Godzilla, de Gareth Edwards

O mundo, de novo, é ameaçado por monstros gigantes. As cidades são o palco perfeito à luta das bestas e, ao mesmo tempo, a representação do templo moderno e humano, o local onde residem os bons homens. Quando os monstros resolvem atacar, pedaços de prédios caem ao chão, esfarelam, e pessoas correm de um lado para o outro para escapar da destruição, a amostra do fim do mundo.

O que esses seres pequenos podem fazer? Quase nada. É o que ocorre na nova versão de Godzilla, em que o monstro principal não mais está presente para destruir o mundo e procriar. Dessa vez ele é amigo da humanidade, a força da natureza, com um aviso: os homens, dirá sem dizer, precisam restabelecer o equilíbrio.

GODZILLA

O desequilíbrio será visto no surgimento de duas outras bestas, tão grandes quanto Godzilla. Elas alimentam-se de radiação e buscam um aperitivo nas grandes bombas criadas pelos humanos, as bombas que podem matar outros humanos.

O mais curioso é que esses mesmos humanos, em produções americanas do tipo, são sempre letais, culpados ou os suspeitos de sempre, e as bestas tornam-se sempre o resultado dessa bestialidade que não se assume facilmente. Faz falta, aqui, um doutor Fantástico para revelar quem são essas pessoas.

Em filmes como Godzilla, os humanos são sempre centrados, e às vezes estão corretos. Demoram a decifrar enigmas, a achar as respostas. Os humanos são queridos na forma como encontram uma saída final, na maneira como se revelam heroicos. Por outro lado, nem sempre são culpados por erros passados, os tais erros humanos.

Então, a certa altura, um cientista japonês e inteligente (sempre) tem aquele aviso que faz o público amá-lo: “deixe que as feras briguem”. Sim, o homem racional precisa fazer a alegria de um público que pagou para ver os grandes monstros destruírem templos humanos. E esse mesmo homem racional fará aquela expressão esperada, de medo, quando os helicópteros sobem ao céu. É o que se espera de um filme assim.

godzilla2

Com pitadas do que já se cansou de ver nos filmes de Spielberg, Godzilla tem, de novo, o soldado americano belo casado com a enfermeira bondosa – e bela. Ele é filho do cientista que, certa vez, perdeu a mulher em um acidente nuclear. Os cientistas podem prever muitas coisas, mas em alguns casos não preveem o acidente que se aproxima, o mal que explodirá em questão de minutos. Perdem assim suas mulheres.

O filme não tem humanos suficientes para conquistar. Restam feras, brigas: o anúncio de um fim do mundo que não ocorrerá. O monstro, então, sai aplaudido. Faz o serviço que o homem e suas bombas não podem fazer. Restabelece o equilíbrio.

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