Dez grandes diretores com os quais Clint Eastwood gostaria de ter trabalhado (e até tentou)

No início da entrevista, o cineasta, historiador e crítico de cinema Michael Henry Wilson disse a Clint Eastwood que gostaria de interrogá-lo sobre os diretores que o dirigiram. Mas o entrevistado lançou uma contraproposta: “E se, de preferência, eu começasse com aqueles com os quais não tive a chance de trabalhar?”. O resultado pode ser visto abaixo.

Alfred Hitchcock (1899-1980)

Quando eu estava na Universal sob contrato, ele rodava seus filmes em outros lugares. Só o encontrei uma vez, anos mais tarde, um pouco antes de sua morte. Recebi um chamado do seu escritório: “O senhor Hitchcock gostaria de vê-lo. Sua saúde está frágil. Ele talvez nunca faça o filme, mas quer lhe falar sobre o papel principal”. Nós almoçamos juntos na cantina da Universal. Foram necessários dez minutos para percorrer a distância entre a entrada e a nossa mesa. Ele caminhava muito lentamente, muito metodicamente. Ele pediu seu almoço ritual: um bife e tomates. Ele estava completamente lúcido e a conversa foi brilhante, eu fiquei seduzido. Seu projeto se passava na Finlândia, ou na Noruega, a bordo de um trem. Ele conhecia um pouco meus filmes, especialmente Perversa Paixão. Não sei se ele tinha realmente visto, ou se queria me agradar. Eu não tinha entendido como uma homenagem, mas era uma, indiretamente. Passamos bons momentos, mas como eu poderia lhe servir? Eu estava uma geração atrasada! Igualmente para Ford e Capra, que se aproximavam da aposentadoria enquanto eu começava.

Anthony Mann (1906-1967)

Eu gostaria de ter encontrado Mann e trabalhado com ele no seu auge. Gostava muito de seus filmes, especialmente os westerns com Jimmy Stewart.

Billy Wilder (1906-2002)

Consegui abordá-lo quando ele se preparava para filmar Águia Solitária. Segundo o ritual hollywoodiano da época, a imprensa havia anunciado com grande ênfase que ele procurava um jovem desconhecido para representar Lindbergh [Charles Augustus Lindbergh, pioneiro da aviação]. Todos os jovens atores, principalmente os desengonçados, cobiçavam este papel. Eu o encontrei uma vez… apenas para um aperto de mão, nem mesmo para um teste. Seus filmes marcaram minha juventude: Pacto de Sangue, Crepúsculo dos Deuses e muitos outros. Eu não entendo por que ele parou de trabalhar tão cedo. Não conheço as circunstâncias, mas é espantoso que um homem com o seu talento não tenha sido mais ativo no decorrer das duas últimas décadas.

Douglas Sirk (1897-1987)

A Universal lhe entregava os filmes de prestígio, melodramas grandiosos como Imitação da Vida ou Palavras ao Vento. Tentei conseguir um encontro com ele, mas sem sucesso. Ia sempre aos sets de filmagem ver como ele trabalhava.

Elia Kazan (1909-2003)

Quem ocupava um lugar de destaque era Elia Kazan. Após Sindicato de Ladrões, ele era o filho pródigo, o gênio com o qual todo mundo queria trabalhar. O problema é que ele fazia seu casting em Nova York, ou em outro lugar. Eu nunca consegui fazer um filme com ele.

Frank Capra (1897-1991)

Frank Capra eu conheci quando filmava O Estranho Sem Nome em Mono Lake, no norte da Califórnia. Estava hospedado em Silver Lake, a quatro casas de Capra, e tive a oportunidade de conversar com ele. Depois, cada vez que passava por lá, ia visitá-lo. Ele ficava sempre contente em me ver, mas não tive a chance de trabalhar com ele.

John Ford (1894-1973)

Nunca o encontrei, mas, certamente, é um daqueles com quem gostaria de ter trabalhado. Vi muitos filmes seus na minha juventude.

 

(…)

 

Alguém como Ford preferia se ver em terreno familiar, em meio a rostos conhecidos. Quando se é um almirante, conforma-se ao seu papel: não se fica questionando o tempo todo! Ele não era do tipo que analisava o que fazia com seus atores; ele conhecia suas competências e sabia o que eles podiam lhe oferecer. Será que eu poderia ter me integrado no seu clã? Talvez não. Eu não sou um homem de clã.

Raoul Walsh (1887-1980)

Eu era um de seus grandes admiradores; tinha adorado especialmente Fúria Sanguinária. Quis desesperadamente estar em A Morte tem Seu Preço. Meu agente não conseguiu arranjar um encontro com ele. Consegui me aproximar a cinco metros de seu escritório, mas não pude passar da soleira da porta. Não pude, portanto, fazer um teste. As pequenas agências não tinham poder. Walsh era, dizia-se, um cara fantástico. Além disso, ele tinha sido ator. É sempre agradável trabalhar com diretores que foram atores antes.

Samuel Fuller (1912-1997)

Ele preparava um western para a RKO, Renegando o Meu Sangue, eu acho. Eu queria participar e tentei marcar um encontro, mas sem sucesso. Só fui encontrá-lo bem mais tarde na França.

Stanley Kubrick (1928-1999)

Eu vi O Grande Golpe no lançamento e gostaria de ter trabalhado com ele, mas não tive oportunidade.

A entrevista a Michael Henry Wilson está em Eastwood par Eastwood e foi reproduzida no catálogo da mostra Clint Eastwood – Clássico e Implacável, do Centro Cultural Banco do Brasil (2011/2012; pgs. 120, 122-124).

Veja também:
A Mula, de Clint Eastwood

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