Bastidores: Ridley Scott em dois tempos

Dois homens não conseguem parar de duelar em Os Duelistas. Em seu primeiro filme, Ridley Scott revela talento desigual. Trata-se de uma adaptação da obra de Joseph Conrad, autor de No Coração das Trevas, e passado na era napoleônica.

O vício da guerra e as relações de poder estão em jogo: ao mesmo tempo certa cordialidade, ao mesmo tempo certa selvageria. Para viver a personagem mais desagradável, Feraud, Scott convocou o ótimo Harvey Keitel. Na outra ponta, um pouco mais humano, está D’Hubert, na pele de Keith Carradine.

Com tal filme, Scott entrega um de seus melhores trabalhos e dá início à carreira em alta. Depois ainda viriam Alien, o Oitavo Passageiro e Blade Runner.

os duelistas

Difícil acreditar que viriam, mais tarde, tantos filmes desagradáveis, se muito a dizer: a essa altura, Scott parece ter se tornado um diretor de encomenda, tragado pelas grandes produções, ou pelo mero tamanho de tudo.

Nova prova de seus erros recentes está em Êxodo: Deuses e Reis, épico bíblico sem qualquer ousadia sobre a revolução dos hebreus, rumo à passagem pelo Mar Vermelho.

Em cena, há Christian Bale como Moisés, que não chega a comprometer, e que serve para lembrar o espectador sobre como são os “homens comuns”, religiosos, do lado certo do jogo. Do outro, não seria diferente, está o extravagante, o rei que crê ser um deus, o irmão mais fraco que acabou virando líder. Fala-se de Ramsés (Joel Edgerton), cujo olhar não traz qualquer resquício de Feraud. Scott acomodou-se.

exodo

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