Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller

Antes de a velocidade virar regra no cinema, George Miller já havia destruído carros e colocado vidas em risco nos primeiros filmes da série Mad Max. No fim dos anos 70 e começo dos 80, a destruição levada à tela era real, ainda sem contornos digitais.

O primeiro filme da série, de 1979, estava mais próximo da realidade, do passado, e antes do apocalipse. Mesmo futurista, era algo possível e real. Alguns cenários aproximavam-se de faroestes, ou de algo como O Selvagem, com Marlon Brando.

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Depois vieram os problemas sempre anunciados, comuns àqueles que exclamam a morte do mundo: o fim da água, a briga pelo combustível, o culto às máquinas e, claro, o retorno à selvageria. No caso de Mad Max, ao faroeste, com pistoleiros e “índios”.

Cavalos dão vez a carros e motos. E, em Mad Max: Estrada da Fúria, os carros ficaram ainda maiores. A velocidade acompanha a destruição, além da montanha de pedras com um pouco de verde e água ao alto, o paraíso distante em que repousa o ditador.

Quem não assistiu aos anteriores da série não terá problema algum: no fundo, Estrada da Fúria não é sobre a personagem-título, mas com a personagem-título. Max tornou-se culto, sinônimo de desilusão. O mundo ao redor superou o anti-herói.

O diretor calca a quarta parte nessa ideia: mais do que um filme de personagens, prefere um filme de movimento e ação. Ou de situações. Um filme sobre o futuro depenado, em que rapazes com os corpos brancos levam outros homens como bolsas de sangue em seus carros turbinados, pelo deserto, para se alimentarem.

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Sempre ruim, o futuro vale-se de qualquer coisa: gente miserável à espera da água, lindas garotas que servem apenas para procriar, velhas atiradoras, guitarras que cospem fogo, além da heroína de Charlize Theron e seu braço mecânico.

Miller tem recursos e não poupa ninguém. Dirige com liberdade, ao passo que a violência é o meio de comunicação entre todos. Às vezes, torna-se parte de uma crença. Quando dão as vidas por uma causa nem sempre clara, os jovens de branco lançam-se de seus carros e seguem à tempestade aos gritos: “testemunhem!”.

Max está quase ao canto, com suas vozes internas e delírios nem sempre evidentes. Há nele um passado pouco explicado – como nos outros filmes da série. Não há tempo para entender o que o move, nem por que ele ajuda as mulheres em fuga. Vivido por Tom Hardy, o novo Max fala pouco e usa máscara boa parte do filme.

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Ao celebrar a morte do mundo, Miller aposta na diversão. O resultado beira o grotesco. A beleza das garotas de Immortan Joe alimenta a utopia da heroína: ainda deve haver algo de belo e bom nesse mundo desértico. É lá que deseja buscar refúgio.

Mesmo após tantos solavancos e explosões, resta um pouco sobre as personagens: Max não sonha, entende o caos; a heroína Furiosa (Theron), por outro lado, ainda sonha com a fuga, com o paraíso a ser alcançado, longe dos domínios do ditador mascarado.

O que conta é a adrenalina, a velocidade. O real chega por meio de fragmentos, lançados ao espectador durante a ação. Em cena, miseráveis de boca seca e um ditador tratado como rei, dois entre vários itens do violento espetáculo de George Miller.

Nota: ★★★★☆

Veja também:
Ilha do Medo, de Martin Scorsese

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