Magia ao Luar, de Woody Allen

Existe o truque e existe a mágica. O protagonista de Magia ao Luar, de Woody Allen, sai em busca do primeiro e encontra a segunda: acredita que pode desmascarar uma farsante, que estaria se passando por médium, mas termina apaixonado por ela.

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Ele é um mágico cético que não acredita em mágicas. É Stanley (Colin Firth), que se veste de chinês para seus números, no quais, por exemplo, faz um elefante desaparecer aos olhos do público. Teatro escancarado, maquiagem, produção abundante.

Certa noite, Stanley é visitado por um amigo, outro mágico, e desafiado a desmascarar a suposta farsante, a jovem Sophie (Emma Stone). O protagonista não se deixa levar pelo sobrenatural: não crê em deuses, espíritos, nem na própria mágica.

Mais do que ninguém, ele está do outro lado, no palco, no campo do truque. Como um cineasta, o mágico deve guiar o olho do espectador. Allen, contudo, prefere a direção sem extravagância, de movimentos contidos, diálogos inesperados, sem compromisso constante com a verossimilhança. Magia ao Luar é agradável, não se leva a sério.

Ainda assim, o cineasta encontra espaços (pequenos) para falar de temas caros, como a religião, a farsa dos que insistem em mostrar que há algo além do campo material.

Em meio à sua busca pela prova da farsa, Stanley deixa-se levar, é enganado, ou simplesmente tem contra si a menina simples, raquítica. O dono do truque pode ser vítima da mágica. Sophie deixa-se parecer tola, vulnerável, ao mesmo tempo dona das respostas, como se bastasse olhar para o céu e ter seu pingo de “verdade”.

No fundo, como qualquer outro, Stanley deseja a mágica. À contramão, tenta mostrar o quanto é cético, forte, o quanto não abre mão de seus truques – não exatamente os do palco. O homem, diz Allen, sempre fica entre o truque e a mágica. Em cena, o quase inflexível será derrotado pela jovem inocente. Despe-se de seu papel central.

(Magic in the Moonlight, Woody Allen, 2014)

Nota: ★★★☆☆

Veja também:
Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), de Alejandro González Iñárritu

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