A bela Giulia

Enquanto seus irmãos brincam, com uma lambreta, à beira da estrada, Giulia mantém-se a certa distância. Vivida com simplicidade por Paola Pitagora, durante todo o filme ela manter-se-á em um universo quase paralelo, como um anjo longe daquele inferno.

Apesar das aproximações, há sempre um clima de união, de pecado, segredos ao ar. Giulia sabe como é difícil ultrapassar a linha que separa ela dos irmãos, em laços de sangue, enquanto o diretor Marco Bellocchio deixa sinais de uma relação proibida.

Curiosa, de sorriso marcante, jeito simples, nem sempre sensual, Giulia é a peça ao centro em De Punhos Cerrados, obra-prima inicial da carreira de Bellocchio. Espécie de anjo, ela surpreende: morde a própria mão quando o irmão Alessandro (Lou Castel) disputa corrida, à estrada, com outro carro, quando a família vai ao cemitério.

A ligação entre Alessandro e Giulia é forte. A ponto de a moça não entregá-lo quando descobre que ele matou sua mãe. Eles vivem uma espécie de pacto, em silêncio, ao olhar de mistério: ao mesmo tempo próximos, ao mesmo tempo distantes.

Ainda que não tenha lá uma grande interpretação, a jovem consegue deixar uma marca apenas com sua presença. Bellocchio abusa de tal semblante. Destaca-o. Suspende-o em mistério, quando ela parece amar um dos irmãos, não o outro. Quando parece ter amor e estar – como Alessandro – aprisionada em si mesma.

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