Dez ganhadores do Oscar que caíram no esquecimento

Alguns ganhadores do Oscar de outras décadas caíram no esquecimento e, hoje, alguns indicados são mais lembrados. O tempo provou isso. Um exemplo sempre citado é Cidadão Kane, derrotado, à época, por Como Era Verde Meu Vale. Quem, em sã consciência, considera o filme de John Ford superior ao de Orson Welles?

E quem prefere Kramer vs. Kramer a Apocalypse Now, derrotado – como O Show Deve Continuar, de Bob Fosse – em 1980? As injustiças do Oscar são tantas que seria impossível numerá-las. Delas, é certo, surgiram alguns vencedores esquecidos, filmes interessantes que, por um motivo ou outro, retornam à cena apenas em tempos de Oscar. Ou nem chegam a tanto. Abaixo, uma lista de dez vencedores pouco lembrados.

1939: Do Mundo Nada se Leva, de Frank Capra

O delicioso choque de comportamentos proposto por Frank Capra dá vez a uma de suas deliciosas comédias dos anos 1930, década em que ganhou três Oscars. Mas não ficou tão lembrada como Aconteceu Naquela Noite, A Mulher faz o Homem e, mais tarde, A Felicidade Não se Compra. Tem seu herói preferido, James Stewart, com aquele tipo conhecido: o bom homem à América do otimismo.

Com quem concorria: As Aventuras de Robin Hood e A Grande Ilusão

do mundo nada se leva

1941: Rebecca, a Mulher Inesquecível, de Alfred Hitchcock

Apesar de ser um filme de Hitchcock, seu primeiro em solo americano, nem de longe é lembrado entre seus grandes feitos, como Psicose e Janela Indiscreta. O público, também, não costuma lembrar o mestre do suspense como um ganhador de Oscar, já que, naquele ano, perdeu a estatueta para John Ford.

Com quem concorria: Vinhas da Ira e O Grande Ditador

rebecca

1945: O Bom Pastor, de Leo McCarey

O diretor é mais lembrado por outros filmes, como Cupido é Moleque Teimoso, que lhe rendeu um primeiro Oscar. Já havia dirigido os Irmãos Marx e, ao lado de Bing Crosby, conseguiu uma segunda estatueta de direção por um filme que fez grande sucesso à época. Crosby vive um padre à frente de uma paróquia e tem de lidar com os problemas quando a igreja pode perder seu espaço.

Com quem concorria: Pacto de Sangue e À Meia Luz

bing crosby, gene lockhart & barry fitzgerald - going my way 1944

1948: A Luz é para Todos, de Elia Kazan

Antes de fazer grandes obras como Uma Rua Chamada Pecado e Sindicato de Ladrões, e ainda antes de ser apontado como delator, Kazan fez esse drama modesto sobre racismo, com um repórter que se passa por judeu para descobrir, na pele, os males do antissemitismo. Com Gregory Peck em bom momento.

Com quem concorria: Rancor e Grandes Esperanças

a luz é para todos

1950: A Grande Ilusão, de Robert Rossen

O filme ganhou, mais tarde, outra versão, com Sean Penn no papel principal. Apesar de não ter ganhado qualquer Oscar, essa nova versão certamente é mais lembrada pelo público. Antes, o bonachão Broderick Crawford conquistou corações e mentes no papel de um caipira que chega a um importante posto político e vê-se embriagado pelo poder.

Com quem concorria: Tarde Demais e Quem é o Infiel?

a grande ilusão

1956: Marty, de Delbert Mann

À época, Marty foi o sinônimo do jovem criado pela mãe, trabalhador, boa praça, mas sempre forçado a estar no segundo plano: nenhuma garota interessava-se por ele. Isso logo muda e Marty (vivido pelo querido Ernest Borgnine, morto em 2012) encontra seu par perfeito (Betsy Blair). Surge então uma disputa para conseguir levar à frente seu grande amor. O roteiro é de ninguém menos que Paddy Chayefsky.

Com quem concorria: Férias de Amor e A Rosa Tatuada

marty

1964: As Aventuras de Tom Jones, de Tony Richardson

O diretor foi um dos responsáveis pela renovação do cinema britânico, cena conhecida mundialmente como cinema livre ou cinema novo. Aqui, contudo, Richardson retorna à literatura para contar, com liberdade, a história do namorador Tom Jones, imortalizado pelo sorriso cínico de Albert Finney. O elenco e a produção britânica são de alto nível, mas o filme, tão premiado, passou da história ao esquecimento.

Com quem concorria: Terra de um Sonho Distante e Cleópatra

 

1969: Oliver!, de Carol Reed

David Lean já havia feito uma versão anterior, com o incrível Alec Guinness. Polanski faria, mais tarde, a sua. Entre as mais conhecidas, a obra de Reed situa-se ao meio: um interessante musical com a história do jovem órfão e suas aventuras por becos, pontes e em más companhias. Era o ano de 2001: Uma Odisseia no Espaço, mas o filme de Kubrick mais confundiu que explicou. A Academia ficou com Oliver!.

Com quem concorria: O Leão no Inverno e Rachel, Rachel

oliver

1981: Gente como a Gente, de Robert Redford

Um dos casos de maior injustiça na história do prêmio: Redford, antes apenas indicado como ator, derrotou Martin Scorsese e sua obra-prima, Touro Indomável. Resultado: apesar do Oscar, o drama familiar de Redford caiu em esquecimento, enquanto o trabalho de Scorsese raras vezes escapa a uma lista de melhores filmes. Timothy Hutton roubou a cena e ganhou o prêmio de coadjuvante.

Com quem concorria: Touro Indomável e O Homem Elefante

gente como a gente

1990: Conduzindo Miss Daisy, de Bruce Beresford

Um caso raro: apesar de premiado como melhor filme, seu diretor sequer foi indicado. Pouca gente lembra-se de Beresford. De seu Conduzindo Miss Daisy, um pouco mais. A obra, contudo, apesar de interessante não caiu nas graças de todo mundo e nem sempre é lembrada. Vale descobrir: mulher idosa torna-se grande amiga de seu motorista negro nos Estados Unidos segregados dos anos 60.

Com quem concorria: Nascido em 4 de Julho e Sociedade dos Poetas Mortos

conduzindo miss daisy

Veja também:
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