Os dez melhores filmes de Jean-Luc Godard

Desde seu primeiro longa-metragem, Acossado, Jean-Luc Godard busca a experimentação. Casa imagem direta, realista, às referências do cinema anterior, à importância da revisão. Faz filmes livres e não menos críticos.

Aos poucos, caminha à desconstrução da linguagem clássica e revela cada vez mais seus meios. A primeira imagem de O Desprezo reproduz o movimento de outra câmera, que se aproxima e se volta ao espectador. Ao mesmo tempo projeção e reflexo.

Dos filmes íntimos à nouvelle vague, como Uma Mulher é Uma Mulher e Uma Mulher Casada, passa a obras mais radicais, como Tudo Vai Bem e Eu Vos Saúdo, Maria. Fica mais politizado e, mais tarde, à beira do incompreensível em Elogio ao Amor e no recente Adeus à Linguagem.

A lista abaixo é pessoal. Por se tratar de um cineasta desafiador, são incluídos um prólogo e um epílogo com mais duas obras de Godard. No caso da última, História(s) do Cinema, trata-se de um monumental projeto em oito partes, difícil de classificar e colocar em lista, sobre o cinema na História e também seu oposto.

Prólogo) Tempo de Guerra (1963)

Depois da guerra, homens retornam para casa e trazem o maior tesouro do mundo: um apanhado de fotografias. Trata-se de um Godard pequeno e belo, ideal para o ponto de partida, com uma das cenas mais lindas filmadas pelo cineasta: o momento em que uma das personagens tenta tocar as imagens da tela do cinema.

tempo de guerra

10) Film Socialisme (2010)

Divide-se entre um navio como microcosmo do mundo, com seres anestesiados pela diversão, e uma família que recebe a invasão de duas jornalistas.

film socialisme1

9) Salve-se Quem Puder – A Vida (1980)

Uma mulher em crise no relacionamento procura apartamento e esbarra em uma prostituta que deseja se libertar do cafetão autoritário.

salve-se quem puder a vida

8) Paixão (1982)

Um cineasta polonês mantém um relacionamento com uma operária enquanto realiza um filme de estúdio, enquanto o cinema é dinheiro e o trabalho, talvez uma paixão.

paixão

7) Tudo Vai Bem (1972)

Casal acompanha a rotina de uma fábrica em greve, entre o patrão e seus funcionários revoltados. Perto do fim, Godard faz grande plano-sequência no interior de um supermercado.

tudo vai bem

6) Alphaville (1965)

Com o habitual diretor de fotografia Raoul Coutard, o cineasta francês transforma presente em futuro nessa ficção científica existencial, sobre a morte da linguagem.

alphaville

5) Week-End à Francesa (1967)

O casal encontra o mundo em pedaços, enquanto Godard investe na destruição em nome da poesia. Ao fim, seus seres revolucionários terminam em canibalismo.

week-end a francesa

4) O Demônio das Onze Horas (1965)

Também inclui um casal em fuga – sabe-se lá para onde – e termina em destruição. É o rosto de Belmondo, pintado, preso entre bombas, para celebrar o absurdo.

o demônio das onze horas

3) Acossado (1960)

O primeiro longa-metragem do diretor é ainda o mais famoso. O bandido de Belmondo mata um policial, rouba um carro e termina na companhia da Patricia de Jean Seberg.

acossado

2) O Desprezo (1963)

É sobre o que vem depois do amor. Casal que não se ama mais envolve-se com o mundo do cinema, entre cenários aos pedaços e um paraíso para filmar Odisseia.

o desprezo

1) Viver a Vida (1962)

Como a Joana D’Arc de Dreyer, a protagonista de Godard (Anna Karina) é julgada e perseguida pelos homens nesse filme fantástico sobre o cotidiano de uma garota.

viver a vida

Veja também:
Adeus à Linguagem, de Jean-Luc Godard

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