Guardiões da Galáxia Vol. 2, de James Gunn

A comédia é absurda, sempre com exageros e deformações ao longo de Guardiões da Galáxia Vol. 2. Quem estiver disposto a embarcar nesses excessos certamente sairá saciado da sessão; aos outros, talvez em menor quantidade, que acreditam que tudo não passa de mau gosto, a experiência reproduzirá um forte candidato a pior filme de 2017.

O entretenimento é propositalmente explosivo, barulhento, como manda o show: dos atores canastrões às musas silenciosas, dos planetas com ornamentos ridículos aos confrontos entre luzes e raios e nos quais pouco ou nada se vê. Impera mesmo a bagunça cortada por piadas e frases de efeito.

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Por sinal, as frases de efeito também geram confusão: não se sabe se estão ali para serem ridículas ou para cumprirem suas funções. Em um filme como tal, há sempre essa forma desmiolada de tentar enxergar as coisas, aquela que diz, no ouvido do espectador, que não há outra saída senão aceitar o jogo, a festa, os heróis idiotas.

Lançada em 2014, a primeira parte de Guardiões da Galáxia é interessante, ou apenas descente. Sabe dosar melhor a comédia e aposta na junção de um grupo curioso de heróis. É um filme de descobertas.

A segunda parte tenta aprofundar as relações à medida que o passado de uma das personagens vem à tona, justamente o protagonista Peter Quill (Chris Pratt). Será chamado também de Senhor das Estrelas, descobrirá que tem um “pai planeta” e que prefere os amigos estranhos à proposta de assumir um trono no universo.

E, como manda o projeto, Peter precisa fazer a linha idiota, o garanhão que esconde seus desejos pela companheira verde (Zoe Saldana), ao passo que outros estarão ali para zombar dele – a começar pelo grandalhão sorridente Drax (Dave Bautista). Peter pertence ao time dos heróis abobalhados, últimos a descobrir o problema ao redor.

Figuras curiosas, perfeitas ao papel do canastrão, unem-se a Pratt. Kurt Russell, Sylvester Stallone e Michael Rooker estão entre eles. A produção comandada por James Gunn recorre às táticas de Tarantino, forma de o público lembrar esses seres perdidos no tempo, fazendo não mais do que sabem fazer – mas a serviço da caricatura, claro.

Mas Gunn não é Tarantino. Seu pastiche é pobre, apelativo, estridente. Chega a dizer ao público que prefere mesmo o efeito infantil, em um filme no qual todo espectador deverá se sentir assim, um pouco como criança. Não esconde. Resume isso nos primeiros momentos, quando o bebê Groot dança e os heróis, ao fundo, lutam com um monstro. O que vale mesmo é o bebê, o efeito infantil que salta aos olhos.

(Guardians of the Galaxy Vol. 2, James Gunn, 2017)

Nota: ★☆☆☆☆

Veja também:
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