Stanley Donen (1924-2019)

(…) era um dançarino e um homem de cinema. Dominava tanto as piruetas humanas quanto as da câmera. Foi ele o introdutor de uma técnica que depois seria adotada por todo mundo: dividir a tela em duas, três ou dez partes, o que seria chamado de tela múltipla. E o freeze-frame, a imagem congelada? Era um recurso que já vinha do cinema mudo, mas, modernamente, também foi ele quem voltaria a usá-lo. A prova de que Donen não era apenas um apêndice de Gene Kelly está no fato de que teve uma grande carreira paralela sem o parceiro, inclusive como diretor de ótimos não-musicais, como Indiscreta, Charada, Arabesque e Um Caminho para Dois. O contrário, infelizmente, não aconteceu: longe de Donen (ou de Vincente Minnelli, seu outro mentor), Kelly nunca se deu bem. E suas tentativas de dirigir sozinho foram uma tristeza – vide Hello, Dolly!, filme mais dirigido por Barbra Streisand do que por ele.

Ruy Castro, jornalista e escritor, no jornal O Estado de S. Paulo. (11 de abril de 1998; o artigo está no livro Um Filme é Para Sempre, com organização de Heloisa Seixas; pg. 256). Abaixo, Donen entre Donald O’Connor e Gene Kelly no set de Cantando na Chuva, que dirigiu com o segundo.

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