Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo, de Bennett Miller

À frente do próprio império, John Du Pont (Steve Carell) precisa mostrar força. É alguém solitário, complexo e impenetrável, que mantém um time de luta livre para estar entre homens fortes e ter o efeito desejado. Em seu império, coloca-se entre troféus e dá luz à imagem que define Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo – e que antecede o encerramento trágico da obra de Bennett Miller.

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Os contornos ficam mais claros a partir de Du Pont: é um filme sobre perdedores tentando parecer fortes. Ou sobre homens que não suportam a mediocridade. Ao fundo, a bandeira americana faz pensar nesse país estranho, de gente obsessiva à sombra de castelos, dinheiro e facilidades. Estão ali os canhões, as velhas pinturas glorificando parentes antigos, os cavalos da mãe de Du Pont.

Contra a previsão, levando em conta o que fazem e onde vivem, são homens fracos. E por isso não é difícil recordar Capote, filme anterior de Miller, no qual Truman Capote busca o homem frágil por trás do assassino. O escritor e suas personagens não evocam outra coisa senão a miséria.

A obsessão maior de Du Pont é a mãe (Vanessa Redgrave), a reprová-lo, incapaz de reconhecer na luta livre algo limpo e respeitável. Em seus cavalos caros ela tem a potência não encontrada no próprio filho. A certa altura, Du Pont confessa que, na juventude, a mãe pagou para um rapaz ser seu amigo.

A infelicidade ronda a vida desses homens, e não é digna de pena. Miller toma alguma distância e, para além de Du Pont, é sobre o drama do campeão olímpico Mark Schultz (Channing Tatum), sempre à sombra do irmão e que mais tarde acredita ter encontrado um líder – talvez um amigo – no homem milionário, seu novo chefe.

Jovem e forte, Mark expõe sua medalha às crianças de uma escola. Seu símbolo maior, sua busca. Depois, quando perde uma luta importante, golpeia o que surge ao redor, bate a cabeça no espelho, come sem parar. Tatum capta à perfeição essa montanha-russa de sentimentos, entre o pouco que se mostra e o que se oculta no troglodita.

Com Du Pont, deixa-se levar: à primeira vista é o que lhe faltava, alguém que fala das necessidades americanas, de aparência forte e inicialmente sedutora. Dinheiro, bandeira, troféus, armas – tudo junto. Os fracos ganham outra aparência, forjam outra ideia, ilusão que logo desaba.

Em contraponto a Mark e Du Pont está David Schultz (Mark Ruffalo), irmão do primeiro e também medalhista olímpico. Sincero, fala sem esconder nada, como se o universo da luta e o que o rodeia fossem parte de um trabalho diário, importante, mas incapaz de consumi-lo por completo, menos ainda movê-lo à loucura.

Torna-se a vítima fácil nesse filme amargo, entre a neve, de pouco sol, forjado a homens brutos que não aceitam mostrar humanidade. Coberto por maquiagem, Carell sintetiza Foxcatcher ao fazer um tipo incomum em carreira até então marcada por papéis cômicos. Incomoda com pouco, crê no próprio fingimento e deseja – outra vez sem dizer – seu jovem lutador, Mark, que se deixou iludir.

(Foxcatcher, de Bennett Miller, 2014)

Nota: ★★★☆☆

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