A nouvelle vague japonesa

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o Japão foi ocupado militarmente pelo exército americano, iniciando-se um período de abertura à cultura ocidental que possibilitou uma intensa e diversificada produção cinematográfica. A nouvelle vague japonesa – ou Nuberu Bagu, na pronúncia nipônica do termo francês – surgiu num contexto de profunda agitação política. Ao mesmo tempo em que a inserção do capitalismo no Japão permitia novas liberdades individuais, as mazelas sociais desencadeadas pelo modelo econômico imposto não deixaram de ser percebidas e enfrentadas pelos jovens. Os valores tradicionais japoneses, apreciados pela sociedade conservadora, entraram em choque com as novas ideias. Filmes que retratavam a realidade pré-ocupação, sobre o sujeito comum e sua moralidade apreciável deixaram de representar de fato a conjuntura social da época, perdendo apelo popular e deflagrando um processo de decadência no studio system japonês. Em tempos de angústia e crise, as histórias tradicionais pareciam não mais satisfazer os anseios de um público que se transformava.

(…)

O sistema dos estúdios se pautava em uma alta hierarquização de funções, de modo que a direção dos filmes ficava a cargo somente dos funcionários mais experientes. A arte cinematográfica era encarada como um mero ofício e era desempenhada de forma quase artesanal se comparada à produção dos estúdios americanos. Para conseguirem dirigir seus próprios filmes, os jovens precisavam trilhar um longo caminho, a começar como assistentes de direção. Buscando inovação, as grandes produtoras passaram a dar espaço a esses jovens para realizar filmes de baixo custo. Diretores como Nagisa Oshima, Shohei Imamura e Yoshishige Yoshida, antes assistentes dos diretores da “era de ouro”, têm suas primeiras chances e acabam realizando aqueles que seriam os marcos iniciais da nova onda do cinema japonês.

Apresentação da Mostra Nuberu Bagu, do Cinusp, ocorrida entre os dias 13 de junho e 03 de julho de 2016 (leia o texto completo aqui). Abaixo, cena de Todos Porcos, de Shohei Imamura, de 1961.

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