Mario Monicelli, 100 anos

Na comédia à italiana, Mario Monicelli tem um papel fundamental. Fez rir da tragédia, com suas personagens sentimentais e exageradas, às vezes levadas ao trambique, ao caminho mais fácil. Esse espírito pode ser visto em Os Eternos Desconhecidos.

Vittorio Gassman, o belo malandro, divide a tela com os ainda jovens Claudia Cardinale e Marcello Mastroianni, também com o veterano Totò. A obra resume sua forma de fazer cinema, o que perduraria em trabalhos seguintes, como A Grande Guerra.

Seu melhor talvez esteja em Os Companheiros (foto abaixo), com Mastroianni. Ao lado de um bando de trabalhadores, ele tenta guiar a massa, entre a consciência e o sentimentalismo: leva inevitavelmente ao confronto entre patrões e empregados.

A forma de Monicelli encarar o mundo estava ali: após a morte de um inocente, ao fim de Os Companheiros, a única coisa a fazer é seguir em frente, não se render. E seu suicídio, em novembro de 2010, pode ser também uma forma de não se render: aos 95 anos, o grande diretor despedia-se de forma brutal, indisposto a esperar pelo pior.

os companheiros

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