Looper: Assassinos do Futuro, de Rian Johnson

Se de um lado Joseph Gordon-Levitt esforça-se para parecer cínico, de outro há um Bruce Willis como sempre se viu. Nem mesmo suas roupas levam a pensar em outro senão naquele tipo John McClane que o público conhece bem.

O primeiro é a chave de Looper: Assassinos do Futuro, de Rian Johnson. O segundo, um objeto de luxo, a surgir quando o filme já deu algumas voltas, quando o espectador espera pela reviravolta comum a esse tipo de material que envolve passado e futuro, tramas paralelas, atiradores com estilo e jeito cruel.

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Gordon-Levitt e Willis interpretam a mesma personagem, Joe, assassino de uma organização secreta voltada a executar homens do futuro em terreno passado. Aqui, o futuro já chegou ao passado e o universo de Kansas City leva o espectador a 2044.

Ainda assim, Joe explicará ao espectador que as viagens no tempo ainda não começaram. Explicará que seu trabalho nada tem de glorioso: basta puxar o gatilho e atirar contra alguém que surge do nada, como em um passe de mágica, direto do futuro. Explicará também algo desagradável àquela profissão: caberá ao matador, o looper, matar a si mesmo em determinado momento de sua trajetória. Com alguma riqueza, ele terá 30 anos para viver sua vida antes de ser abatido por sua própria arma.

Nesse meio, em completo escuro, o passado submete-se ao futuro: nada pode ser feito senão esperar o corpo aparecer, atirar e pegar o pagamento. Tudo mudará quando Joe (Willis) é enviado ao passado para ser morto – e quando consegue escapar de si mesmo.

É o tipo de ficção com injeções de ação, com aqueles rostos petrificados em seus carros velozes, com aquelas belas mulheres de bordéis – e bordéis futuristas ficaram comuns nas últimas décadas – chegadas a jogar charme, como modelos de passarela. Nesse meio, o jovem Joe trilha o que parece inevitável: uma vida inútil de festas e drogas.

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Chega, então, a virada. Nessa América futurista de rostos pobres, de mulheres pelas ruas a implorar humanidade, de crianças quase atropeladas e de jeito miserável, ainda será possível encontrar os velhos Estados Unidos de milharais e casas com conforto.

O filme, então, desabada. O pouco que havia de bom vai embora. Chega o amor, o carinho, a infância. O jovem Joe terá de descobrir o amor para entender as dores do velho Joe: dois homens diferentes, mas parte de uma só coisa. Dois homens em um passado violento e depois em um futuro ainda menos empolgante.

Ao estilo dos filmes de Christopher Nolan, com as sacudidas de uma trama que vai e volta a cada segundo, sempre resta esperar pelo encaixe das peças. Isso ocorrerá de qualquer forma, mesmo quando a personagem precisa apelar ao suicídio para colocar fim a um problema futuro. É uma montanha-russa.

Naquela casa cercada por milharais, como o cenário de Campo dos Sonhos, o jovem Joe conhecerá uma bela moça e seu filho pequeno. Eles entranham-se, aprendem a confiar no outro e logo estão se amando. A criança é a chave: pode ser salva pelo jovem Joe ou morta pelo velho Joe. É o futuro, ao meio de um homem que conheceu um pouco de felicidade e outro que, 30 anos mais velho, perdeu seu grande amor.

A boa América ainda sobrevive. Mães ainda cuidam de seus filhos. Ao passado, a boa e velha ordem familiar. Nada como ela para terminar com assassinos futuristas de rostos petrificados. Sempre o passado: terreno perfeito ao lado bom americano.

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