Dez grandes filmes (há dez anos)

Alguns grandes filmes chegavam às telas do Brasil e do mundo há aproximadamente 10 anos. Inegável que 2007 foi um ano desigual ao cinema moderno, levando em conta o número de trabalhos memoráveis. Os dez preferidos do blog seguem abaixo, em ranking, para recordar a frase que virou clichê: “parece que foi ontem”. À lista.

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10) Sol Secreto, de Lee Chang-dong

Após perder o filho pequeno, mulher descobre a bondade da religião, mas confronta Deus ao perceber que o criminoso recebeu a absolvição divina. O diretor coreano é um dos mais talentosos de sua geração e, sem concessões, revela nos filmes o cotidiano de pessoas que tentam encontrar alguma fuga e invariavelmente fracassam.

9) Desejo e Perigo, de Ang Lee

As cenas de sexo são impactantes, ainda que o filme ultrapasse o limite do prazer. As personagens sentem algo a mais. E o fundo político ajuda no resultado, quando a China via-se sob dominação japonesa. Na trama, uma jovem revolucionária (Wei Tang) infiltra-se no universo de prazeres do “inimigo”, um político poderoso.

8) Zodíaco, de David Fincher

Quem esperar por respostas e pela revelação do assassino pode se frustar. O resultado é o melhor filme do cineasta, com condução segura, elenco afiado e ótima reprodução de época. Aborda a paranoia, a dificuldade de um cartunista (Jake Gyllenhaal) em se afastar da teia de assassinatos ligada ao tal Zodíaco.

7) O Escafandro e a Borboleta, de Julian Schnabel

Preso ao próprio corpo, Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric) revisita sua vida, a de um homem mulherengo tomado pelo desejo de liberdade, até o dia que se vê imóvel. Sua forma de comunicação resume-se a uma pálpebra, forma que encontra para dizer o que sente, para escapar daquele escafandro ao qual foi confinado.

6) Santiago, de João Moreira Salles

A história do mordomo Santiago, que trabalhou por 30 anos para a família do cineasta e que, na grande casa em que viveram, viu desfilar figuras importantes da história. Também o retorno, pelos olhos do mesmo, ao cinema, de Fred Astaire a Yasujiro Ozu. Obra de redescoberta, verdadeiro tesouro que quase se perdeu.

5) Luz Silenciosa, de Carlos Reygadas

A abertura, com sua calmaria rumo à luz, explica um pouco do que vem pela frente. Em cena está um homem da comunidade menonita mexicana. Vive isolada com a família, com pouco contato com o mundo externo, a recusar o progresso. Tudo muda quando ele envolve-se com outra mulher. Belo filme com ecos de Dreyer.

4) Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho

O diretor brasileiro leva diferentes atrizes e mulheres à frente da câmera para uma entrevista, enquanto deixa ver o difícil ato de ouvir, de dialogar. Não se trata, é verdade, de uma verdadeira entrevista, e nem tudo é real como se imagina. A certa altura, mulheres podem ser atrizes, atrizes podem estar falando de si mesmas.

3) Onde os Fracos Não Têm Vez, de Joel e Ethan Coen

Longe do filme policial esperado, ou do faroeste de fronteira regado a combates entre mocinhos e bandidos, índios e brancos. O caminho é imprevisível, sobretudo, a partir da metade: alguns homens correm atrás de uma mala cheia de dinheiro enquanto um xerife, perto de se aposentar, lamenta a mudança dos tempos.

2) 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, de Cristian Mungiu

A contagem regressiva do título traduz a corrida contra o tempo de duas moças na Romênia ainda à sombra de Nicolae Ceaușescu e da Cortina de Ferro. Uma delas recorre ao aborto clandestino, a outra decide ajudar a amiga. O cinema romeno chega à sua consagração, com a Palma de Ouro em Cannes, com esse drama feminino e poderoso.

1) Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson

O título nacional refere-se ao petróleo. O original é também instigante: Haverá Sangue. Em cena, a cobiça de um homem, o vilão interpretado por Daniel Day-Lewis, a quem nada é mais importante que o poder, nem mesmo o filho pequeno. Com fotografia em tons escuros, o americano Paul Thomas Anderson realiza seu melhor trabalho.

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