Cinco clássicos utopistas

Nenhuma indústria cinematográfica estabelecida, em nenhuma parte do mundo, representou tão bem o cinema utopista que a Hollywood da era clássica. Nos filmes utopistas, indivíduos sacrificam-se pelos outros, em nome de um valor moral.

São otimistas, claro, e carregam traços de uma cultura dominante, traços da família, da América feliz e do impossível – não raro, faz o paraíso da Terra tão belo e prazeroso quanto o dos céus. É a indústria do cinema trabalhando a todo vapor para insuflar de esperanças seu espectador. Com exceção do último filme da módica lista abaixo, o britânico Neste Mundo e no Outro, os outros quatro são produções americanas.

Nas Águas do Rio, de John Ford

Depois do belo Juiz Priest, o astro Will Rogers – morto pouco antes de o filme estrear – volta a trabalhar com Ford, de novo com ótimo resultado. Ele faz o mesmo tipo tranquilo, que termina como herói: o capitão de um barco que leva um pouco da história americana, contra injustiças e intolerâncias, a favor do final feliz.

nas águas do rio

Horizonte Perdido, de Frank Capra

A cidade perdida, Shangri-lá, é a representação máxima do cinema hollywoodiano utopista: é o local em que ninguém envelhece. Pois não é justamente o poder dos clássicos americanos? Após um acidente de avião, o herói (Ronald Colman) e seus companheiros descobrem essa cidade perdida e suas possibilidades.

horizonte perdido

O Mágico de Oz, de Victor Fleming

A mensagem tornou-se eterna: não existe lugar melhor que a própria casa. É para ela – após um furacão, novos amigos e a fúria da Bruxa Malvada do Oeste – que Dorothy (Judy Garland) deseja retornar. Mas não sem encontrar o grande Oz. Sobretudo, não sem algumas provações, como a superação das fraquezas de seus companheiros.

o mágico de oz

Agora Seremos Felizes, de Vincente Minnelli

Retornam o tema da “volta a casa” e a beleza ingênua de Garland, que canta músicas adoráveis ainda em uma Hollywood de outro mundo, dos estúdios, dos sonhos. As cores enchem a tela de esperança. A família é sempre bondosa. A irmã menor, na cena em que destrói os bonecos de neve, com certeza fez muita gente ir às lágrimas.

agora seremos felizes

Neste Mundo e no Outro, de Michael Powell e Emeric Pressburger

Sempre elegante e astuto, David Niven é o piloto de avião abatido durante a guerra e que tem uma segunda chance perante a corte celestial. Nessa obra fantástica da dupla Powell e Pressburger, o amor vence a morte. E sequer nos céus, no outro mundo, haverá consenso entre os espíritos – isso, claro, até surgir David Niven.

neste mundo e no outro

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