrompida, de Paul Schrader
Guerra Fria, de Pawel Pawlikowski

2 comentários sobre “Os 20 melhores filmes de 2019

  1. Em tempos em que boa parte das publicações sobre Cinema se limitam a mesmice de sempre expor os mesmos filmes, que são obras hypadas, ver uma lista com essa, que realmente abre espaço para o alternativo, fugindo de ser mais do mesmo, é uma verdadeira gratidão. Vou ver os que ainda não vi.

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