A dura vida de um crítico de cinema

O trabalho de Renata Adler na New Yorker chamara a atenção de Clifton Daniel, Harrison Salisbury e de outros editores [do New York Times], mas eles não conseguiram despertar o interesse dela até que lhe ofereceram a posição de crítica de cinema, substituindo Bosley Crowther, no posto havia 27 anos. Aos 63 anos, ele ainda gozava de excelente saúde, mas os editores achavam que os filmes contemporâneos exigiam um observador mais jovem, e assim Renata Adler foi contratada [em novembro de 1967] e Crowther foi nomeado crítico emérito. Emérito é uma palavra melancólica no Times e, um ano mais tarde, ele se aposentou do jornal e foi para Columbia Pictures trabalhar como consultor executivo.

 

Ela se tornou, tal como Crowther nos seus últimos meses, uma crítica muito controvertida. As cartas de protestos contra Crowther referiam-se principalmente a sua incapacidade de apreciar o significado simbólico da violência fortuita em Bonnie e Clyde: Uma Rajada de Balas, ao passo que Renata Adler era considerada, pela indústria do entretenimento, pedante e desapaixonada em relação ao cinema. Segundo a Variety, ela ficou satisfeita com apenas dois dos primeiros 27 filmes que criticou (Charlie Bubbles, primeiro filme dirigido por Albert Finney, e The Two of Us, título americano de Le vieil homme et l’enfant, de Claude Berri [O Velho e o Menino, no Brasil]). Via com reservas produções amplamente aclamadas, como A Primeira Noite de Um Homem e A Sangue-Frio. Um produtor gastou 6 mil dólares num anúncio de página inteira do Times para questionar seu gosto depois que ela criticou negativamente um de seus filmes. O anúncio sugeria que ela não gostava realmente de cinema, uma alegação que ela negou para um repórter da Newsweek: “Gosto de cinema e gosto de filmes ruins, mas isso não significa que devo dizer que são bons”.

Gay Talese, jornalista, em O Reino e o Poder (Companhia das Letras; pgs. 481 e 482). Acima e abaixo, Adler em novembro de 1967, quando entrou no New York Times. Permaneceu como crítica de cinema no jornal em 68 e 69.

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