Quarteto Fantástico, de Josh Trank

Crítica e público, em sua maior parte, não gostaram da nova versão de Quarteto Fantástico, de Josh Trank. Em pouco menos de duas horas, o novo filme dos heróis da Marvel limita-se a mostrar a formação do grupo, sem dar a ele maior identidade.

As personagens sequer se tratam como heróis. São, na maior parte, jovens descobrindo os novos poderes – com suas responsabilidades. Esse aparente imobilismo, aos acostumados à estrutura comum dos filmes de heróis, custou caro.

quarteto fantástico

O filme de Trank vem sendo malhado de forma injusta e revela a falta de paciência do espectador, ou mesmo o preço por tentar escapar à moldura comum à qual o cinema de grande orçamento, hoje, vê-se confinado.

Não é o melhor dos filmes, mas desqualificá-lo é exagero. Trank consegue embutir bom ritmo, personagens interessantes, até mesmo algum conflito – casado ao descontrole – presente também em seu filme anterior, o interessante Poder Sem Limites.

Do início ao fim, trata-se de um começo – com menos comédia do que se vê em outros filmes sobre heróis. Talvez esteja ai outro problema a quem clama pela moldura comum: Quarteto Fantástico não deseja piscar ao espectador ou fazer piadas.

O que se vê é a premissa básica do cinema para a grande massa: o entretenimento. Não apela à sabedoria em excesso, tampouco se diminui para agarrar a todos ou desrespeita. Em momento tão pobre ao cinema de grande público, chega a ser diferente.

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Irônico notar que seus problemas estão justamente nas tentativas de ser como os outros, de se dobrar ao mesmo. Os jovens heróis – mais jovens que nos filmes anteriores do grupo – precisam ensinar os adultos como conduzir o mundo. De novo, o planeta está em cacos e a saída é encontrar outro universo.

É o que se vê em Interestelar ou mesmo na Série Divergente. Os adultos têm mais respostas, mas não vão além do mesquinho projeto de poder: usam seus experimentos a serviço do domínio bélico, sem enxergar a real destruição.

Os heróis de Quarteto Fantástico tomam outra forma por acidente, são mais experimentadores e cientistas que aventureiros. Ficaram um pouco deslocados do tempo, até mesmo ultrapassados – o que deve causar mais revolta nos detratores.

O fracasso da obra mostra o quanto pouca ousadia parece demais, o quanto as regras do cinema americano atual – com raras exceções – são implacáveis e levam o público – entre eles, parte da crítica – a se irritar quando um filme de grande orçamento parece menor do que realmente é e menos pretensioso que outros de sua estirpe.

Nota: ★★★☆☆

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