Em um ano com tanto a esquecer, o cinema merece ser lembrado. São grandes não apenas os filmes da lista abaixo, mas também os ausentes. Muita coisa boa ficou de fora, obras marcantes como La Sapienza, Mia Madre, Mapas para as Estrelas, Casadentro e o recente e divertido Star Wars: O Despertar da Força. Que venha 2016!
20) Phoenix, de Christian Petzold
Sobrevivente do Holocausto muda de face e aceita interpretar um papel para se aproximar do marido traidor. Outra bela parceria entre Petzold e a atriz Nina Hoss.
19) Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan
Após o extraordinário Era Uma Vez na Anatólia, Ceylan entrega mais um grande filme, com longos diálogos, drama que envolve família, cobiça e delinquência juvenil.
18) Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller
Espetáculo embalado a muita gasolina e tipos estranhos: o herói que passa boa parte do filme preso, a heroína de braço mecânico e os rapazes brancos e suicidas, entre outros.
17) Adeus à Linguagem, de Jean-Luc Godard
O senhor Godard mais uma vez leva ao radicalismo e segue fiel à experimentação: ao dar adeus à linguagem cinematográfica convencional, não deixa ninguém indiferente.
16) Timbuktu, de Abderrahmane Sissako
Filme urgente em tempos de extremismo, passado em uma pequena cidade aterrorizada por tipos armados, cujo sentido da imagem inicial retorna ao fim: a caça ao inocente.
15) Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), de Alejandro González Iñárritu
O jogo teatral é utilizado para questionar o cinema, a fragilidade do sucesso, a busca – tão atual em tempos de internet – pelo segundo seguinte, sob a ótica do estranho protagonista.
14) Casa Grande, de Fellipe Barbosa
A exemplo de Que Horas Ela Volta?, mas não com a mesma exposição, mostra a relação entre patrões e criados, entre o pai que perde dinheiro e o filho transformado.
13) De Cabeça Erguida, de Emmanuelle Bercot
O garoto, vivido por Rod Paradot, não é fácil de engolir: revoltado com frequência, confrontador, que descobre a vida adulta aos trancos, com muitas quedas.
12) O Julgamento de Viviane Amsalem, de Ronit Elkabetz e Shlomi Elkabetz
A peregrinação de Viviane, que tenta o divórcio por anos e termina julgada pelos homens que a cercam, incluindo juízes retrógrados e o marido inflexível.
11) A Gangue, de Miroslav Slaboshpitsky
Os jovens deficientes auditivos formam uma gangue implacável: assaltam, torturam, aliciam meninas e tentam conviver entre si, em uma instituição de paredes frias.
10) Força Maior, de Ruben Östlund
A imagem da bela família desmorona. Os problemas começam com a fuga do pai, que não fica para ajudar a mulher e os filhos na ocasião de uma avalanche.
9) Chatô, O Rei do Brasil, de Guilherme Fontes
Retrato do próprio Brasil, cheio de exageros, no qual o protagonista, Assis Chateaubriand, diverte-se ao mesmo tempo em que acumula poder e muda a história.
8) O Pequeno Quinquin, de Bruno Dumont
É difícil descrever o filme de Dumont, sua primeira comédia. Inclui meninos à beira mar, um cadáver escondido no interior de uma vaca e policiais desastrados.
7) Dívida de Honra, de Tommy Lee Jones
Faroeste classe A que revisa o gênero, sobre uma diligência formada por uma solteirona, um beberrão e três mulheres enlouquecidas. Obra de mestre.
6) Dois Dias, Uma Noite, de Jean-Pierre e Luc Dardenne
A odisseia de uma mulher em busca de seu emprego, em contato com outros funcionários do trabalho, em um retrato do capitalismo no mundo atual.
5) O Segredo das Águas, de Naomi Kawase
Garota descobre o amor ao mesmo tempo em que assiste aos últimos dias da vida da mãe. Em paralelo, um crime é investigado na cidade à beira mar em que vivem.
4) Leviatã, de Andrey Zvyagintsev
O drama familiar mistura-se à corrupção política no incrível filme de Zvyagintsev, autor dos também ótimos O Retorno e Elena. Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro.
3) As Mil e Uma Noites: Volume 1, O Inquieto, de Miguel Gomes
A primeira parte da fantástica trilogia do português Gomes retrata a crise em seu país e na Europa a partir das histórias ficcionais de Xerazade.
2) As Maravilhas, de Alice Rohrwacher
Entre o velho mundo e a modernidade, menina sonha em levar sua família a um programa de televisão. Ao mesmo tempo, tem de lidar com as irmãs e o pai bruto.
1) Norte, o Fim da História, de Lav Diaz
A situação de Raskólnikov, o protagonista de Crime e Castigo, é o ponto de partida para esse filme filipino de quatro horas de duração. Não houve obra mais bela lançada nos cinemas brasileiros em 2015. É feita de longos planos-sequência, com diálogos que aos poucos revelam a profundidade das personagens, tomadas pela ideia de um universo supostamente sem sentido ou pela necessidade de simplesmente seguir em frente.
PS: Todos os filmes da lista foram lançados no Brasil em 2015.
Veja também:
Os 20 melhores filmes de 2014
Excelente lista!!
Só não entendi por que 2015 teria sido “um ano com tanto a esquecer”. O que houve de especialmente ruim? Para quem? E os anos anteriores não foram tão ruins ou piores do que 2015? E, se de fato 2015 tenha sido péssimo, por que deveríamos esquecê-lo? O esquecimento melhoraria nossas vidas? Será que o fato de esse ano ter sido ruim não tem um pouco a ver com a nossa capacidade de fazer ele? Fiquei a fim agora de ler uma lista das 20 piores coisas que ocorreram apenas em 2015 hehehe
Bom, ao que parece 2015 não foi ruim para todos. Fica aqui a minha lista de piores filmes de 2015: https://palavrasdecinema.wordpress.com/2015/12/25/os-dez-piores-filmes-de-2015/. Passa lá!