Wenders: “os Yardbirds estão tocando uma de minhas músicas favoritas nesse filme”

Ainda estava na escola de cinema, ainda ganhava meu dinheiro como crítico, quando vi mais um dos filmes da minha vida. Era o último filme de Antonioni que estreou na Alemanha em 1968, Blow-Up – Depois Daquele Beijo. Ali encontrei a mesma linguagem arquitetônica e clara que me encantou tanto nos filmes de Anthony Mann, mas a história não se passava num lugar místico do Oeste, aquilo era Londres.

 

Encontrei as mesmas aplicações filosóficas e metafísicas que vi nos filmes de Bergman, mas também sequências como a do parque que eram estritamente pinturas – pinturas em movimento. E antes de qualquer coisa, o filme era embalado por rock and roll. Os Yardbirds estão tocando uma de minhas músicas favoritas nesse filme: “Train Kept A-Rollin”. Entendi então que filmes poderiam flutuar entre ficção e realidade, entre filosofia, fotografia e pintura. Cinema era tudo que me interessava, finalmente tinha começado a entender.

Wim Wenders, cineasta, em depoimento ao ciclo Os Filmes da Minha Vida, da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, publicado no livro Os Filmes da Minha Vida 3 (Imprensa Oficial; pg. 23). Acima, a cena com os Yardbirds; abaixo, o ator David Hemmings e Antonioni durantes as filmagens.

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